A partir de 2014, Bragança Paulista terá uma das 189 escolas do estado de São Paulo que oferecem ensino em tempo integral à população. Para saber mais sobre o assunto, o Jornal Em Dia conversou, na tarde de quinta-feira, 10, com o dirigente regional de ensino, Salim Andraus Júnior.
A escola contemplada é a Maria José Moraes Salles, localizada no Matadouro. Conforme explicou Salim, o programa Ensino Integral foi criado em 2012 pelo governo do estado, por meio da Secretaria Estadual da Educação. No início, apenas 16 escolas das 91 diretorias regionais de ensino aderiram a ele, por questão de espaço. Essas unidades, de acordo com o dirigente regional de ensino de Bragança Paulista, possuíam espaços ociosos, o que Bragança e muitos outros municípios não tinham.
Em 2013, a adesão cresceu para 53 escolas nesse regime e, em 2014, serão 189 unidades escolares funcionando em período integral. “Nesse rol, conseguimos acrescentar a Diretoria de Bragança Paulista, com uma escola em Bragança e outra em Atibaia”, afirmou Salim.
O projeto começou atendendo alunos do Ensino Médio, mas, agora, já contempla os anos finais do Ensino Fundamental. Alunos que cursam o Fundamental ficam oito horas e 40 minutos na escola. Já os que cursam o Médio, ficam nove horas e meia.
A Escola Estadual Maria José Moraes Salles iniciará o novo regime atendendo apenas alunos do Ensino Médio. Conforme contou Salim, alunos e funcionários que já estudam ou trabalham na escola têm prioridade na adesão ao ensino integral. “Num primeiro momento, estamos trabalhando as matrículas, a demanda para 2014. Os primeiros alunos são os que já estudam na Moraes, se eles quiserem permanecer, poderão. As vagas remanescentes ofereceremos para as escolas próximas dessa escola que é sede, no caso, a Assis Gonçalves e a Alegretti. E assim vamos caminhando para as escolas mais próximas. Praticamente, as vagas estão fechadas. Tivemos grande adesão”, explicou o dirigente.
Salim também esclareceu que o novo regime não é implantado por meio de decreto, mas, sim, por adesão. “Atitude muito adequada do senhor secretário da Educação. Acho que a população também vê isso porque não são todos que querem estudar em tempo integral e não são todos que podem. Por isso, não posso ter todas as escolas em tempo integral, porque tem alunos que precisam trabalhar e outros que não querem (estudar nesse regime). Vejo isso com bons olhos. Não posso, numa democracia, querer que todos pensem de uma única maneira”, considerou.
A E. E. Moraes Salles atenderá, no período integral, 378 alunos distribuídos em nove salas. À noite, a unidade também terá nove salas que funcionarão no modelo atual de ensino.
Outra escola contemplada com o ensino integral e que pertence à Diretoria Regional de Ensino de Bragança Paulista é a Major Juvenal Alvim, em Atibaia. Essa unidade atenderá alunos do Ensino Fundamental e Médio, disponibilizando 15 salas.
Para oferecer essa nova modalidade de ensino, as escolas tiveram de passar por obras. Na E. E. Moraes Salles, de acordo com o dirigente Salim, estão sendo investidos R$ 631.809,68. A unidade não terá o espaço aumentado, mas terá adequações para abrigar laboratórios. “Temos intenção de começar o ano letivo com a escola preparada fisicamente e com recursos humanos para poder trabalhar”, disse Salim. A E. E. Major Juvenal Alvim receberá investimentos da ordem de R$ 705.382,91.
Os professores que vão trabalhar nas escolas de ensino integral estão sendo selecionados. “Estamos agora num processo de seleção dos professores. Têm prioridade para trabalhar nessas escolas quem já trabalhava. Foram abertas inscrições para credenciamento, inclusive desses professores que já atuavam nessas escolas. E agora estamos no processo de entrevista dos gestores, porque o professor também tem que ter um perfil adequado, ele é avaliado”, detalhou Salim, acrescentando que esses profissionais têm dedicação exclusiva para a escola, trabalhando 40 horas semanais, por isso, recebem 75% de gratificação.
Salim também explicou que os professores que trabalham no período noturno não estão no regime de dedicação exclusiva. “Os que tiveram seus cargos remanejados podem ficar à noite e se afastar para trabalhar durante o dia para preservar o cargo do professor naquela escola”, ressaltou.
De acordo com o dirigente regional de ensino de Bragança Paulista, os alunos permanecerão o dia todo na escola e receberão alimentação durante o período. “Na discussão com educadores, chega-se à conclusão que para melhorarmos a qualidade do ensino, precisamos que o aluno fique mais na escola, porque as famílias trabalham e o adolescente fica exposto a muitas coisas. E as experiências internacionais mostram que o ensino integral é um dos motivos que elevou a qualidade da educação em diversos países”, contou Salim, destacando que os alunos não terão apenas oficinas no contraturno, mas que as atividades das disciplinas estarão integradas.
Salim considera uma vitória poder trazer duas escolas para a Diretoria Regional de Ensino de Bragança Paulista com esse novo modelo. Segundo ele, que visitou outras unidades que já trabalham com esse novo regime, o resultado é muito satisfatório. “Aí está uma riqueza, porque uma das coisas muito bonitas que tive oportunidade de ver, que tenho muita esperança, é que esses alunos que estão em tempo integral elaboram, junto com seu tutor, um projeto de vida, nossos jovens estão precisando disso. O mundo hoje é um mundo descartável. Nós somos, muitas vezes, o número de CPF, do RG, somos números, por isso que esses meninos ficam direto no celular em sala de aula, na rua, se trancam na frente dos computadores e a gente está perdendo essa riqueza do olho no olho, da humanização, da solidariedade. É um grande desafio mundial, não só do Brasil”, declarou o dirigente regional de ensino, enfatizando que tem muitas esperanças com relação a esse projeto. “Tenho muitas esperanças. Lutei muito para isso. A nossa região não poderia perder essa oportunidade de ajudar esses jovens”, acrescentou.
Por fim, Salim contou que a região cresceu muito, por isso, tem lutado para trazer mais escolas. Uma delas já está em construção no Jardim Águas Claras e outra deve iniciar obras em breve no Jardim São Miguel. Mas, de acordo com ele, a luta pela vinda de mais unidades escolares continua. O dirigente ainda observou que o modelo de ensino integral deve trazer alguns problemas, pois envolve pessoas, mas ele avalia que a união de todos pode trazer ganhos para os alunos. “Há anos, nós, educadores, e a própria sociedade solicita que a gente tenha uma escola de qualidade. Para fazer uma escola de qualidade, a gente tem que ter a coragem de enfrentar novos modelos. Nós estamos passando por isso. Então, eu, que tenho muitos anos na Educação, vejo com bons olhos. Se pudermos ampliar o projeto no futuro, mais jovens terão essa oportunidade. Quero dizer que conto com o apoio da comunidade, precisamos da imprensa, dos órgãos de comunicação, dos professores, que são peças primordiais em qualquer mudança, diretores, coordenadores, pais, alunos. Sabemos que alguns desistirão, já temos essa experiência, mas sejam persistentes e não desanimem. Estudar exige renúncia, se eu não me dedico, a vida, hoje, esse mundo do conhecimento, me seleciona, parece que o mundo é democrático, mas ele é excessivamente seletivo, as oportunidades são muitas mas, se não agarrar, elas passam”, encerrou.
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