Minha perna bambeou e o coração disparou à medida que me aproximava do fundo do abrigo e tentava compreender a cena inusitada: Thor ocupava o lugar do Pitvovô. Ele estava calmamente sentado no corredor dos últimos canis, com as patas da frente cruzadas, olhos azulados vidrados, a balançar o focinho de um lado para o outro para sugar os novos cheiros dos arredores. Thor é um grande mestiço de rottweiller com sabe Deus o quê, muito forte e cego.
E o Pitvovô estava no canil do Thor, com o focinho gordo a esquadrinhar cada centímetro do lugar, escolhendo e comendo os grãos de ração espalhados pelo chão. O portão desse canil estava tombado no corredor e o poste de concreto e ferro que o sustentava tocava o chão, em formato de arco. Thor havia se empolgado!
Meu maior receio era se atracarem, mas os dois pareciam estar tranquilos, cada um explorando seu pedaço de novidade. Nunca colocamos dois cães bravios juntos, nem mesmo para testar a possibilidade de dar certo.
Tentei passar uma corda no pescoço do Thor para prendê-lo, mas como é cego, ficou arredio. Então, lacei o Pitvovô e consegui sair do lugar, passando pelo inabalável Thor sem qualquer problema. Fechei o portão principal, respirei aliviada e saí em disparada, gritando por ajuda.
O Thor ficou no abrigo porque eu caí na conversa de um Rodrigo-adestrador. Ele precisava de um canil emprestado para acomodar temporariamente um cão bravo que encontrara amarrado numa árvore do Treme-Terra. No início, esse Rodrigo-adestrador tratava o cão todos os dias, mas, logo, sua presença foi rareando, até abandoná-lo. Deixou para trás um monte de mentiras e uma fera, que tentava adestrar para fazer segurança e ganhar uns trocos.
Thor adoeceu gravemente, por isso ficou cego. Hoje, é o Grande Thor, que respeitamos e tememos, pois não sabemos lidar com ele. Às vezes parece brincar, mas nunca sabemos...
Márcia Davanso,
fundadora e presidente voluntária
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