#souprofessoresdoparaná

São dez anos nesta profissão e, apesar de todo o meu amor pelas palavras, não consigo encontrar em toda a grandiosidade de nosso léxico uma sequer que descreva meu sentimento diante das cenas às quais assisti durante essa semana. Refiro-me ao tratamento dado aos meus companheiros professores do Paraná.

E se os chamo de companheiros é porque realmente é assim que os vejo, afinal, e apesar de estarmos em estados diferentes, compartilhamos do mesmo ganha-pão. Então, é como se, mesmo que poeticamente, dividíssemos o mesmo pão. O pão que chega à nossa mesa é fruto do mesmo esforço diário de exercer nossa profissão de maneira ética e digna.

Somos todos professores e deveríamos, portanto, lutar pelas mesmas causas.

Quando um policial agride um professor, pasmem, está me agredindo também. Esse é o sentido de “classe”. Mas o que é que fizeram conosco afinal? Em que permitimos que esses homens inescrupulosos transformassem a nossa classe?

Eu devo ser mesmo uma deslocada desse mundo, desajustada, incompreendida, que não compreende o porquê de certas coisas.

Quando para compactuar com um jornal que se promovia às custas do deboche de mal gosto, ofensivo, que atingia o que de mais sagrado o próximo tem, as pessoas se mobilizaram, multiplicando e compartilhando escandalosamente mensagens de apoio e o escambau.

Agora, quando assistimos ao absurdo desse ataque aos professores paranaenses..., que não atinge só a eles, mas a todos aqueles que, verdadeiramente podem carregar consigo o título de “professor”, por professar a verdade do poder transformador da educação... Cadê? Onde foram parar as panelas agora?

E digo mais, esse não é o momento para discursos piegas de “Ai, que classe sofrida essa dos professores...”, que isso não passa de hipocrisia, afinal, nem classe somos mais há muito tempo e devemos isso a esse governo covarde que promove diariamente ações cujo objetivo único e exclusivo é tornar companheiros, adversários, como se a Educação fosse um ringue, onde se disputa a sangue frio verbas e abonos ridículos, vergonhosos.

E também deixem a palhaçada de “Ah, que bonito, você é professora. Corajosa, hein?!...”

A esses, eu respondo, sou, mas professor é profissão como outra qualquer e como outra qualquer exige respeito. Não somos melhores que ninguém, nem tão pouco merecemos lugar de humilhação. E quanto a ser corajosa, sou sim, e acho que desde muito pequena, e ainda mais depois que li, ainda adolescente, o genial Guimarães Rosa, que acreditem, só ratificou minha crença: “Viver é muito perigoso... O que a vida exige da gente é coragem...”

E para aqueles que ainda se deslumbram pela educação, se é que verdadeiramente ainda existem, sugiro que deem 12 aulas por dia numa escola pública, qualquer que seja ela. Depois dessa experiência, e só depois dela, façam sua própria constatação, o tesão se esgotou? Ou a paixão só aumenta?

Em mim, pasmem, ela só aumenta, mas eu talvez não conte, sou Subversiva.

#souprofessoresdoparaná

 

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