Izilda Aparecida de Toledo é pedagoga e presidente da Arcab (Associação Recreativa e Afro-brasileira) e do Clube Recreativo e Beneficente 13 de Maio. Ela esteve, na terça-feira, 19, na sessão ordinária do Legislativo bragantino falando sobre o Dia Nacional da Consciência Negra, declarando que existe a história do povo brasileiro sem o Brasil, mas não existe a história do Brasil sem o povo negro.
Apesar dos 125 anos da Lei Áurea, que determinou a abolição da escravatura, Izilda disse que os ranços escravistas e racistas ainda permanece na sociedade. “Vamos ter que continuar com essa luta de reconhecimento”, considerou.
A participante da Tribuna Livre, que foi inscrita pelo vereador Valdo Rodrigues, disse também que as ascensões sociais dos negros se dão mais por mérito próprio do que em razão das políticas públicas dos governos e que há a necessidade de um mês dedicado ao povo negro porque a sociedade insiste e persiste, de forma moderna, em estratificar negros, em não permitir sua inserção na sociedade com igualdade qualitativa sem estereótipos ou rótulos.
De acordo com Izilda, os ideais de Zumbi dos Palmares, morto em 20 de novembro de 1695, “permanecem mais vivos do que nunca”.
A presidente da Arcab ainda cobrou que sejam aplicadas as leis que tornam obrigatório no currículo escolar o ensino da história da África e dos Africanos e o ensino da história e cultura Afro-brasileira e Indígena, defendendo que quando isso acontecer haverá menos violência. Izilda completou dizendo que atualmente há profissionais capacitados a dar aula sobre esses temas e também há vasto material e insistiu que é preciso se livrar desse câncer maligno que é o racismo.
A manifestante contou, então, que o Clube 13 de Maio, com 79 anos de existência, está e permanecerá fechado até que haja condições de ser reaberto, com apoio público e da comunidade. Disse ainda que quando começou a lutar pela implantação do feriado da Consciência Negra em Bragança, queria também que o poder público fornecesse verba para a realização das atividades que ela e os demais integrantes da Arcab julgam interessantes, mas que isso não foi possível. Assim, ela apontou que a programação que está acontecendo da Semana da Consciência Negra não teve a participação da Arcab.
Izilda esclareceu que a Arcab foi chamada a participar das discussões para a definição da programação, mas que as atrações divulgadas são diferentes das que foram apresentadas a eles num primeiro momento e que não foram consultados sobre isso.
O vereador Valdo Rodrigues afirmou que tem muita honra de poder inscrever Izilda, a quem ele conhece há muito tempo e acompanha o trabalho, para falar na Câmara. Dessa forma, ele fez apelo ao prefeito Fernão Dias da Silva Leme e aos vereadores para que a Arcab seja sempre chamada a participar de discussões nas mais diversas áreas, como esporte e educação.
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