Pensando sobre a figura emblemática e serena do Salvador do mundo durante essa semana, pensando sobre suas peregrinações e visitas, confesso que me flagrei listando alguns lugares nos quais ele não ousaria entrar.
O Nazareno era homem de incessantes caminhadas, muitas das quais o levavam a locais inóspitos, repletos de gente maltrapilha, indesejada, marginalizada. Locais escolhidos pelo Pai para que cumprisse sua missão. Seu coração desejava desesperadamente por estar com essa gente, eles eram e são os amados do Eterno, enfermos a quem Ele oferecia cura, pecadores horrorosos, a quem sua misericórdia e perdão tornavam aceitos, mulheres mutiladas e crianças rejeitadas, a quem Aba ama tão profundamente, que fez-se carne e propôs-se a caminhar com eles e para eles. Onde quer que estivessem, o anseio furioso de Deus por encontrá-los e fazê-los sentir-se amados, os perseguiria e eram os pés calejados e empoeirados de Cristo quem o levariam a eles.
Então, me pergunto: Onde Jesus não ousaria entrar?
Talvez onde o luxo e a ostentação sobressaíssem em detrimento da humildade e da compaixão. Talvez em algum lugar onde os valores do Reino se fizessem completamente distorcidos e onde pessoas fossem manipuladas, pasmem, em Seu nome. Onde os tesouros da Terra fossem supervalorizados ao invés dos tesouros celestiais e onde quem não os possuísse não tivesse nem mesmo o direito de adentrar.
Sim, eu estou convencida de que Cristo não entraria no suntuoso templo de Salomão, recentemente construído pela denominação religiosa de Edir Macedo. Ele não compactuaria com toda essa ostentação religiosa, aliás, Ele não era um religioso, era sim um declarado avesso à religiosidade vazia que já dominava seus dias. Cristo era um marginalizado, um maltrapilho do Pai, talvez, por isso mesmo tenha dedicado sua existência a buscar aqueles que também se encontram à margem.
Que Ele siga habitando em nós, onde escolher fazer morada!
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