Dia desses, meu marido trouxe pimentões vermelhos para preparar sardela. Fazia tempo que eu não fazia aqui em casa; quem experimentou aprovou.

Como “Redescobrindo” também é cultura, pesquisei e vim a saber que minha receita de sardela (com um L só) é uma versão paulistana da sardella (que significa sardinha em italiano), uma espessa pasta em conserva vermelho-escura produzida com alevinos de sardinha marinados no sal grosso e depois misturados com páprica doce ou picante e erva-doce.
Mesmo com nosso toque abrasileirado, esta pasta, feita à base de anchovas, que são filés de peixe em conserva, também chamados de aliche, que encontramos já em potinhos fechados nos supermercados ou a granel nos empórios do Mercado Municipal, fica muito boa em torradas, fatias de pão italiano ou até usada como um molho de macarrão, dando um toque apimentado e sofisticado ao prato.
É muito simples de fazer, pois vai tudo no liquidificador; o que leva o maior tempo é tirar a pele dos pimentões (que é o que o deixa indigesto). Para isso, é necessário colocá-los um a um na chama do fogão até a casca ficar tostada, logo depois pô-los num saco de papel do tipo que vem os pães da padaria e fechar para esfriarem; e, depois de frios, lavá-los na água da torneira para que a pele saia totalmente.

100 gramas de anchovas (ou aliche)
2 pimentões vermelhos grandes
4 dentes de alho
1 lata pequena de extrato de tomate (cerca de 3 colheres de sopa)
Meia xícara (chá) de salsinha picada
1 colher (sopa) de molho de pimenta
1 colher (sopa) de óleo
1 colher (sopa) de colorau
1 colher (sopa) de aji no moto
Azeite para cobrir
Primeiramente, retire a pele dos pimentões, colocando um a um na chama do fogão para que a casca fique totalmente queimada. Depois, coloque os pimentões num saco de papel, feche e deixe-os até esfriar.

Depois de frios, sob a água da torneira, vá retirando a casca solta dos pimentões, enxugue-os, retire as sementes e pique-os em pedaços.
Escorra as anchovas e coloque junto com os pimentões e o restante dos ingredientes no copo do liquidificador, menos o azeite. Bata até ficar uma pasta homogênea.
Coloque numa vasilha (que pode estar revestida com alguns filés de anchovas), regue azeite por cima e enfeite com salsa.
Conserve em geladeira.
Sirva com pão italiano ou torradas.
Até nosso próximo encontro!
Para sugestões, críticas e temas para as próximas colunas, escreva para: miocz@yahoo.com.br.
Maria Inês de Oliveira Chiarion Zecchini é professora de Educação Infantil nesta cidade e autora do livro “Redescobrindo – receitas da cozinha bragantina”. Faz parte da Associação dos Escritores de Bragança Paulista (Ases), foi membro fundadora da Academia Bragantina de Letras (ABL) de 2005 a 2008, e colunista do jornal Cidade de Bragança de 2005 até 2011.
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