Texto em homenagem à mamãe Heloísa Helena Fernandes Occhietti
Ela era a menina que sempre conheci, doce por natureza, nunca propensa a discussões, solícita sempre, gentil e linda.
Era a confidente das noites insones, com quem compartilhava segredos adolescentes. Era a moça responsável, dedicada ao trabalho como ninguém, filha exemplar e mais velha.
E aos poucos, como que numa metamorfose lenta e incrivelmente bela, eu a vi transformar-se na mulher que um dia vi minha mãe ser e que quero também me tornar.
Recebi com certa inquietação a notícia de que em seu ventre a vida ganharia vida e eu, um sobrinho. E como foi poético vê-la assumindo ares de mãe, o corpo e a mente transformando-se à medida que o milagre da vida a preenchia enquanto mulher...
E eu, apaixonada que sou pela poesia, a via materializando-se no corpo e no coração daquela menina com quem eu dividira toda uma vida.
Hoje, quando a vejo aninhando o amor em seus braços, é poesia que enxergo. É o Criador, mais uma vez, manifestando sua Graça, em bracinhos que se oferecem ao colo e risos e gritinhos que lembram o som da felicidade. É o amor! E com que amor e dedicação é que essa menina-mulher cuida de seu rebento. Tenho pra mim que é amor que suplanta a própria vida, e não tenho dúvidas de que ela abriria mão de sua própria vida por ele. Porque amor é entrega, e amor de mãe é santa insanidade.
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