Após a divulgação de informações durante as últimas semanas sobre o fechamento da UPA (Unidade de Pronto-atendimento) Bom Jesus, a Divisão de Imprensa da Prefeitura (Dimp) enviou nota dando detalhes das mudanças que a Secretaria Municipal de Saúde pretende fazer e afirmou que a unidade Bom Jesus não será desativada.
De acordo com os dados divulgados, a UPA Bom Jesus está irregular perante o Ministério da Saúde. Assim, todos os gastos nessa unidade são pagos apenas pelo município. “Há dez anos, todo o custo é arcado pela Prefeitura, que só em 2012 desembolsou o valor de R$ 8,2 milhões. Os gastos da última década na área da Saúde, decorrentes da instalação do hospital Bom Jesus, construído a título de promessa política, sugaram os recursos pagos pelo contribuinte de Bragança Paulista e impediram investimentos em outros serviços do setor”, diz o release enviado pela Dimp na tarde de sexta-feira, 12.
A secretária municipal de Saúde, Estela Gianesella, reforçou a tese de que o dinheiro gasto na UPA Bom Jesus está fazendo falta para outras ações de sua pasta. “Para o SUS, já que o município quis instalar uma unidade de forma irregular, ele se torna o único responsável pelo custeio. Isso começou há dez anos, e desde então temos uma drenagem muita alta de recurso público, dinheiro que está fazendo falta para que consigamos organizar unidades de saúde e de saúde da família, atendimentos ambulatoriais especializados, recursos para exames, bem como para tudo aquilo o que hoje falta à população”, explicou.
Ainda de acordo com a Divisão de Imprensa, grande parte dos atendimentos realizados na UPA Bom Jesus deveria ser feita de forma especializada, o que não é possível sem que se tenham recursos para melhorias na unidade.
Ainda na gestão do ex-prefeito João Afonso Sólis (Jango), em 2009, o Ministério da Saúde habilitou uma unidade de pronto-atendimento para Bragança Paulista. Classificada como de porte 3, a unidade deveria atender em nível regional, oferecendo serviços de saúde às cidades de Bragança Paulista, Tuiuti, Vargem, Pedra Bela e Pinhalzinho. A gestão anterior optou, então, por construir a UPA da Vila Davi.
O problema, conforme aponta a gestão do atual prefeito Fernão Dias da Silva Leme, é que quando a administração do ex-prefeito Jango inaugurou a UPA da Vila Davi, no final do ano passado, o Ministério da Saúde entendeu que ela estava pronta para funcionar e estipulou o prazo de três meses para que a unidade iniciasse efetivamente seu funcionamento. Na época da inauguração, o Jornal Em Dia noticiou que a unidade, apesar de ser anunciada como terminada, estava sem equipamentos, móveis e não tinha funcionários contratados para trabalhar nela.
Além disso, a Administração Fernão Dias/Huguette se deparou com problemas na obra da unidade, o que motivou um pedido de adiamento para o início do funcionamento da UPA ao Ministério da Saúde. “Há problemas de encanamento, na parte elétrica, entre outros. Na sala de esterilização, por exemplo, a temperatura da água chega a mais de 100ºC e passa por encanamento, mas o que foi instalado na obra é de material PVC e vai derreter, por isso, precisará ser todo trocado. Isso é só um exemplo dos muitos problemas que encontramos ali”, contou a secretária Gianesella.
A atual administração ainda aponta que os R$ 3,43 milhões que foram gastos na construção da UPA da Vila Davi deveriam servir para as obras e a compra de equipamentos. “Entretanto, ajustes na planta original, segundo justificativa da gestão anterior, encareceram as obras, e todo o valor foi gasto apenas na construção. Ou seja, nenhum equipamento que deveria ser destinado à UPA foi comprado”, diz a nota enviada.
A Secretaria Municipal de Saúde criticou também o fato de Renato Frangini e sua equipe, nos 21 dias que estiveram à frente da Prefeitura, cancelarem algumas licitações necessárias para a área. “Em janeiro deste ano, parte das licitações e contratos herdados pela administração provisória de Renato Frangini, que assumiu a Prefeitura por 21 dias, por mera opção do então prefeito, foi cancelada e agora precisará ser retomada”, diz o release.
A secretária Estela Gianesella afirmou ainda que uma licitação para a compra de medicamentos teve de ser cancelada e outra foi aberta. O motivo do cancelamento, conforme a nota enviada, foi o alto custo previsto na primeira e que foi reduzido em grande monta. “O que estava previsto para a compra que seria feita pela administração de janeiro chegava à casa dos R$ 16 milhões. Nós baixamos isso para R$ 4 milhões, comprando exatamente os mesmos itens”, disse a secretária.
Outra informação divulgada pela Dimp é que a Secretaria Municipal de Saúde pretende fazer da UPA Bom Jesus um Centro de Especialidades. “O Bom Jesus vai atender bem a população quando nós concluirmos ali o Centro de Especialidades. Vai ter urologista, neurologista, psiquiatra, ortopedista, cardiologista. O povo vai ser bem atendido, bem melhor que no Lavapés”, garantiu o prefeito Fernão Dias.
Um grupo formado por membros da Vigilância Sanitária, profissionais da Unidade de Pronto-atendimento, tecnologia da informática, manutenção e secretarias de Serviços, Administração e o Fundo Municipal de Saúde trabalha agora para promover reparos em equipamentos que serão destinados à UPA da Vila Davi e melhorias na infraestrutura do espaço da UPA Bom Jesus.
Sobre o acesso à UPA da Vila Davi, a atual administração garantiu que a população não terá problemas para chegar ao local e enfatizou que os transtornos do processo de adaptação serão compensados pela melhoria na qualidade dos serviços prestados. “A mudança pode ser menos cômoda no início, mas o importante é que o atendimento será eficaz. A população precisa compreender que o importante é uma saúde de qualidade no município e que os ônibus serão desviados para o local. Quem mora no entorno do Bom Jesus não será prejudicado. Não estamos priorizando um bairro ou outro e a população da zona norte não deixará de ter acesso à UPA na Vila Davi”, concluiu a Secretaria Municipal de Saúde.
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