Vereadores se unem para cobrar mudanças urgentes na Saúde

Falta de remédios nos postos foi a principal reclamação, especialmente porque já houve declarações em público do prefeito Fernão Dias da Silva Leme de que a situação estaria resolvida, mas isso não ocorreu dentro do prazo informado

 

 

Na tarde da última terça-feira, 18, foi realizada a 7ª Sessão Ordinária de 2014 da Câmara de Bragança Paulista. Em cerca de quatro horas e meia de trabalhos, 15 dos 19 vereadores discursaram na Tribuna Paulo Miguel Zenorini. Desses, dez apontaram problemas da área de Saúde e cobraram medidas urgentes do prefeito Fernão Dias da Silva Leme.

Antes das manifestações dos vereadores, houve duas participações populares. O promotor de eventos Antônio José Fraulo, conhecido como Barão Fraulo Filho, falou sobre o lançamento de seu quarto livro, Poemas de Avant Premiere. Já Samuel Pires, encarregado de ferramentaria, falou sobre problemas de estabelecimentos comerciais na região do Jardim São José, que usam calçadas para o estacionamento de veículos de clientes e promovem barulho.

Os projetos em pauta foram aprovados por unanimidade. Eles dizem respeito à regulamentação das atribuições da Secretaria Municipal da Juventude, Esporte e Lazer e normatização do Conselho Municipal de Esportes e Lazer e denominação de vias públicas localizadas no Loteamento Jardim Greville.

Também foi aprovado requerimento de autoria da vereadora Gislene Cristiane Bueno para a concessão de Cartão de Prata à Márcia Davanso, da Faros D’Ajuda, pelos trabalhos prestados em prol de cães e gatos no município.

 

MARCUS VALLE INICIA RECLAMAÇÕES SOBRE A SAÚDE

O vereador Marcus Valle foi o primeiro a fazer uso da palavra na última sessão. Ele abriu a tarde de reclamações sobre a Saúde, especialmente com relação à atuação da OS (Organização Social) ABBC (Associação Brasileira de Beneficência Comunitária). O vereador esclareceu que quando votou o projeto que permite a contratação da OS estava consciente. Lembrou também que ouviu explicações por parte de representantes do Executivo de que com a OS fazendo a gestão da Saúde no município não faltariam medicamentos nem profissionais, pois não seria necessário fazer licitação nem concurso.

Apesar disso, Marcus contou que ainda estão faltando remédios, como a insulina, que nem é vendida em farmácias e que é essencial para quem tem diabete. “A OS não pode deixar faltar medicamento”, disse Marcus, afirmando que não se arrepende de ter votado a favor do projeto.

Outro assunto abordado pelo vereador foi o baixo nível da Represa Jaguari/Jacareí, que nessa terça-feira estava com 8,61% de sua capacidade. Marcus citou que há legislação que estabelece que, em caso de escassez, os municípios por onde passam os recursos hídricos têm prioridade no abastecimento e contou que faria um ofício endereçado à Sabesp pedindo que a lei seja cumprida na hipótese de racionamento. Ele registrou que Bragança Paulista usa 66 vezes menos água do que São Paulo.

A implantação de um crematório na cidade foi defendida pelo vereador Marcus Valle, que observou que a cremação é mais barata do que o enterro tradicional e causa menos impactos ambientais. Segundo ele, há 70 crematórios em todo o país.

 

MIGUEL LOPES COGITA DENUNCIAR AO MP FALHAS DA SAÚDE

O vereador Miguel Lopes reforçou as reclamações sobre a falta de medicamentos nos postos de Saúde. Ele disse que há cerca de 50 dias, quando o prefeito Fernão Dias esteve na Câmara, afirmou que dali a 15 dias não faltariam remédios nos postos. Porém, passado todo esse tempo, a situação ainda não se resolveu. “Não consigo entender a calma da secretária. A calma até mesmo desta Casa porque a gente só vem aqui e fala, fala, fala e não fazemos nada”, declarou, opinando que o Ministério Público deveria ser informado sobre o que está acontecendo.

Além da falta de remédios, Miguel apontou que não há camas hospitalares nem cadeiras de roda e que o serviço de fisioterapia também está suspenso por falta de local. “Até quando vamos ficar esperando a morte de tanta gente chegar?”, questionou, completando que a secretária municipal de Saúde, Estela Gianesella, quando da implantação da OS, afirmou que ela seria a salvação para o setor na cidade.

Miguel ainda relatou que está com um caso de um paciente com leucemia que o procurou para intermediar a realização de um procedimento, que já teria passado o problema ao prefeito, mas que, mesmo assim, não houve solução.

Batendo na Tribuna e demonstrando insatisfação com a situação, o vereador lamentou o descaso e a incompetência com que a administração está lidando com a Saúde.

 

PAULO MÁRIO SE INDIGNA COM REVISTA DE

ANIVERSÁRIO DA CIDADE QUE NÃO TRAZ DADOS SOBRE A CÂMARA

O vereador Paulo Mário Arruda de Vasconcellos foi um dos poucos que não relatou problemas da área da Saúde durante a sessão, apesar de afirmar que apoiava os colegas em suas cobranças de melhorias para o setor.

Paulo contou que a Câmara recebeu a visita de alunos de 11 e 12 anos do IECJ (Instituto Educacional Coração de Jesus) recentemente e que eles fizeram vários pedidos, os quais foram transformados em indicações. O vereador ressaltou que as solicitações são muito parecidas com as que os vereadores fazem rotineiramente na Câmara, o que demonstra que as crianças dessa idade já estão atentas aos problemas da cidade.

O vereador voltou a falar da publicação de uma revista que trata dos 250 anos da cidade, completados no ano passado. Há algumas semanas, Paulo já havia mencionado que a publicação não trazia dados sobre a Câmara. Desta vez, ele apontou que, caso tivesse sido feita uma pesquisa, os responsáveis pela revista descobririam que a Câmara foi fundada antes da Prefeitura, assim, não poderia jamais ser excluída de uma publicação que fala da história da cidade.

O vereador Juzemildo aparteou o colega dizendo que conhece algumas pessoas que trabalham na equipe da revista e contou que a publicação é de iniciativa particular.

Mesmo assim, Paulo continuou registrando sua indignação e, por fim, decidiu fazer um pedido de informações para saber da Prefeitura se houve algum tipo de auxílio financeiro na elaboração da revista e se alguém do poder público revisou a publicação.

Mais tarde, já quase no fim da sessão, o vereador Quique Brown contou que foi procurado por uma jornalista que estava colaborando com a produção da revista porque ela queria fazer uma entrevista com ele sobre sua banda. Quique disse que ela muito provavelmente não sabia que ele era vereador e que, após a publicação, notou que a matéria sobre a banda não foi publicada. Por isso, ele questionou a jornalista e teria recebido como resposta que o material da entrevista chegou tarde e, além disso, que o secretário de Cultura quis mudar muita coisa e, assim, o conteúdo teve de ser enxugado.

A informação deixou os vereadores literalmente de bocas abertas, já que até então não havia indícios de que a revista tivesse qualquer ligação com a Prefeitura.

Paulo Mário disse então que a única foto de autoridade que aparece na revista é a do secretário Noy Camilo ilustrando matéria sobre a Festa da Linguiça.

“Se a Divisão de Imprensa não tem uma foto que ilustre melhor a Festa da Linguiça do que a do secretário, a Divisão de Imprensa está mal”, observou Quique, afirmando que é preciso tomar cuidado com a vaidade de querer mostrar serviço. “As pessoas estão cansadas do político querer aparecer”, completou.

 

RITA VALLE FALA SOBRE NECESSIDADE DE REGULAÇÃO DA LEI DO SILÊNCIO

A vereadora Rita Valle também não falou dos problemas que a área da Saúde apresenta atualmente. Em vez disso, Rita contou que se reuniu com o secretário de Agronegócios, Marcelo Perrone, que lhe contou que neste ano haverá um Conselho de Fiscalização sobre a Festa do Peão. De acordo com a vereadora, é um modelo um pouco diferenciado da Comissão Organizadora que existia até o ano passado. Rita também destacou as ações que essa pasta vem desenvolvendo, como o Espaço Rural, Patrulha Agrícola Mecanizada, viveiro de mudas e crédito rural.

Rita Valle também mencionou o problema do barulho, existente não apenas na região do Lago do Taboão, mas em toda a cidade. Ela defendeu que seja feita uma regulação da Lei do Silêncio para que novas regras para os ensaios de escolas de samba já comecem a ser discutidas de maneira a serem implantadas até o ano que vem, bem como que sejam fiscalizadas igrejas. A vereadora citou, inclusive, que o serviço de coleta de lixo feito em alguns pontos da cidade de madrugada atrapalha o sono dos munícipes.

O vereador Jorge Luís Martin, em aparte, disse que é necessário fazer operações de fiscalização com mais frequência, mas que, para isso, é essencial que a Prefeitura implante a Atividade Delegada na cidade, programa por meio do qual os policiais militares podem atuar para o município em seus dias de folga e serem remunerados por isso.

Rita disse que há estabelecimentos que funcionam sem licença e praticam atividades ilícitas, como prostituição e comércio de drogas, os quais deveriam ser fiscalizados para que a prática fosse coibida.

A vereadora ainda contou que fez uma visita ao secretário municipal de Trânsito e Segurança, Arnaldo Carvalho Pinto, para levar a ele pedidos de melhorias feitos por comerciantes e motoristas que passam pela Avenida Salvador Marcowicz. Ela recebeu informações de que o local sofrerá intervenções em breve.

 

BUGALU DIZ QUE PREFEITO PODE TROCAR A OS

O vereador Antônio Bugalu também relatou problemas da área da Saúde, contando que os vereadores foram desrespeitados por um representante da OS ABBC em reunião ocorrida na Prefeitura recentemente. Segundo ele, a secretária de Saúde, Estela Gianesella, disse que quem poderia explicar melhor a questão dos remédios seria a OS, por isso, Bugalu sugeriu convocar um representante da ABBC para ir até a Câmara prestar esclarecimentos.

O vereador também relatou que pelas informações recebidas na data de 18 de março estavam faltando 13 medicamentos nos postos de saúde. Bugalu ainda contou que o prefeito Fernão Dias afirmou que do mesmo jeito que implantou a OS, ele pode tirá-la, caso verifique que as coisas realmente não estão funcionando.

A limpeza da escola do Bacci, anunciada pela Prefeitura, foi motivo de comemoração por parte de Bugalu, que afirmou que o local poderá abrigar cursos para a comunidade.

Além disso, ele cobrou união dos vereadores para que tentem solucionar a questão da ligação de energia elétrica a moradores da zona rural. Segundo Bugalu, são cerca de 300 famílias espalhadas por diversos bairros que ainda não contam com o serviço.

 

“SERÁ QUE ESTAMOS MENTINDO OU A ADMINISTRAÇÃO ESTÁ CEGA DIANTE DOS PROBLEMAS?”, QUESTIONA MÁRIO B. SILVA

Bastante contundente também foi o pronunciamento do vereador Mário B. Silva, que convidou os colegas a se lembrarem de que os representantes da ABBC, OS que atualmente faz a gestão da Saúde no município, tentaram falar na Câmara sem inscrição, querendo quebrar o Regimento Interno, na ocasião em que a servidora Tânia Maria Guelpa Clemente denunciou que a entidade estava envolvida em irregularidades em outros municípios, no ano passado.

Mário acrescentou que não concorda que a reunião entre os vereadores e a secretária de Saúde tenha ocorrido na Prefeitura, defendendo que ela deveria ter sido realizada na Câmara.

José Gabriel Cintra Gonçalves, então, explicou que a secretária tinha solicitado reunião na Comissão de Saúde, mas que não pôde comparecer. Para que um encontro, ainda naquela semana, fosse marcado entre ela e os vereadores, a saída foi aceitar que ele ocorresse na Prefeitura. Apesar disso, Gabriel disse que quer ver a secretária na Câmara em breve.

Mário retomou a palavra dizendo que os vereadores estão cobrando melhorias para os remédios e exames e que o prefeito tem de tomar providências. Ele também apontou que a UPA (Unidade de Pronto-atendimento) construída na Vila Davi será inaugurada no próximo sábado, 22, e teme que “com todo esse desmando” ela também não funcione a contento. “Será que estamos mentindo ou a administração está cega diante dos problemas?”, questionou.

 

FABIANA EXIBE RECLAMAÇÕES DE MORADORES DO JARDIM PATURI SOBRE OBRA NA RODOVIA JOÃO HERMENEGILDO DE OLIVEIRA

Fabiana Alessandri contou que no dia 22 de março se comemora o Dia Mundial da Água. Apesar de não haver muito o que se comemorar, segundo ela, já que os municípios que mantém recursos hídricos não recebem compensação financeira nem medidas de incentivo para isso, a vereadora acha importante usar a data para conscientizar a população sobre a necessidade de redução do consumo de água, diante da escassez de chuva.

Ainda sobre esse tema, Fabiana recordou que a Comissão de Assuntos Socioeconômicos desenvolveu, no ano passado, uma discussão em torno do tema água com vários municípios da região. Uma carta com reivindicações dessas cidades foi elaborada e será apresentada à imprensa na manhã desta quinta-feira, 20, na Câmara. Após, o documento será enviado ao governador do estado.

A vereadora também falou sobre as obras que estão sendo realizadas na Rodovia João Hermenegildo de Oliveira, a Variante do Guaripocaba. Fabiana apresentou um vídeo com depoimento de moradores do Jardim Paturi, que reclamam de que o retorno para entrada no bairro foi colocado muito distante. Apesar de a obra já estar em sua fase final, a vereadora defendeu a construção de uma passarela para passagem de pedestres na altura desse bairro, a fim de zelar pela segurança daqueles que precisam atravessar a pista para pegar ônibus, por exemplo.

Fabiana ainda pediu que o DER (Departamento de Estradas e Rodagem), antes de iniciar obras como essa, realize audiências públicas com os moradores da região para apresentar o projeto e ouvir dos munícipes as reclamações e sugestões, em tempo de realizar mudanças na proposta original.

 

GISLENE AFIRMA QUE VEREADORES QUEREM AJUDAR A RESOLVER A QUESTÃO DA SAÚDE

O assunto Saúde, que dominou a maior parte dos discursos da última sessão, voltou à pauta quando a vereadora Gislene Cristiane Bueno subiu à Tribuna. Ela admitiu que a Câmara pode estar sendo repetitiva ao cobrar as melhorias para o setor, mas destacou que isso se deve ao fato de os problemas não terem sido resolvidos.

Miguel Lopes aparteou a colega defendendo que é preciso bater na mesma tecla até que o piano afine.

Gislene relatou que lhe chamou a atenção, naquela sessão, que até o vereador Marcus Valle esteja cobrando melhorias para a área, pois ele não atua tanto com as questões da Saúde. “É alarmante que até ele esteja reclamando”, opinou a vereadora, acrescentando que as reclamações não têm a ver com situação ou oposição ao prefeito, pois a intenção é ajudá-lo a resolver os problemas da área.

A vereadora voltou a dizer, como havia feito na semana anterior, que respeita a posição do prefeito em delegar a OS a gestão da Saúde no município, mas que está faltando entrosamento entre a secretária e a ABBC e, por isso, a população está sendo prejudicada, o que não pode acontecer.

Mário B. Silva também aparteou Gislene contando que está ficando insustentável ir para a rua e defender algum projeto bom do prefeito, em razão das reclamações crescentes sobre a Saúde.

Gislene enfatizou que os vereadores cobram uma solução para os problemas apontados, que não querem ver papéis, mas sim, os remédios nos postos de saúde.

Ela também criticou que as obras que estão sendo feitas pela Sabesp próximo à rotatória da Praça Nove de Julho estejam acontecendo durante o dia e pediu que elas sejam feitas à noite.

Gislene ainda registrou seu contentamento com relação à retirada do projeto de lei complementar 30/2013, de autoria do Executivo, que trata da regulamentação dos cargos em comissão da Prefeitura. De acordo com ela, a proposta apresenta aspectos de inconstitucionalidade, por isso, a retirada foi solicitada. “Felizmente, prevaleceu o bom senso. Estamos aqui para colaborar com tudo o que for possível”, declarou.

Já ao final da sessão, Gislene informou, extraoficialmente, que o Hospital Universitário São Francisco (Husf) receberá verba de R$ 1.403.000,00 por mês, durante 12 meses, por intermédio do deputado estadual Edmir Chedid, para atender cirurgias de alta complexidade e cirurgias encaminhadas pelo AME (Ambulatório Médico de Especialidades).

 

JORGE DEFENDE QUE AÇÕES DE PREVENÇÃO NA SÁUDE TAMBÉM SEJAM ADOTADAS

O vereador Jorge Luís Martin defendeu que é importante os vereadores realmente tomarem uma atitude com relação à falta de remédios que já perdura por muito tempo.

Além disso, ele opinou que a prevenção deve ser tratada com mais atenção, pois pode evitar muitos problemas, assim como a união das secretarias municipais. Ele exemplificou que a falta de sinalização, que compete à Secretaria Municipal de Trânsito e Segurança, ocasiona diversos acidentes, cujas vítimas acabam sobrecarregando os hospitais e, consequentemente, a área de Saúde.

Jorge também mostrou um vídeo sobre o Passeio Ciclístico, realizado no último domingo, 16, e sugeriu que seja elaborado um calendário com todos os eventos do ano para que haja melhor organização e divulgação, com o objetivo de atrair mais turistas, e assim, movimentar a rede hoteleira.

O vereador falou ainda sobre o Bosque Cyro Berlink, localizado entre a Avenida Antônio Pires Pimentel e a Rua São Pedro, que está abandonado e servindo de esconderijo para produtos de furto e local para o uso de drogas. Jorge pediu providências da Prefeitura quanto à limpeza e utilização do bosque.

 

JOSÉ GABRIEL DIZ QUE INTENÇÃO DE SECRETÁRIA É FECHAR FARMÁCIAS NOS POSTOS DE SAÚDE

O vereador José Gabriel Cintra Gonçalves apontou que no convite feito pela Prefeitura sobre a inauguração da nova UPA construída na Vila Davi não consta o nome do Dr. Valdir Camargo, que foi homenageado pela Câmara na gestão passada.

Sobre a falta de remédios, Gabriel brincou dizendo que acha que todos vão ter de recorrer a benzedeiras e remédios caseiros. Ele acredita que denunciar os problemas ao Ministério Público, como já havia sido defendido por outros vereadores durante a sessão, também pode ser útil.

O vereador relatou que passou à secretária de Saúde alguns problemas há cerca de 20 dias e que até aquele momento não havia recebido retorno sobre a solução deles.

Então, Gabriel falou de algumas questões que não têm a ver com a OS e que não estão caminhando bem também na área de Saúde. “Saúde mental não tem nada a ver com a OS e também faltam medicamentos”, apontou, contando que é chamado de vereador assistencialista, mas que prefere morrer dessa forma, pois trabalha com o coração e não com o fígado.

Outra crítica feita pelo vereador foi sobre os exames de colonoscopia, que também não têm relação com a atuação da OS ABBC. Quando o prefeito esteve na Câmara, no início de fevereiro, afirmou que depois de alguns problemas, esses exames começariam a ser feitos. Porém, o vereador disse que ainda não começaram. Em dezembro do ano passado, haviam 482 pacientes esperando por esse exame.

Além disso, Gabriel também falou sobre a suspensão do serviço de fisioterapia. De acordo com ele, quando o prédio em que o Centro de Fisioterapia funcionava teve problemas com sua estrutura, a USF (Universidade São Francisco) ofereceu um espaço temporário para que a população não fosse prejudicada. O serviço poderia ficar nesse local até dezembro do ano passado. Porém, conforme contou Gabriel, a Secretaria de Saúde não tomou providências para encontrar um novo lugar e a USF precisou do espaço. Assim, desde o dia 28 de fevereiro, o Centro de Fisioterapia da Prefeitura parou de funcionar. “Centro de Fisioterapia não tem nada a ver com OS. Por que não providenciaram um novo prédio?”, questionou o vereador, destacando que os problemas na Saúde não estão relacionados apenas à implantação da gestão compartilhada com a organização social.

De acordo com Gabriel, há alguns medicamentos que estão sendo entregues nos postos de saúde. Porém, a demanda é muito grande e a quantidade que está sendo entregue não é suficiente.

Informação importante e grave revelada pelo vereador, também nessa área, foi que a secretária Estela Gianesella pretende fechar as farmácias dos postos de saúde e abrir quatro polos para que a população vá até eles a fim de retirar medicamentos. Gabriel se posicionou contra a medida, assim como outros vereadores, e disse que entende que essa é uma forma de omitir o remédio da população, pois, em muitos casos, o que a pessoa vai gastar com condução para buscar o remédio não compensa.

O aparecimento de capivaras no ribeirão da região da Vila Malva também foi alertado pelo vereador, que pediu providências ao secretário municipal de Meio Ambiente.

 

JUZEMILDO PEDE QUE POPULAÇÃO ENVIE RECLAMAÇÕES DE TELEFONIA À CÂMARA

O vereador Juzemildo Albino da Silva disse que concorda com as reclamações dos colegas sobre o setor de Saúde e que fortalece o grito por melhorias.

Em seguida, ele contou que os medicamentos de alto custo estão em ordem e que estão em falta 13 remédios fornecidos pela atenção básica e mais três fornecidos pela saúde mental.

De acordo com o vereador, também é preciso que a Prefeitura tome providências quanto à empresa Citéluz, pois há muitos locais com deficiência de iluminação pública na cidade.

Juzemildo falou também sobre a ETE (Estação de Tratamento de Esgoto), que teve sua inauguração marcada diversas vezes e cancelada, e registrou descontentamento quanto às obras intermináveis que acontecem na cidade constantemente.

O vereador apontou, então, que um volume grande de esgoto está descendo do Loteamento Vem Viver em direção à Estrada Aurélio Frias Fernandes, com risco de atingir o Rio Jaguari. Ainda nessa região, Juzemildo pediu atenção da Prefeitura e do Ministério Público sobre um aterro que está sendo feito.

Os problemas de telefonia em Bragança Paulista serão relatados à Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) no dia 26 de março. Juzemildo orientou que a população envie à Câmara suas reclamações para que elas sejam encaminhadas nessa reunião.

O vereador também cobrou a aplicação da lei 679/2010, que dispõe sobre a proibição das atividades de compra, venda, troca, manutenção ou abandono de veículos e/ou carcaças nas vias públicas e demais logradouros do município e fez um requerimento ao secretário estadual de Segurança Pública, Fernando Grella, questionando-o sobre o envio de mais efetivo policial à cidade.

 

LEONEL TAMBÉM COBRA SOLUÇÃO PARA A FALTA DE REMÉDIOS

O vereador Leonel Pereira Arantes, que raramente sobe à Tribuna da Câmara, também registrou cobranças à administração para que seja resolvido o problema da falta de medicamentos.

Ele disse que pessoas batem à porta de sua casa pedindo remédios, que muitas não têm condições de comprar e que por estar do lado do povo não poderia se ausentar dessa discussão.

 

QUIQUE CONTA QUE PELA PRIMEIRA VEZ PRESIDENTE DE HONRA DA FESTA DO PEÃO SERÁ DO MEIO

A presidência de honra da Festa do Peão é um cargo que não tem responsabilidades efetivas na organização do evento, serve mais para prestar uma homenagem. Até o ano passado, esse título era concedido a políticos. Mas, em 2014, pela primeira vez, o presidente de honra será alguém envolvido com as coisas do campo. De acordo com o vereador Quique Brown, a administração decidiu homenagear o muladeiro Gigio, que reside em Bragança Paulista e é conhecido por ser um dos melhores do país nesse ramo.

Quique contou, então, que recebeu resposta sobre pedido de informações feito para saber que atividades são desenvolvidas no Centro Cultural Geraldo Pereira. Praticamente três ações acontecem no local, dentre elas, as aulas da Orquestra Sinfônica Jovem. Quique disse que a acústica do espaço é péssima e não concorda que os alunos da orquestra continuem tendo aula lá. “O secretário se orgulha de estar economizando o aluguel que pagava à Sociedade Sinfônica, mas acho que não é o tipo de coisa que ele pode se orgulhar”, criticou.

Outra atividade que deve passar a ser realizada no Centro Cultural Geraldo Pereira, conforme a resposta recebida por Quique, é a Máquina Cultural, projeto que a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo deve implantar em breve. O vereador opinou que o Geraldo Pereira não é espaço adequado para isso e sugeriu que a administração olhe com bons olhos o prédio da Comunidade Sorriso, que está sem uso e dispõe de várias salas.

O vereador também criticou o fato de a Secretaria de Cultura não dispor de técnico de som para fiscalizar a empresa que presta serviço ao município.

 

NATANAEL DIZ QUE PREFEITO PERCORRERIA POSTOS DE SAÚDE

O vereador Natanael Ananias afirmou que assina em baixo todas as reclamações e cobranças feitas pelos colegas sobre a área de Saúde.

Ele contou que teria uma audiência com o prefeito na tarde dessa quarta-feira, 19, mas que o encontro foi cancelado. A justificativa dada foi que o prefeito percorreria os postos de saúde da cidade.

 

LÍDER AFIRMA QUE PREFEITO NÃO ESTÁ TRANQUILO COM A SITUAÇÃO DA SAÚDE

O vereador Valdo Rodrigues, líder do prefeito Fernão Dias, disse que a população deve estar atenta para a suspensão dos serviços de pronto-atendimento na UPA Bom Jesus, a partir da próxima sexta-feira, 21. Nos dias 21 e 22, caso precise de atendimento, a população deve se dirigir à Santa Casa.

Sobre a paralisação das obras de alguns postos de saúde na cidade, Valdo explicou que isso se deve ao repasse dos recursos do governo federal, que são feitos em duas etapas, sendo 20% e 80%. Após o repasse inicial, as empresas suspenderam as obras até que o segundo repasse fosse transferido. Segundo ele, isso já ocorreu e muitas obras estão sendo retomadas.

Valdo parabenizou os secretários Moufid Doher, pela realização de mutirões aos sábados, e Arnaldo Carvalho Pinto, pela sinalização de trânsito que vem sendo feita, bem como a primeira-dama Rosângela Leme, pela oferta de cursos de capacitação no Fundo Social de Solidariedade.

De acordo com o vereador, a mudança de local do PAT (Posto de Atendimento ao Trabalhador), que agora está instalado no piso superior do Mercado Municipal Waldemar de Toledo Funck, vai representar economia de R$ 45 mil e, apenas nos três primeiros dias atendeu mais de 700 pessoas.

A respeito das reclamações dos colegas sobre a falta de remédios, Valdo disse que entende a posição, concorda que as coisas precisam melhorar e garantiu aos vereadores que o prefeito não está tranquilo com a situação e todos os dias cobra providências.

 

MIGUEL E MÁRIO VOLTAM À TRIBUNA

Apesar de já terem usado a Tribuna, os vereadores Miguel Lopes e Mário B. Silva voltaram a discursar.

Miguel disse que ficou descontente com o esquecimento, incompetência, descuido ou falta de respeito da administração com o médico Valdir Camargo, por não colocar seu nome no convite de inauguração da UPA. Ele também agradeceu ao ex-prefeito João Afonso Sólis (Jango) e a ex-secretária de Saúde, Maria Amália Gouvea, pela escolha da Vila Davi para instalação da unidade, uma vez que havia outros locais. Miguel apenas lamentou que a UPA Bom Jesus seja fechada.

Mário rebateu a informação do vereador Juzemildo, que havia dito que os medicamentos de alto custo estavam em ordem. De acordo com ele, uma pessoa que estava acompanhando a sessão via internet postou nas redes sociais que há remédios dessa área faltando também.

 

TIÃO DO FÓRUM ANUNCIA QUE CÂMARA BRAGANTINA VAI ABRIR MÃO DA TV CÂMARA

O presidente da Câmara, vereador Tião do Fórum, anunciou aos colegas que decidiu abrir mão da instalação da TV Câmara. Ele justificou que os altos custos afetariam a receita do Legislativo e, por isso, será feito um distrato amigável com a empresa que foi contratada para implantar a estrutura da emissora.

Segundo Tião, teriam de ser investidos R$ 4 milhões neste primeiro momento e mais cerca de R$ 1,5 milhão por ano com custos de manutenção.

Tião disse ainda que a intenção é melhorar o serviço de transmissão das sessões pela internet e firmar contrato com a empresa Net, para exibição de programa na TV paga.

Miguel Lopes disse que ficou muito triste com a notícia, discordou que todo o montante precisasse ser investido de uma vez e sugeriu que a Câmara poderia procurar parceiros para investir, afirmando que ele próprio sairia atrás de investidores.

Tião disse que se Miguel fosse atrás dos recursos, repensaria o assunto, mas Miguel respondeu que gostaria de ver o prazo que o presidente teve para tomar a atitude e comunicar os vereadores.

Miguel disse ainda que Tião está jogando fora uma oportunidade de mostrar à população o que realmente ocorre na sessão, pois, atualmente, eles são reféns da imprensa, que nem sempre relata o que realmente acontece.

A discussão durou alguns minutos.

Marcus Valle disse que votou contra o projeto da TV Câmara e é contra sua implantação devido aos altos custos e também à baixa audiência.

A sessão terminou por volta das 20h40.

 

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