Que o brilho dos olhos não lhes seja roubado, assim tão precocemente,
Que a boneca ou o ursinho de pelúcia sejam os únicos seres a quem foi concedido o direito de dividir com eles o leito.
Que haja leito para toda criança, e que ele não se limite à dureza das calçadas.
Que haja pão, quiçá iogurte, bolachas, frutas e chocolate para todas as crianças,
Que não falte a doçura, ainda que aliada à firmeza para educá-las.
Que haja escolas e professores amorosos,
Que haja amor, e que ele só ele seja capaz de anular todo ódio contra a infância.
Que haja uniforme sem mancha de sangue.
Que haja transporte sem bala de fuzil.
Que haja riso e não pranto.
Que haja inocência e não abuso.
Que o policial, por Deus, que o policial erre a mira, por Deus, eu suplico que ele, ao menos uma vez, erre a mira!
Que dessa vez, ele enxergue que ela estava de uniforme escolar,
Que ele perceba que ela era só uma garotinha de oito anos...
Que eles não sejam alvo de toda essa truculência à qual se atribuiu o nome de segurança.
Que haja verdadeira segurança para nossos pequenos,
Que nenhuma bala os atinja,
Que apenas a delicadeza chegue até eles, em forma de doce afeto.
Que a travessia não termine em morte para os pequenos refugiados,
Que haja refúgio para eles, sempre!
Que as guerras fiquem apenas nos livros de História,
Que nossos pequenos sejam infinitamente melhores que nós, e assim, não ousem o erro estúpido de repeti-la.
Que nossas meninas não sejam expostas à violência que é sexualizá-las.
Que nossos meninos possam chorar sem a culpa do medo de não serem vistos como homens.
Que esse país permita que eles, crescendo, se transformem nos homens e mulheres humanos de que tanto precisamos para reinventar essa nação!
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