Líder coloca em dúvida atuação dos colegas e vereadores se desentendem

Na terça-feira, 22, a Câmara Municipal realizou mais uma sessão ordinária. Desta vez, todos os vereadores estavam presentes. A reunião foi atípica e registrou momentos de exaltação de alguns edis, bate-boca, cobranças ao Executivo e críticas entre eles.

Após a votação dos projetos, que aconteceu logo no início da sessão, tiveram início as manifestações dos vereadores. Além dos pedidos para a realização de serviços pela cidade e alguns agradecimentos por ações já executadas, novamente a tônica dos discursos foi a área de Saúde. Alguns vereadores ainda cobraram a ação do vereador Valdo Rodrigues como líder do prefeito.

O vereador Mário B. Silva disse que está circulando na cidade um abaixo-assinado para a reabertura da UPA (Unidade de Pronto-atendimento) Bom Jesus e afirmou que ele faz questão de assinar o documento. Mário cobrou do prefeito Fernão Dias da Silva Leme um olhar diferenciado para a zona norte, que colaborou consideravelmente para sua eleição em 2012. “Num discurso do prefeito, ele disse que ia cuidar muito bem da zona norte e olha o presente que ele deu: fechou o Bom Jesus”, disse o vereador, que aconselhou a população a dar uma resposta ao prefeito sobre o descaso na Saúde “na hora certa”.

Jorge Luís Martin observou que a Administração afirmava que a UPA da Vila Davi possibilitaria o recebimento de recursos do governo federal, o que ajudaria muito no custeio das despesas do setor. Porém, o vereador afirmou que a verba federal ainda não está sendo repassada.

Mário completou dizendo que nunca viu o prefeito Fernão Dias nas ruas, a não ser quando estava pedindo votos, e opinou que o prefeito tem de refletir sobre suas atitudes com a população e com a Câmara. “Nunca vi um prefeito não dar atenção para a população e para a Câmara, como este”, concluiu.

O vereador Miguel Lopes mencionou o nome de mais um paciente que está aguardando a marcação do exame de colonoscopia e comentou que agora não se vê mais nenhum vereador defendendo o prefeito, acrescentando que “é quase impossível de defender”. O vereador contou também que recebeu a informação de uma munícipe de que algumas pessoas que chegam ao posto de saúde do Lavapés estão sendo encaminhadas à Santa Casa, o que está sobrecarregando o atendimento. Ele quer saber o motivo da medida.

Então, Miguel se exaltou ao informar que no Plano de Governo apresentado pelo prefeito Fernão Dias, na campanha de 2012, estava a proposta de “Criar novas Unidades de Pronto Atendimento (UPA)” “e não de fechar o Bom Jesus”. Ele bateu várias vezes na Tribuna, demonstrando indignação quanto ao fato de os pacientes estarem esperando há um ano e meio para fazer exames.

Paulo Mário Arruda de Vasconcellos contou que recebeu de um casal a reclamação de que não havia médicos em dois postos de saúde da cidade e que, após reclamarem na Ouvidoria da Saúde, foram encaminhados a UPA da Vila Davi para atendimento. Ele também mostrou dados sobre exames pendentes de realização. Conforme declarou, há postos em que há mais de 500 pedidos pendentes apenas para um tipo de exame.

A planilha mostrada por Paulo continha a expressão “exames realizados”, o que foi observado pela vereadora Rita Valle. Mas Paulo disse que os dados se referiam a procedimentos que ainda não haviam sido feitos e registrou que os funcionários dos postos de saúde estão sendo ameaçados para que não contem sobre a verdadeira demanda de exames no município.

O vereador Jorge Luís Martin contou que a ideia de se fazer o abaixo-assinado pedindo a reabertura do Bom Jesus surgiu na Comissão de Saúde da Câmara. Ele pediu apoio dos colegas para que o documento reúna o máximo de assinaturas possível antes de ser entregue ao prefeito.

Inconformismo com a demora na marcação de exames também foi registrado pelo vereador José Gabriel Cintra Gonçalves, que afirmou que estava prestes a encaminhar informações sobre o assunto ao Ministério Público. Ele contou que a mesma demora está ocorrendo com relação ao fornecimento de órteses e próteses.

Já o vereador Juzemildo Albino da Silva disse que os exames vão demorar, mas vão sair. Sobre a reclamação do vereador Paulo Mário, sobre a falta de médicos em postos de saúde, ele disse que na unidade da Vila Mota a informação procede e que o problema será resolvido em 1º de agosto. Porém, no posto de saúde Pedro Megale, segundo Juzemildo, há três médicos atendendo a população. Ele sugeriu que os vereadores investiguem as informações primeiro antes de falar.

Além disso, Juzemildo contou que os pregões que estão em andamento para a contratação de exames têm a especificação de que a empresa vencedora terá de fazer os procedimentos na cidade.

 

EM VEZ DE PANOS QUENTES, GASOLINA...

 

Então, subiu à Tribuna o vereador Valdo Rodrigues, líder do prefeito. Ele opinou que as reclamações dos colegas são recorrentes, mas afirmou que sua posição também não mudou. Alegando que a atual Administração “pegou a cidade em situação de pós-guerra”, ele criticou o parlamento anterior, dizendo que talvez ele tenha se preocupado mais com o assistencialismo e, por isso, não se atentou em cobrar ações mais efetivas do prefeito da época.

Também exaltado, Valdo declarou que é fácil fazer discursos vazios, “discursos de politicagem para aparecer no jornal”. O vereador acrescentou que os jornais locais não têm o que publicar se não falarem da ação dos vereadores na Câmara, o que irritou os membros de imprensa que acompanhavam a sessão.

Sobre o fechamento do Bom Jesus, Valdo questionou os colegas sobre por que não se posicionaram contra a medida “lá atrás”, quando era possível evitá-la.

Valdo continuou seu inflamado discurso afirmando que há vereador de quatro, cinco mandatos que continua com o mesmo discurso. “Ah, vai estudar um pouquinho”, sugeriu.

O líder do prefeito também fez acusações veladas aos colegas. Segundo ele, em 2001, nasciam duas associações de bairros na cidade, as quais, no mesmo mês, firmaram convênio com a Prefeitura para a prestação de serviços nos postos de saúde do PSF (Programa Saúde da Família). Valdo apontou que pessoas ligadas a vereadores foram empregadas nessas associações, as quais sequer fizeram previsão para rescisão trabalhista. “Este governo teve de assumir R$ 6 milhões para pagamento de rescisão trabalhista porque as associações não assumiram”, disse Valdo, completando: “Este governo tem trabalhado para colocar esta cidade no eixo”.

Os demais vereadores estavam acompanhando o discurso e demonstravam sua indignação pelas expressões de seus rostos e inquietação.

Gislene Cristiane Bueno rebateu as palavras de Valdo afirmando que nada justifica a ineficácia do Executivo neste momento. “É muita irresponsabilidade ele prometer o que não pode ser feito”, opinou Gislene, referindo-se ao prefeito Fernão Dias.

Valdo disse que a própria Câmara, com 19 vereadores, também tinha pendências, como a questão dos gabinetes. “Sei que tem gente que torce contra, mas lá na frente vamos ver que valeu a pena. Estou muito tranquilo”, disse o líder pretendendo encerrar o assunto.

Porém, os apartes se seguiram. Mário B. Silva disse que gostaria de receber julgamento da população e não dos colegas, cobrou respeito e afirmou que não faz politicagem. “Quem vai me julgar é a população”, disse Mário.

“Que não tem conhecimento”, emendou Valdo.

“Então quem votou no senhor também não tem conhecimento”, devolveu Mário, afirmando que Valdo é bom de discurso, mas para quem não o conhece.

José Gabriel disse que se cobrar o Executivo sobre ações que a população precisa for politicagem ele continuará fazendo isso.

Paulo Mário também se posicionou. Ele disse que estranhou o fato de o líder ficar “quietinho” por três sessões e afirmou que as críticas feitas por Valdo não servem a ele. Paulo declarou que sobre indicações de empregos, Valdo deveria mesmo saber, afinal, ele indicou o secretário de Ação e Desenvolvimento Social desta Administração. Além disso, Paulo comentou que a missão de um líder é unir, tentar agregar mais gente ao grupo, e não desunir como ele acabara de fazer. “O senhor foi muito infeliz na sua fala hoje”, resumiu Paulo.

Já no momento destinado aos assuntos de interesse pessoal, o vereador Miguel Lopes voltou à Tribuna afirmando que é lamentável que o líder do prefeito trate os colegas da forma como tratou. Miguel contou que está há cinco mandatos na Câmara como vereador e que não tem envolvimento com Ongs (Organizações Não Governamentais), como Valdo insinuou. Apesar de lamentar o discurso do líder, o vereador disse que o entende. “Entendo o líder porque o prefeito está aí há dois anos e o que ele fez? Mudou a Feira do Rolo de lugar e instalou o Poupatempo, por meio de parceria público privada”, observou.

Miguel voltou a dizer que o Plano de Governo do prefeito falava na construção de mais UPAs na cidade. “Acho que é o senhor e o prefeito que têm que estudar o Plano de Governo”, opinou, adjetivando Valdo como um “líder perdido, nervoso, querendo jogar a velha toalha”.

O vereador disse também que jamais pensou que a construção de uma nova UPA, a da Vila Davi, ocasionaria o fechamento do Bom Jesus, que funcionou por mais de dez anos atendendo a população e que só fechou por “incompetência da atual Administração”.

Após o pronunciamento do vereador Miguel, a sessão foi encerrada, às 20h, mas era notório na maioria dos vereadores o descontentamento com as palavras do líder do prefeito, o vereador Valdo Rodrigues.

 

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