Aprendi, com uma amiga muito querida, que viajar é um remédio. Sim, um remédio para o corpo e para a alma. Ando em abstinência atualmente, já que a pandemia ainda assola nosso país e temos assistido a números dos mais perversos diariamente. Não, não é possível, nem prudente, nem racional viajar agora, então, o que me resta é rememorar as viagens que fizemos.
Guardo em fotos impressas alguns desses momentos, e vez por outra, recorro aos meus álbuns, a fim de amenizar a saudade.
É sabido de quem me conhece que amo Minas Gerais, suas belezas naturais, seu povo, sua comida, seu sotaque musical, sua hospitalidade bendita, seu jeito sábio de viver a vida, como se houvesse ainda muito tempo, tempo sempre suficiente para uma boa prosa, um cafézin e um pedaço generoso de queijo, ao pé do fogão a lenha. Minas é um encanto só, e tenho tido o privilégio de conhecer alguns de seus lugares.
Hoje, o que me vem à mente, e é a razão desse texto, é São Lourenço. A linda São Lourenço, das muitas águas que curam o corpo e fortalecem a alma. Fiz questão de provar cada uma delas quando de minha visita ao Parque das Águas. Cada uma com suas propriedades curativas, todas benditas.
Foi lá que Ele nos apresentou essa moça. Estávamos caminhando pelo parque, e acreditem, é um ótimo exercício, dada a extensão do lugar, quando uma moça chamou nossa atenção. Ela, nitidamente preocupada, perguntou-nos se sabíamos se aquele senhor estava acompanhado.
Era um senhor já bem idoso, numa cadeira de rodas, ao sol. O sol já estava bem forte àquele horário e justificava a preocupação dela, que imediatamente se propôs a procurar um dos seguranças do parque, a fim de descobrir se o tal senhor houvera sido deixado ali sozinho.
Descobriu então, que sim, havia quem o acompanhasse e que ele gostava de ficar assim, ao sol, numa manhã belíssima naquele parque curativo. É, acho mesmo que essa expressão define bem aquele lugar, onde a natureza encontra a paz e nos envolve num abraço tipicamente mineiro.
Aliviada, depois de informar-se sobre o bem-estar daquele senhor, começamos a conversar, era natural que fosse assim. Apresentamo-nos e ela me ajudou a encontrar um ponto específico do parque que eu estava procurando. Um encanto de pessoa! Dessas que Ele nos apresenta de vez em quando para nos relembrar de nossa própria humanidade, sabem?
Carina, seu nome. Hoje, somos amigas nas redes sociais, estamos sempre em contato, mesmo e apesar da distância. Mulher forte, inteligente, determinada. Talvez ela não saiba, mas tenho por ela uma admiração e um respeito imensos. Sua atitude ao se deparar com aquele senhor ao sol foi o suficiente para eu conhecer sua essência.
Era uma filha diligente preocupada com seu pai, era um ser humano daqueles dignos de assim serem chamados, e que sorte a nossa tê-la encontrado. Sorte, nada... O Altíssimo adora nos pregar essas peças, é afeito a surpresas e foi assim que nos surpreendeu aquela manhã em São Lourenço.
Sou grata a Ele por todos os caminhos que prepara, por todas as pessoas que coloca nesses caminhos. Acho mesmo que, naquela linda manhã de sol mineira, era Ele o senhor à cadeira de rodas. Sim, Deus estava em seu exercício diário de beleza, contemplando a natureza daquele lugar, e sobretudo, a natureza das pessoas. E quando Carina se aproximou dele, repito, era uma filha diligente preocupada com o bem-estar de seu pai. Era essa pessoa incrivelmente humana, a quem tivemos, eu e Ana Lúcia, o privilégio de conhecer.
Obrigada por tanto, Carina. Ainda retornaremos a São Lourenço. Quero fazer um passeio de balão.
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