Participar mais para reclamar menos!

É Carnaval, caros leitores! Uma das festas mais esperadas por parte da população. Mas, para aqueles que não curtem tanto uma folia, vale dizer que muitos assuntos importantes estão sendo discutidos na cidade e merecem atenção e participação um pouco maiores da população.

Um deles é a questão do Lago do Taboão. Apesar de a audiência pública da última quinta-feira, 27, ter contado com grande número de pessoas, há que se registrar que a grande maioria era formada por funcionários da Prefeitura, concursados ou comissionados. O fato não lhes tira o direito de participar, muito pelo contrário, é bom que participem, mas também não convence totalmente de que o apoio demonstrado por meio de aplausos à proposta da Prefeitura, de primeiramente revitalizar e depois promover o desassoreamento mínimo do Lago do Taboão, seja isento.

As audiências públicas são abertas a todos. Mas era de se esperar que pelo menos aqueles que frequentam o local, têm estabelecimentos comerciais ou residem nas imediações participassem e registrassem sua opinião, mas não foi o que se viu. Poucos nessas situações participaram.

Sobre a questão de se fazer o desassoreamento ou a revitalização primeiro, entendemos que as duas ações são importantes. A maneira como serão feitas deve ser analisada tecnicamente para que uma não comprometa a outra e que o dinheiro público seja aplicado com responsabilidade, observando-se também a questão ambiental, a fim de que o local não seja ainda mais degradado.

Ao que tudo indica, novas audiências públicas podem ser realizadas. Mas, se a intenção da administração é realmente ouvir a população e, a partir dessa oitiva tomar a decisão pela maioria, o mais indicado, objetivo e eficaz seria mesmo a realização de um plebiscito. Todos poderiam registrar em votos o que entendem ser o mais prioritário. Só que a população é composta por pessoas que podem entender tecnicamente do assunto e por pessoas que não entendem absolutamente nada. O risco de se atender a vontade popular e, assim, acabar ocasionando problemas ainda maiores do que os já existentes, como deslizamentos, também existe.

Outro assunto de gravidade até maior, haja vista que envolve pessoas, é a desocupação do Jardim Nogueira. Diante de todos os compromissos assumidos pela Prefeitura, corre-se o risco de a invasão da área servir como exemplo e até incentivo para outras invasões na cidade, afinal, até auxílio moradia está sendo oferecido, questão que deve ser aprovada pela Câmara.

Haverá, sem dúvida, a pressão dos moradores para que isso seja aprovado. Mas se for, o restante da população estará pagando para custear um benefício para pessoas que quebraram regras. Até que ponto isso é justo?

É verdade que muitas famílias que invadiram lotes no Jardim Nogueira foram enganadas pela promessa de casa própria de forma relativamente fácil. São vítimas de oportunistas. Deveriam apontá-los para que fossem rigorosamente punidos.

Verdade também que a omissão da administração anterior, não só do prefeito, mas dos secretários que integraram a equipe, colaborou muito para o crescimento das invasões. Esses administradores deveriam ser igualmente responsabilizados e punidos.

Enfim, são assuntos sobre os quais os leitores ainda lerão muito. Esperamos que das próximas vezes tenhamos informações sobre uma participação mais ativa e de maior número de cidadãos. Afinal, só participando mais das discussões de relevância na cidade poderemos ter menos a reclamar.

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