SOBRE A PRÁTICA DA LEITURA E POR UMA LEITURA MAIS PRÁTICA

Há algum tempo já experiencio com meus alunos a prática das aulas destinadas à leitura. Não que todas as outras já não o sejam, uma vez que estamos a todo o momento lendo o mundo e suas manifestações, mas reservo aulas exclusivamente para isso. Quase sempre nossas aulas funcionam assim: disponibilizo livros de diversos gêneros, e eles, segundo sua preferência e vontade, escolhem o que desejam ler.

Não faço muita pressão, sabe? Deixo que escolham, sentem-se e comecem a ler. Não teço ameaças, do tipo “Vale nota” ou “Você vai ter que vir ler aqui na frente”. Eu simplesmente permito que leiam. Ah... e como eu desejo que leiam...

Num país como o nosso, em que muito pouco se lê, e onde tudo, absolutamente tudo vira desculpa para o não cultivo desse hábito libertador, ler, ainda que seja um pouco, “despropositadamente”, é um ato de subversão.

E o que é o educador, se não aquele que vive para subverter a ordem das coisas impostas?

Então, seja lá como for, que leiam!

De verdade, não me incomoda nem um pouco o fato de que, normalmente, eles optem por leituras mais curtas, com exceção de alguns raros já mais afeiçoados à leitura, que inclusive por vezes, acabam levando para a sala de aula os livros que já vinham lendo em casa, tamanha é a gana de continuar a desvendar os encantos da história, devorando, página por página o companheiro de papel.

O que eu quero é que leiam, que vez por outra se permitam o choque com alguma palavra que até então desconheciam, que se encantem pela poesia das coisas que nos cercam muito além dos livros; que a palavra lhes sirva de arma, e que saibam, no momento exato fazer uso dela para derrotar a ignorância, o medo e a opressão.

Eu sei que meus sonhos são exageradamente audaciosos, mas se não acreditasse na possibilidade de vê-los um dia se concretizando, não insistiria em sonhá-los e alimentá-los dia após dia, semana após semana, ano após ano.

É isso, sou uma professora que lê o mundo assim. Talvez haja muito equívoco nessa minha visão peculiar, mas... Eu ainda acredito no poder transformador da Leitura.

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