news-details
SUB-VERSÃO

Bacurau é aqui, Bacurau não é aqui

Aqui nessa terra de ninguém,

O povo também é esquecido,

O pobre é tratado com desdém,

Enquanto o governante corrupto é protegido.

 

Tiraram-nos do mapa? Absurdo! Maldição!

Não se apoquente, não, que vamos desenhá-lo de novo,

Nem que seja na ponta do facão.

 

Aqui ajuda também não chega,

Não chega água, nem saúde,

Nem tampouco educação,

Mas há um povo forte que sonha

Que um dia tudo mude,

Seja por bem ou pela força do facão.

 

Essa gente suporta demais

O insuportável,

E já é chegado o tempo de acontecer, então,

O inevitável.

 

É tempo de Bacurau,

De destronar nossos algozes,

Aniquilando todo o mal,

Com que sempre nos feriram bestas ferozes.

 

E com que desfaçatez entregam nossa terra,

Aos imperialistas a quem o sentido da vida,

A guerra encerra.

 

Eles vão nos matar a todos,

Na calada da noite,

E não me venha com engodos,

Foi você quem lhes ofereceu o açoite.

 

Mas já é chegada a hora de nossa vingança,

Um povo honrado não pode ter a morte como herança.

 

Você vai ver suas cabeças penduradas na porta da igreja,

Você vai ver que às vezes a violência é benfazeja.

 

O sangue de nossa gente vai invadir seu quintal,

Avisando-lhe forte e quente, que isso aqui,

Isso aqui é Bacurau!

 

Você ainda vai ver se erguer nesse país um grito tal,

Que consiga mesmo abafar o grito do pequeno bacurau.

 

Já é chegada a noite,

Bacurau vai sair da toca,

Já basta do açoite,

Da censura que minha gente sufoca.

 

Bacurau gritou: Bacurau! Ninguém ouviu.

Bacurau gritou: Bacurau! Só se ouve: Brasil!

 

Bacurau é aqui,

Bacurau não é aqui.

 

Você pode compartilhar essa notícia!

0 Comentários

Deixe um comentário


CAPTCHA Image
Reload Image