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Religião

Tríduo Pascal

Os dias que antecedem a Páscoa do Senhor nos conduzem à reflexão sobre o mistério da Alegria e da Páscoa da Ressurreição de Jesus. Poderíamos nos perguntar: quem é Jesus?

“[...] Foi um judeu, carpinteiro humilde que só fez o bem, mas foi condenado à morte. Contudo, marcou profundamente a história da humanidade. Alguns O classificam de sábio; outros, de Mestre e Profeta. Ele é: inteiramente Deus e inteiramente Homem, plenamente Amor e plenamente Verdade. Eles O reconheceram como Salvador; Sua morte, Sua ressurreição, Sua mensagem e Sua pessoa lhes deram um novo sentido para viver. ‘Quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não fui com sublimidade de palavras ou de sabedoria. Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificando’”. (cf. 1 Cor 2,1-2). (Formação Canção Nova).

A humanidade, desde os primórdios, aguardava a vinda do Salvador, libertador do mundo – em Jesus Cristo, essa esperança se realiza. Jesus declarou: “Hoje, houve salvação nesta casa... Porquanto o Filho do homem veio buscar e salvar o que estava perdido”. (Lc 19,9-10).

Gerado no seio da Virgem Maria, e batizado por João Batista no Rio Jordão, Jesus dá início à sua vida e missão. O texto das Bem-Aventuranças de Mt 5,1-12 nos coloca numa perspectiva de proximidade com Jesus e nos indica a sua e a nossa missão, tendo bem claro o seu projeto: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu para pregar o Evangelho aos pobres. Ele me enviou para proclamar a libertação dos aprisionados e a recuperação da vista aos cegos; para restituir a liberdade aos oprimidos e promulgar um tempo da graça do Senhor” (Lc 4, 18-19).

Toda a sua missão e opção o levou a muitas situações em que a lei do amor, da misericórdia e do perdão não tinha dia nem hora ou local para acontecer. Os doutores da Lei, a partir das leis judaicas e da negação que Jesus seria o Salvador da humanidade, o condenaram à morte e o submeteram ao poder político da época. Depois de uma longa jornada passando por vários lugares da região da Judeia, como Samaria, Betânia, Jericó e Hebron, chegou e entrou em Jerusalém. A multidão o acolheu como Rei e, com ramos nas mãos e seus mantos estendidos para Ele passar, gritavam: “Hosana ao Filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor!”  (Mt 21,1-11). É essa mesma multidão que mais tarde vai negar Jesus e condená-lo à cruz. E Jesus é preso no Monte das Oliveiras, entregue por Judas Iscariotes, um de seus apóstolos. Antes, na Santa Ceia, Jesus já indicara qual era a condição de Judas. E, na Ceia, Ele se faz Eucaristia, alimento para o mundo e salvação para os que creem – o grande milagre e mistério que a Igreja celebra e do qual se alimenta a cada dia. 

Naquela mesma noite, Ele foi julgado e condenado ao flagelo por Poncius Pilatos, que, embora não visse mal algum em Jesus, o entrega aos seus algozes. O caminho do calvário recorda também o calvário de toda a humanidade seus sofrimentos e suas dores que continuam a ferir toda a dignidade da pessoa humana e de seus direitos. Sua cruz é o sinal e a prova de nossas fraquezas e de nossos pecados que Ele carrega sobre si. Crucificado, do alto da cruz nos entrega e nos consagra por João à sua, mãe, Maria Santíssima: “Eis aí a tua mãe, eis aí o teu filho” (Jo. 19, 25-27). E Jesus morre na cruz... Sua morte é, para os que ainda acreditavam, sinal de derrota; para nós, é sinal da Esperança. Nós cremos na vida e no mundo que há de vir.

Em Jesus, se encerra tudo, e como encerrar em alguém que se deixou morrer na Cruz? Eis o mistério da fé. Nada está perdido. Não fiquemos na cruz, não desanimemos, nós cremos na vida eterna, esse é o grande anúncio da Páscoa. Em Jesus está a nossa vida, Ele é a nossa salvação. Ao terceiro dia, a pedra está removida do túmulo e uma luz resplandece, com a mesma força que celebramos o seu nascimento, com a mesma ousadia em que n’Ele nos fazemos irmãos, com a mesma necessidade que temos ao pedir que alivie as nossas dores, com o mesmo reconhecimento de nossa pequenez e de nossos pecados e carregando dia a dia a nossa cruz, nós celebramos a vitória da vida, Jesus ressuscitou! A Páscoa é a festa da vida, da vitória e da alegria. Páscoa é passagem, passemos também a celebrar e a viver em Jesus a força que nos renova; com Ele morremos, n’Ele ressuscitaremos.

Na Páscoa do Senhor, vamos celebrar a alegria, a unidade, a partilha, a fé, o amor. Não reduzamos nossa fé à Cruz. Sejamos mais solidários e fraternos, valorizemos nossa família e nossos amigos, estejamos em comunhão. Só crendo em Jesus, que é vida em nossas vidas, é que teremos um mundo novo. O seu Reino começa aqui, depende de nós. Feliz Páscoa da Ressurreição!

Formado em Filosofia e Teologia, Pe. Juzemildo Albino da Silva é sacerdote há 30 anos e atual administrador paroquial da Área Pastoral Santa Clara de Assis, no Jardim Águas Claras, em Bragança Paulista. Foi pároco da Paróquia Nossa Senhora da Esperança no Parque dos Estados, tendo trabalhado também nos municípios de Vargem e Socorro. Foi vereador e é militante das causas sociais. 

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