Vereadores manifestam indignação sobre imposição de partidos na votação de projetos

A sessão ordinária realizada pela Câmara Municipal, nessa terça-feira, 23, também contou com a manifestação de vários vereadores na Tribuna.

O primeiro a falar foi o vereador Jorge Luís Martin, que convidou os colegas para o evento que será promovido pela Uvesp (União dos Vereadores do Estado de São Paulo), no dia 29 de setembro, na USF (Universidade São Francisco), cujo tema será “Turismo como fator de desenvolvimento econômico”. Jorge também pediu providências da Prefeitura para a Unidade de Saúde da Família Madre Paulina, localizada no Jardim da Fraternidade. De acordo com o vereador, é necessário cercar o posto para se evitar atos de vandalismo.

O vereador Juzemildo Albino da Silva fez críticas severas ao Grupo Chedid pela articulação política que fez junto a partidos políticos, que praticamente obrigaram vereadores a votar contra os projetos da Planta Genérica de Valores e do Código Tributário e contou que se sentiu indignado diante de tudo o que aconteceu na Câmara nessa terça-feira. “Primeiro, nós vimos as articulações do mal, maléficas, para tentar denegrir a imagem desta Casa ou desta cidade. Denegrir a imagem de vereadores que se dedicaram, estudaram, se aprofundaram para conhecer o Código Tributário e a Planta Genérica. O que fizemos não foi nenhuma brincadeira, trabalhamos muito”, contou o vereador.

Juzemildo declarou, então, que não concorda com a decisão do prefeito Fernão Dias da Silva Leme de retirar os projetos. “Quero cumprimentar a ousadia do prefeito, embora deixe claro meu posicionamento contrário a ele nesse sentido. Eu, pessoalmente, não retiraria o projeto. Eu saberia perder em pé”, afirmou.

O vereador acrescentou que a cidade deveria ter vergonha do Grupo Chedid. “Eu não me vendo, não me vendo principalmente para pessoas que querem continuar mandando na cidade e que mandam desde 1962, de pessoas que querem fazer governo paralelo nesta cidade, é uma vergonha. Bragança tem que ter vergonha disso. Vergonha do Grupo Chedid. Vergonha do Dr. Jesus que vem aqui e manda, como mandou ontem em muitos vereadores votarem contrários ao projeto, tentando dizer que estamos enganando a população. Quem está enganando é quem queimou milhares de carnês no passado, dizendo para o povo ‘olha, nós vamos isentar vocês, estamos queimando o carnê, você não vai pagar mais IPTU’ e até hoje esses pobres têm dívida ativa na Prefeitura. Isso é vergonha política. Vergonha de quem foi cassado porque foi dar dinheiro para sua própria empresa, vergonha de família como essa dentro da nossa cidade. Disso nós devemos ter vergonha. É preciso que nós acordemos para esse tipo de pessoas que querem governar paralelamente na nossa cidade. Fico indignado com essa podridão política, tenho vergonha das mentiras, das falcatruas, das armações, vergonha dessa rádio pútrida”, desabafou Juzemildo.

Além disso, o edil reconheceu o esforço dos vereadores e funcionários da Câmara e da Prefeitura na tentativa de explicar e sanar dúvidas sobre os projetos, afirmando que se pretendia fazer justiça social. Disse ainda que não se estava tirando dos ricos para se dar aos pobres, mas sim, estava se isentando os pobres do pagamento de IPTU. “Todos nós temos consciência de que os ricos devem pagar mais impostos”, afirmou, admitindo que erros e distorções dos projetos podem ser corrigidas.

“Quero deixar registrada minha indignação da incoerência, da incompetência e dizer que estejam fora da nossa cidade aqueles que querem prejudicá-la, aqueles que não amam, não respeitam e que querem fazer, não a mim, mas a muitos outros de vaquinhas de presépio”, finalizou Juzemildo.

O vereador Paulo, em aparte, disse a Juzemildo que ele estava colocando todos os vereadores “no mesmo saco”.

“Quase todos, aqueles que merecem, como o senhor também merece”, respondeu Juzemildo.

Paulo rebateu afirmando que Juzemildo estava enganado, que nunca teve e não tem patrão. Porém, ele foi um dos vereadores que participaram de reunião na Morada das Pedras, na noite de segunda-feira, 22.

O vereador Natanael Ananias também se manifestou, mas ficou de fora das discussões sobre os projetos retirados da pauta daquela sessão. Ele contou que está em falta nos postos de saúde há mais de um mês o medicamento metiformina, usado por diabéticos. O vereador disse que ele é fornecido pelo governo do estado e cobrou providências. Natanael também solicitou melhorias para o cruzamento das Ruas Maria Teixeira Galasso com a Suíça, na Vila Garcia, e afirmou que é necessário se fazer algo com relação ao aumento da violência na cidade.

O vereador Rafael de Oliveira contou inicialmente que, no ano passado, foi autor de moção pedindo à Prefeitura que implantasse o Orçamento Participativo na cidade. Neste ano, a Administração implantou o Orçamento Participativo Eletrônico, o qual teve como uma das principais reivindicações, a volta de cinemas para Bragança Paulista. Rafael explicou que apesar de esta não ser uma atividade de competência da Prefeitura ou da Câmara, ele vinha trabalhando junto a empresários para que isso ocorresse e a implantação de salas de cinema no município vai se concretizar a partir de maio ou junho do próximo ano.

Em seguida, ele falou sobre a Carta Aberta publicada pelo Pros (Partido Republicano da Ordem Social) nos jornais locais com veiculação na terça-feira. Rafael afirmou que se sentiu constrangido. “Fomos determinados a votar contra o projeto em reunião realizada ontem, 22. Porém, essa reunião não foi informada a nenhum membro da Provisória de Bragança Paulista, a nenhum dos quatro vereadores eleitos pelo povo. E nos 90 e tantos dias que os projetos ficaram em Bragança, o partido em nenhum momento se manifestou, em nenhum momento nos procurou, nos oficializou, nos notificou de nada. Faz um ano que nós estamos nesse partido e sobre nenhum projeto o partido se pronunciou. Nenhum dos 11 membros da Comissão Provisória receberam notificação oficial do partido, nenhum tipo de comunicado”, contou.

Rafael considerou que o Pros poderia ter chamado os vereadores para debater as propostas e alertá-los sobre pontos que julgasse falhos, mas não fez isso. “Poderíamos sim ter sido chamados há três meses para debater, alertando algum ponto do projeto que talvez não concordasse. Agora, impor? O que é isso? A ditadura voltou, então? É voto de cabresto? Não, eu não. E acredito que os nobres pares do meu partido também não. Vir impor, determinar, sem nenhum comunicado, mandar carta?”, questionou.

O vereador também declarou que foi pego de surpresa pelo fato de ser informado de que a Comissão Provisória do Pros em Bragança Paulista será destituída. “E hoje, para mais um espanto, eu tive que ir buscar a carta no escritório Morada das Pedras do Grupo Chedid e fui notificado que a Provisória do meu partido vai ser destituída. Como assim destituída, do nada? Então vendeu o partido, será? É uma pergunta que faço para o meu próprio partido”, disse Rafael de Oliveira.

Ainda de acordo com o edil, o presidente estadual do Pros sequer leu os projetos da Planta Genérica e do Código Tributário para firmar posição sobre eles. “E o pior de tudo. Em uma ligação hoje mesmo para o deputado Salvador Zimbaldi, ele assumiu que não leu o projeto. Está gravada essa ligação. Se não leu, como induz, determina que vote contra? Qual a resposta agora? A verdade é a seguinte, não fomos comunicados em nenhum momento, o próprio presidente estadual do Pros não leu o projeto, disse que tem que debater a parte política agora, que ele precisa de voto. Como funciona isso então? Eu venho aqui, fico estudando o projeto por quatro meses e depois vem uma imposição de que eu tenho que votar o projeto de acordo com o que ele acha sem ler o projeto?”, indagou.

Rafael contou, ainda, que foi notificado sobre a determinação do Pros às 16h08 de terça-feira, ou seja, que os comunicados chegaram antes aos jornais.

Fabiana também registrou repúdio ao Pros pela maneira com que o partido tratou os vereadores filiados à sigla. Ela considerou a determinação de votação uma humilhação, uma ameaça e agradeceu ao prefeito pela retirada das propostas a fim de evitar possíveis retaliações.

Antônio Bugalu, que também é filiado ao Pros, concordou com Fabiana e acrescentou que os vereadores haviam estudado os projetos e, portanto, sabiam o que estavam votando.

Também falou sobre o mesmo assunto o vereador Valdo Rodrigues, líder do prefeito, que, no momento em que o prefeito falava, foi ameaçado pelo ex-prefeito Jesus Chedid de cassação. Valdo considerou que o ocorrido na Câmara era lamentável, mas que servia como escola, “uma boa escola do que é política e do que não é política”. “O que Bragança Paulista experimentou ao longo dos anos com alguns que sentaram na cadeira do Executivo, principalmente um grupo aí, foi essa maneira aí de trabalhar, uma maneira que oprime o povo, que impede a participação, que domina, que manda nos meios de comunicação, é lamentável”, afirmou.

Com relação aos projetos, ele parabenizou a equipe da Prefeitura e da Câmara que trabalharam sobre eles e opinou que o debate deve acontecer nas comissões, por isso, não entendeu o movimento que aconteceu na cidade entre segunda e terça-feira para impedir a votação dos projetos. Valdo disse ainda que recebeu vários pedidos para votar contra as propostas, mas que essas solicitações vieram de pessoas que têm grandes posses e não dos mais pobres. “Porque essas pessoas (as mais pobres) entendem. Apesar da manobra que tentaram fazer através dos meios de comunicação dizendo que o mais prejudicado seria o povo mais pobre. Lamento muito que esta cidade continue falando mentira. E eu sei que uma mentira dita, principalmente por boa parte da imprensa, uma mentira dita diversas vezes, ela se torna uma verdade. E aí nós impedimos o avanço e o crescimento desta cidade. Mas tenho certeza, primeiro porque tenho fé em Deus, que uma hora isso vai cair. Uma hora essa cidade vai mudar. Uma hora as pessoas vão despertar porque as pessoas que estão entrando hoje, tem muita gente que quer ver o progresso e a prosperidade desta cidade e não amarrar a cidade para ficar presa a um determinado grupo político”, considerou.

Além disso, Valdo criticou a forma como foi feita a vistoria na UPA (Unidade de Pronto-atendimento) Dr. Valdir Camargo, na terça-feira, 16. Ele apontou que a comitiva de vereadores e imprensa que se dirigiu ao local causou transtornos aos usuários da unidade.

A vereadora Rita Valle convidou toda a população a participar da Fecorb (Feira de Caprinos e Ovinos da Região Bragantina) e da Feira das Nações, que acontecem neste fim de semana, no Posto de Monta.

Depois, Rita também comentou a retirada dos projetos sobre o novo Código Tributário e a nova Planta Genérica de Valores. “Independente de qual fosse o resultado, essa plenária hoje se tornou enorme, participativa, mas em nenhum momento nas nossas reuniões, que tiveram divulgação da imprensa, tivemos um quórum tão importante como hoje. Então, acho que a gente tem que refletir sim sobre isso. Sendo bom ou não o projeto, tinha que ser discutido durante esse período, agora, como foi dito, aos 45 do segundo tempo, chegar com todas as colocações que foram feitas aqui, acho que foi extremamente lamentável. Não temos uma plenária efetiva e entusiasta como esta quando nós temos outros projetos em pauta. Então, quando se fala em cidadania, cidadania é uma frequência e uma cultura que o cidadão vai se acostumando e exercitando quando tem uma atividade política”, disse a vereadora.

Rita Valle opinou que o resultado da votação seria vitorioso se os projetos não tivessem sido retirados. “Cada gestor tem sua forma de governar, sua equipe de governo. O projeto teve em primeiro turno 15 votos a 4. Independente do que fosse tratado aqui pela OAB, teríamos uma votação vitoriosa, independente de quem tivesse pulado para trás ou se intimidado com as frequentes acusações que foram feitas. Mas eu acho que o prefeito teve atitude corajosa, principalmente com os vereadores do Pros, que foram intimidados a votarem contra. Todos foram poupados nesta noite”, observou a vereadora, acrescentando que não é possível contentar 100% da população e que o projeto tinha vários pontos positivos.

Rita disse também que os vereadores fizeram um estudo bastante aprofundado sobre as propostas.

Noy Camilo também registrou repúdio contra a manobra política feita para intimidar os vereadores do Pros e do Democratas a votarem contra e revelou que se os projetos fossem colocados em votação, votaria a favor deles.

“Talvez todos os munícipes que estão daquele portãozinho para lá não tenham ideia do que acontece do portãozinho para cá. A partir do momento que fomos eleitos, não somos mais representantes de um segmento do eleitorado, mas de toda a população e tamanha é a nossa responsabilidade, por isso, precisamos ter autonomia, liberdade, e não podemos sofrer arbitrarismo para que cada um tenha sua votação incondicional”, finalizou Rita Valle.

O vereador Marcus Valle comentou que a Folha de São Paulo publicou uma matéria sobre a aprovação de 80% dos paulistanos em relação às ciclovias e cobrou que o dispositivo seja implantado em Bragança Paulista.

Sobre os projetos retirados, Marcus disse que não havia como debater tecnicamente as propostas naquela sessão, já que os temas se tornaram demasiadamente passionais. O vereador opinou que o que o Pros fez com os vereadores filiados ao partido “não foi nada democrático”.

Já o vereador Miguel Lopes foi o único que criticou o discurso do prefeito. Para ele, Fernão Dias desrespeitou o Legislativo e faltou habilidade política ao chefe do Executivo para lidar com as propostas. Miguel afirmou também que não concorda com a carta enviada pelo Pros a seus vereadores filiados.

Já ao final da sessão, Valdo Rodrigues voltou à Tribuna para comentar a ameaça recebida de cassação. De acordo com o vereador, o ex-prefeito Jesus teria lhe convidado a ir a Morada das Pedras e como sua resposta foi negativa, ouviu a ameaça de cassação.

Valdo contou que nunca viu alguém determinar o voto de um vereador e que ficou mais surpreso ainda ao saber que o presidente de seu partido sequer havia lido a proposta. “Não vou me curvar diante disso, lamento muito esse tipo de coisa nos dias de hoje. Nos dias atuais, isso é incabível. Por isso que muita gente não quer saber de votar, exatamente por conta dessas barbaridades, a população está enojada com certo tipo de política”, concluiu o vereador Valdo.

A sessão terminou por volta das 19h30.

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