Ah, esses seres indesejáveis que aparecem em determinadas épocas do ano, principalmente durante as ondas de calor, quando deixam suas casas com o claro objetivo de azucrinar a paciência alheia.
Como são chatos, impertinentes, desnecessários tais seres.
Devo a eles muitas noites de sono mal dormidas e alguma irritabilidade pela manhã.
Toda a noite, insistem em perturbar-me. Haja inseticida, repelente, tapas e buscas ensandecidas pelo quarto. Num minuto, estão ao alcance de nossas mãos, no segundo seguinte, já não se pode achá-los.
E quão grande é a semelhança entre esses pequenos seres e os outros, que também surgem de seus esconderijos apenas em determinadas épocas do ano, mais precisamente, de quatro em quatro anos, e passam a nos azucrinar com sua ladainha estridente, mentirosa e cansativa.
Assim como os pernilongos, ferem nossos ouvidos, invadem nosso reduto sagrado, nossas redes sociais, ousam até mesmo chamar-nos de seus amigos, e tudo isso para quê? Para, assim como os colegas pernilongos, literalmente sugarem o sangue do povo durante os quatro anos seguintes.
Seres detestáveis esses! Pior ainda são os que se aliam a outros ainda mais violentos. Chego a pensar que, ao contrário dos insetos, a quem o instinto direciona, é o ódio que lhes move.
Lastimável ver que a cada nova eleição essa praga só aumenta, e poucos, muito poucos são os que ainda mantêm-se fiéis aos seus ideais e afastados de sua imundície.
Políticos e pernilongos, essas pragas igualmente perigosas, inoportunas e oportunistas.
Acho que já é tempo de registrar minhas desculpas aos pobres insetinhos, talvez tenha sido muito ofensivo compará-los aos nossos políticos.
E mais... O incômodo que esses chatinhos animaizinhos nos causam costuma durar apenas algumas noites, enquanto que os outros são capazes de tirar-nos o sono e a dignidade por longas noites, noites que duram quatro anos.
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