Vergonha alheia

A Copa do Mundo da Fifa entra em sua reta final. Definidos os semifinalistas, resta agora torcer para que a seleção brasileira se recupere e tenha forças e garra suficientes para atuar sem o seu maior craque, Neymar Jr.

Mas, sem pretensão de tecer comentários sobre as partidas ou a participação dos atletas, chamamos a atenção para outro aspecto do evento, o sucesso.

Meses antes do início da Copa, éramos bombardeados com notícias sobre atrasos em obras por todos os lugares do Brasil. A grande mídia fez questão de alardear que a Copa do Mundo de 2014 estava fadada ao fracasso. E por quê? Simplesmente porque aconteceria no Brasil.

E todo esse circo armado por grande parte da imprensa brasileira tinha o objetivo de atingir a presidente Dilma Rousseff, como realmente atingiu. Caíram as intenções de voto na presidente, que é candidata à reeleição, sua popularidade e também o nível de aprovação de seu governo, afinal, coube ao governo federal organizar e dar infraestrutura à competição e, se algo deu errado, a culpa era de Dilma.

Mas, e agora, que a Copa do Mundo no Brasil está sendo um sucesso? Será que a presidente merece vaias ainda?

Os noticiários mudaram, se renderam aos elogios que estrangeiros fazem ao país pessoalmente ou nas redes sociais. Milhares deles invadiram o Brasil e conheceram de perto o que a grande mídia poderia se ocupar em propagar: que o Brasil é um país que tem dificuldades como todos, desafios, obstáculos, mas sabe muito bem acolher visitantes e tem a superação como sua principal aliada.

Porque não é mesmo fácil dormir, de quatro em quatro anos, num belo dia de outubro, com políticos agindo como se fossem nossos amigos, nos abraçando e apertando nossas mãos, fazendo selfies, e acordar com eles já eleitos e completamente ausentes das nossas vidas, preocupados apenas em receber seus gordos salários e em favorecer empresários e outros facilitadores de suas campanhas.

Mas, nem por isso este é o pior lugar do mundo para se viver (como boa parte da imprensa brasileira quis fazer crer recentemente), pois, caros leitores, é importante ressaltar que os políticos, a quem muita gente generaliza e adjetiva como corruptos, entre outras palavras, não são extraterrestres que resolveram aterrissar no Brasil, são gente da nossa gente, haja vista que qualquer um de nós pode ser candidato a qualquer cargo.

Diante de todo esse quadro, da catástrofe que seria a Copa do Mundo no Brasil e da realidade que ela revelou, mostrando que temos competência, sim, para sediar grandes eventos e fazer isso com qualidade, reforçamos a importância de os órgãos de imprensa refletirem e pararem de atuar como adivinhadores, especialmente de fatos negativos, para evitarem a vergonha, pois é isso que muitos estão passando agora. Melhor é dar tempo ao tempo e deixar os fatos acontecerem para depois noticiá-los.

Uma boa semana a todos!

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