O Grêmio Recreativo Cultural Escola de Samba Nove de Julho apresentou aos foliões um dos mais antigos conceitos da passagem do homem sobre a Terra: a tentação.
A agremiação levou à Passarela do Samba uma viagem pela ótica da tentação, salientando que ela está sempre a seduzir desde o início do mundo.
Ao cair em tentação, o homem não resistiu ao doce prazer da sedução de refazer as regras da vida e superar os limites naturais. Enfatizando ainda que esse sentimento conduz ao pecado, o homem somente realizará seu eterno desejo de plena felicidade quando reencontrar o caminho do amor e do respeito ao próximo. Essa foi a mensagem que a Nove de Julho tentou passar na avenida.
A comissão de frente chamada “O Poder da Sedução” utilizou-se de envolventes danças cerimoniais, nas quais serpentes evocaram os poderes da sedução, convidando os foliões a uma entrega à tentação.
O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira representou a Sedutora Tentação, enquanto a primeira ala explorou a Suprema Tentação de Adão e Eva, a escolha entre o bem e o mal, quando surgiu, então, por meio dessas figuras o pecado original.
O carro abre-alas foi nomeado “A Tentação no Jardim do Éden sob o olhar da grande serpente” e representou o tentador olhar da serpente, dona absoluta da árvore carregada de maçãs, que ocasionou o pecado original.
A segunda ala, “Superando os limites da ganância”, retratou ser esse um dos primeiros sintomas da tentação, haja vista que muitos acumulam riquezas e ostentam sua gana pelo luxo.
A terceira ala relatou a Ganância que gera pobreza, a desigualdade que faz com que uns tenham muito, enquanto outros têm muito pouco.
A bateria da agremiação retratou “O vírus da cobiça e o vírus da ambição”, atribuindo as mazelas humanas também a eles.
O segundo casal de mestre-sala e porta-bandeira, o “Engenhocas”, mostrou o desafio aos limites das leis naturais.
A quinta ala, “Inteligência artificial”, trouxe o poder da fusão entre o cérebro e a máquina.
A ala “DNA... A evolução da ciência” apresentou a falta de limites devido aos experimentos de grandes cientistas malucos.
O segundo carro alegórico da escola, “A Criatura refazendo a criação” simbolizou a ousadia do homem ao ultrapassar as barreiras do som, ao manipular e alterar as moléculas, dar vida a criaturas e robôs, e outras façanhas, tudo em nome da obstinação de brincar de ser Criador.
A sétima ala nomeada “A Tentação nos conduz ao pecado” fez alusão à avareza, ao acúmulo de riquezas e de bens materiais.
“Os Sete Pecados Capitais” foram representados na oitava ala com a interligação do homem e o robô, do cérebro e a máquina.
A ala das baianas “Reencontrando o caminho do amor” levou à avenida o sentimento de que é preciso abrir o coração e ter respeito ao próximo para alcançar a redenção humana.
A ala “A Alegria é a saída... A Redenção é na Folia” fez alusão ao êxtase, anunciando a conquista da felicidade eterna.
O terceiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, “Em busca da paz sonhada”, mostrou que após a redenção, a humanidade poderá buscar a paz almejada.
As duas últimas alas da escola, “Dádiva do Criador... A Conquista da Paz” e “Sambando eternamente em berço esplêndido” representaram, respectivamente, que a felicidade é uma dádiva do Criador e que na conquista da redenção o povo alcançará os céus.
O terceiro carro alegórico nomeado “A Redenção é na Folia... Sambando alcançaremos os céus” encerrou o desfile convidando o povo a se entregar à tentação da felicidade.
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