Na edição de quinta-feira, 3, o Jornal Em Dia publicou informação referente à interdição do Hospital Mantiqueira, antigo Unimed. Nesse sábado, 5, a reportagem esteve no local, que continua interditado, conversando com o médico José Jozefran Berto Freire, que informou sobre a autorização da Justiça para que os pacientes que estão internados permaneçam.
A decisão de interditar o hospital foi tomada pela secretária municipal de Saúde, Estela Gianesella, e pela Vigilância Sanitária, após vistoria feita no local, na terça-feira, 1º, quando foram constatadas diversas irregularidades de ordem estrutural e de funcionamento, conforme informado pela Divisão de Imprensa da Prefeitura.
Nesse sábado, Jozefran mostrou todo o hospital e rebateu as informações sobre irregularidades. Ele explicou que o Hospital Mantiqueira e o plano de saúde Unimed são empresas diferentes. O plano tem sua regulação específica e está instalado dentro do Sistema de Cooperativas Brasileiras Unimed. Ao todo, são 375 cooperativas médicas espalhadas pelo Brasil inteiro, por aproximadamente 4.500 municípios, sendo cada uma independente da outra. “O hospital presta serviço à cooperativa, à operadora do plano de saúde, é uma instituição isolada, mas todos os clientes da gente (Unimed) vêm pra cá (o hospital)”, disse o médico, acrescentando que todo hospital vive em processo de melhoria.
Sobre a interdição, Jozefran disse que o argumento usado pela secretária de Saúde e pela Vigilância Sanitária foi de que o hospital estava colocando em risco a vida da população, que não tinha medicamentos, insumos, que havia problemas de higiene. “Foi dito até que do ar condicionado saía urina, obviamente que a coisa não é real. Se perguntar assim: está fácil a vida do plano Unimed em Bragança Paulista? Não. Não está fácil não. Tudo quanto é coisa aumenta de preço e a gente tem tudo regulado. E se a gente aumentar muito, o doente não tem como pagar. Na nossa opinião, esse foi um tratamento totalmente injusto com o hospital porque você não pode aplicar uma pena de interditar um hospital. O que é melhor, um hospital fechado ou um hospital aberto? Um hospital com toda essa estrutura instalada, fechado, atende a quem?”, declarou, afirmando que, além da Unimed, o Mantiqueira atende a outras instituições.
Os usuários do plano de saúde Unimed agora estão sendo orientados a procurar o SUS (Sistema Único de Saúde). “Desculpei-me publicamente por um problema que eu não gerei. Coordeno um conselho de operadoras de saúde. Nós não geramos esse tipo de caos. Não somos autores dessa façanha. Num país que falta leito, num país que falta hospital, num país que falta médico, você fechar hospital? Vou dar um exemplo simples, você fez alguma coisa errada, aí você condena a pessoa à morte? Não, você dá direito à defesa, vai ouvir. O que foi feito aqui foi condenação máxima”, opinou Jozefran, contando que a Vigilância Sanitária faz visitas constantes ao Hospital Mantiqueira e que autuações já foram feitas, bem como as respectivas adequações, em outras ocasiões.
O Jornal Em Dia então perguntou se ele acha justo que os conveniados da Unimed paguem pelo plano de saúde e tenham de procurar o SUS nesta situação. “Não é justo, mas veja o problema. Não tem instituição de saúde aberta, à vontade no Brasil. Procure o melhor hospital do país, vai à porta do pronto-socorro e diz: eu quero pagar o atendimento. Veja se vai ser fácil. Não há essa possibilidade. Por isso que eu repito: quem ganha com o hospital fechado? Alguém ganha com isso?”, considerou.
O médico Jozefran também rebateu as informações de que até luvas para procedimentos estavam em falta no Hospital Mantiqueira, dizendo que ele mesmo trabalhou no dia da interdição, atendeu vários pacientes e que fez diversos procedimentos, todos eles com luvas.
A respeito da suposta falta de pediatras acompanhando os partos, Jozefran desconversou, disse que muitas pacientes escolhem os pediatras que querem para acompanhar o procedimento e que muitos nem são do corpo clínico da Unimed, mas que os pediatras que estão de plantão podem atender os partos, se forem chamados para isso.
O médico observou que a Secretaria de Saúde e a Vigilância Sanitária poderiam ter apontado os problemas e dado prazo para a adequação. “O que é melhor para a cidade, manter uma instituição dessa fechada ou manter uma instituição dessa aberta?”, questionou novamente.
Tentando reabrir o Hospital Mantiqueira, uma medida judicial foi movida. A decisão saiu na noite de sexta-feira, 4, quando, segundo Jozefran, a Justiça autorizou que os pacientes que estão internados no Hospital Mantiqueira permaneçam lá. De acordo com ele, havia cerca de 15 pacientes internados na unidade nesse sábado.
A reportagem indagou ao médico como fica a situação dos conveniados à Unimed? “Péssima”, respondeu ele, completando: “É uma situação horrorosa você chegar aqui, num lugar onde você senta bonitinho, logo depois você é atendido e ir para um lugar lotado e ficar esperando quatro, cinco, seis horas na fila para ser atendido, porque ele tem direito, todos nós temos direito. Para os nossos clientes, a situação é péssima, horrível, de desamparo, situação triste”.
Jozefran admitiu que o plano Unimed já vinha passando por dificuldades havia algum tempo. Sobre a saída de médicos do plano, ele disse que eles podem entrar e sair a qualquer tempo, pois a cooperativa trabalha com livre adesão. “O médico aqui é sócio, não é funcionário”, explicou, adiantando que está em andamento uma tentativa de reformulação do plano em Bragança, trazendo médicos, equipe e uma nova gestão para a operadora. “Estamos no fecho de uma grande mudança aqui”, lamentando a interdição do Hospital Mantiqueira.
De acordo com Jozefran, o plano Unimed Bragança tem hoje por volta de 24 mil usuários. Há dois anos, eram 34 mil. Para os funcionários, que somam quase 200, ele afirmou que nada mudou, que eles continuam trabalhando normalmente.
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