Educação na UTI

Na edição da última terça-feira, 1º, publicamos os resultados do Idesp (Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo) 2013 e eles não poderiam ser mais vergonhosos, escancarando que a educação do estado mais rico do país está na UTI (Unidade de Terapia Intensiva).

Há muito tempo que isso é falado por especialistas, por professores que detectam os problemas diariamente nas salas de aula, mas, talvez, o maior problema seja que aqueles que realmente podem mudar o quadro nada fazem.

Estamos falando dos governantes e, nesse caso, especificamente, o governador do estado de São Paulo. É preciso reconhecer quando algo não vai bem e promover mudanças. E a rede estadual de ensino do estado paulista não vai bem há muito tempo. Seja no quesito valorização dos professores ou na garantia de aplicação de aulas de qualidade, não há qualquer sinalização de que as coisas vão melhorar.

Ora, o governo associa o pagamento de bônus por merecimento aos profissionais da Educação ao resultado do Idesp. Porém, pelos resultados, pelo menos em Bragança Paulista, pouquíssimas escolas foram contempladas com o polêmico benefício, haja vista que a maioria não conseguiu atingir a meta estabelecida. Profissionais dessas unidades escolares, em muitos casos, ano após ano, não recebem o bônus, ficando cada vez mais desmotivados para prosseguir lutando para mudar uma realidade que não depende somente deles. A polêmica em torno do pagamento ocorre porque até que ponto há justiça em associar o mérito dos profissionais da educação a problemas que vão muito além da sala de aula, como evasão, por falta de estrutura familiar, e baixo desempenho dos alunos devido a envolvimento com drogas e baixa assiduidade, que repercute no fluxo de aprovação e repetência e obviamente no resultado da avaliação?

Mais revoltante ainda é saber que essas metas não são exorbitantes e que numa escala de 0 a 10 nossos alunos sequer tiram nota 2 no Ensino Médio, levando em consideração a média estadual. Imaginem como esses jovens vão chegar ao Ensino Superior.

Nessa semana, também vieram à tona dados do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), que mostraram que a Educação não está crítica somente em São Paulo, mas em todo o país.

Está mais do que na hora de se fazer um diagnóstico sério da realidade das escolas e implantar mudanças radicais. Radicais no sentido de mudar essa realidade negativa e fazer o estado mais próspero do país ter uma educação pública digna. É um assunto que os candidatos ao governo do estado devem estar preparados para enfrentar neste ano de eleições.

Os problemas na área não se resumem apenas à falta de valorização do professorado e aos péssimos resultados dos alunos em avaliações, sabemos. Mas o que defendemos é que o assunto seja colocado em discussão, que os governantes façam isso, que a população e os profissionais envolvidos possam opinar e que os alunos também deem sua contribuição num processo de reformulação da educação. Não é utopia, é algo possível, basta que os políticos tenham vontade e, se eles não tiverem, basta que nós, população, nos mobilizemos, saiamos às ruas se necessário for para motivá-los a ter essa vontade.

É preciso que um primeiro passo seja dado para que paremos de fingir que problemas como a falta de professores em salas de aula, ou a falta de professores capacitados, a falta de respeito de alunos para com os docentes, o excesso de estudantes nas salas de aula e a falta de estrutura na rede estadual não existem. Varrer a sujeira para debaixo do tapete só vai deixar nossos alunos ainda mais alérgicos, contaminados com o vírus da falta de educação, para o qual a cura total e sem sequelas é duvidosa.

Vale a pena refletir sobre isso, mas não deixemos que o assunto tome apenas espaço em nossas reflexões. Uma boa semana a todos!

 

Você pode compartilhar essa notícia!

0 Comentários

Deixe um comentário


CAPTCHA Image
Reload Image