Muito mais que cem anos de saudade...

Em tempos de juventude acéfala, ouvinte de pseudo-músicas, leitora de nada além de seus próprios escritos semi-analfabetos, Gabriel e sua prosa exuberante nos farão muita falta.

Os personagens que dominaram o imaginário daqueles que saborearam seus escritos jamais serão olvidados, nem tão pouco suas paisagens, o deserto de suas almas, a sequidão da realidade e o encanto da poesia.

O Nobel Garcia Marquéz só não deixará um vazio naqueles que apreciam a literatura de qualidade, porque foi capaz de eternizar-se por meio de suas palavras. O vazio pode abater-se sobre nossas almas, mas certamente encontrar-se-á preenchido por uma fileira de suas preciosidades em nossas estantes.

E se o que vivemos ninguém nos pode roubar, nada nos roubará os momentos de êxtase que sua literatura nos proporcionou. No recanto de nossa própria solidão, ironicamente vivenciamos da sua. E ainda a degustaremos, com calma, com a pressa digna dos poetas e seus devaneios... cem, duzentos anos de solidão!

Aprendemos com ele a amar em tempos de cólera, esse exercício de devoção e sacrifício. Aprendemos a percorrer o mundo sem deslocarmo-nos um centímetro do lugar de nossa cômoda leitura. Aprendemos com os sentimentos que essa leitura sempre evocou em nós a preencher a alma e o espírito daquilo que muitos chamam inutilidade. A literatura é inútil, no entanto, sem ela a vida se torna um pouco menos vida.

E se dependemos da arte para sobrevivermos a nós mesmos, Gabriel nos ajudou nessa tarefa hercúlea de nos construirmos enquanto seres humanos, nesse mundo que não passa de um eterno teatro.

E ainda que não estejamos no mês de outubro, descanse, meu caro escritor, que nós, viveremos e daremos vida eterna às suas palavras!

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