Há duas semanas, nos posicionamos favoráveis à implantação das organizações sociais (OS) na cidade para promover a gestão compartilhada da Saúde, pedindo tempo ao tempo para que todos pudessem avaliar as mudanças que serão realizadas.
Quando fizemos isso, não tínhamos conhecimento de que apenas uma entidade havia sido qualificada como OS e nem imaginávamos que apenas essa compareceria para entregar propostas, o que, impossível negar, incomoda. Em um processo que estão em jogo R$ 60 milhões por ano, é lamentável que apenas uma empresa se apresente.
Diante disso, vemos a necessidade de alertar a todos, população, autoridades, colegas de imprensa, para que não deixem de fiscalizar e reclamar em caso de problemas.
Avaliando as duas participações sobre o assunto, na Câmara Municipal, vemos o desespero de uma funcionária pública diante da mudança prestes a ser implantada. Desespero pelo fato de serviços que hoje funcionam poderem ter queda de qualidade e também pela demissão de cerca de 300 funcionários.
A respeito dos atendimentos, ainda que alguns funcionem a contento, muitos outros geram reclamações, especialmente quanto à demora na marcação de consultas, de exames, mau atendimento de servidores dessa área e falta de infraestrutura nos locais disponibilizados para a realização dos serviços.
Sobre as demissões, cabe recordar que, há mais ou menos cinco anos, o setor de Saúde da cidade também se rebelou porque o então prefeito Jango teve de realizar concurso público para as agentes de saúde. De qualquer forma, o atual governo também teria de tomar providências quanto à situação dos funcionários não concursados, ainda que seja uma notícia muito ruim a essas 300 famílias neste fim de ano.
Sentimos também, nos discursos dos representantes das entidades ABBC e Osspub, ameaças por meio do anúncio de processos e mais processos. Esse tipo de intimidação não deve calar nem a população ― que, provavelmente, se o contrato vir a ser assinado, estará diretamente em contato com os serviços prestados pela entidade ― nem a imprensa.
É preciso estar alerta e não deixar de reclamar.
Os profissionais que vão atuar a partir da contratação da ABBC ― repetindo, se a assinatura do contrato se concretizar ― também podem ajudar a fiscalizar, afinal, estarão mediando todo o processo, em contato diário com os representantes da OS e a população.
E, caso aconteçam avanços, como esperamos e torcemos, verdadeiramente, que aconteçam, também estaremos prontos a propagar os bons frutos dessa medida, que, infelizmente, por ora, chega com ares de insegurança e autoritarismo.
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