Fernão Dias e Estela declararam que a falta de remédios deve ser resolvida até a próxima quarta-feira
Após a inauguração da UPA Dr. Valdir Camargo, na tarde desse sábado, 22, a secretária municipal de Saúde, Estela Gianesella, conversou com o Jornal Em Dia sobre os problemas da área, que repercutiram na última semana durante sessão da Câmara Municipal. Ela e o prefeito Fernão Dias da Silva Leme garantiram que até a próxima quarta-feira, 26, não faltarão mais medicamentos.
De acordo com o prefeito, atualmente, faltam 10 remédios na rede de Saúde de um total de 280 itens. Ele considerou justo o alarde feito na última semana pelos vereadores, mas explicou que a intenção é dar à população a qualidade de um atendimento privado com a OS (Organização Social), que pode comprar medicamentos sem licitação e contratar profissionais sem necessidade de concurso público. “O Poder Executivo vai fiscalizar tudo isso. Vai ser o grande diferencial da Saúde. A Saúde terá de fato uma assistência de bastante qualidade”, declarou Fernão Dias.
A reportagem, então, questionou a secretária Estela sobre o motivo da falta de medicamentos. Ela explicou que nessa transição de gestão da Secretaria de Saúde para a OS ABBC (Associação Brasileira de Beneficência Comunitária) foi necessário separar grande volume de contratos, produtos e medicamentos e destinar quais se referiam à UPA, Samu (Serviço de Atendimento Médico de Urgência), atenção básica e atenção especializada, já que a compra dos itens é feita de uma só vez e a distribuição é única. Além disso, também, foi preciso separar o que competia à OS e o que competia à secretaria e, nesse processo, houveram algumas falhas.
“De todos esses itens e contratos de serviços, de compras e mais os 260 medicamentos, nós tropeçamos em 60 e poucos medicamentos. O restante nós não tropeçamos. E o que aconteceu é que começamos a trazer de volta esses medicamentos à rede na medida da velocidade de entrega das distribuidoras. Notificamos distribuidoras. Mas, a partir de quarta-feira, estarão regularizados todos os itens. E daqui para frente, a Organização Social assume plenamente e isso não ocorrerá mais. Mas, digo que foi um volume muito grande de contratos, de produtos e de medicamentos que a secretaria tem. Tropeçamos? Tropeçamos, mas não tropeçaremos mais, é isso. A gente pede desculpas à população, não era o que nós queríamos, mas não erraremos mais, até porque a partir de agora isso passará para a ABBC”, declarou Estela.
A secretária falou ainda sobre a realização de exames especializados. Segundo ela, a terceira licitação de exames ocorreu nessa semana e apenas seis desses exames foram vendidos para a Prefeitura. O restante dos itens fracassou. Agora, a Prefeitura fará outro tipo de licitação, permitido por lei após um processo fracassado. “Entretanto, temos que nos restringir à lei. Não há como proceder a prestação de exames sem licitar”, justificou, afirmando que o maior problema está com exames ligados à área oftalmológica.
Estela explicou também que as cirurgias não são feitas pela Prefeitura, e sim, no Hospital Universitário e na Santa Casa. De acordo com ela, isso depende de recursos federais e estaduais e negociação em nível regional. “Recursos federais e estaduais, negociados em nível regional entre todos os secretários de Saúde da região e o órgão regional do estado. Isso não está na mão de um único secretário. Participo ativamente dessas reuniões. Nós conseguimos agora recursos para que a Santa Casa reinicie suas cirurgias. São recursos federais mais recursos estaduais. Não há como nós obrigarmos a Santa Casa a fazer as cirurgias, mas em breve estaremos fazendo um mutirão para cirurgias de catarata, por exemplo”, disse, acrescentando que cirurgias ortopédicas, ginecológicas, proctológicas e infantis também devem começar a ser feitas nos próximos dias.
A suspensão do atendimento no Centro de Fisioterapia foi comentada pela secretária, que explicou que havia sido feito um processo para a locação de uma casa temporária até a desocupação da UPA Bom Jesus. Mas, a proprietária desistiu de alugar o imóvel. Agora, com a desocupação do Bom Jesus, o serviço de fisioterapia ficará lá, o que deve ocorrer no final da próxima semana.
Estela também comentou sobre o funcionamento do Bom Jesus a partir de agora. O local deve se transformar num Centro de Especialidades. Mas, para isso, a Administração pretende fazer uma grande reforma e aguarda, assim, resposta do Ministério da Saúde para a captação de recursos. “Ontem, fechamos projeto de emenda parlamentar para a captação de recursos, vamos aguardar a resposta do Ministério da Saúde para uma grande reforma do Bom Jesus antes de a gente trazer todas as especialidades. Queremos colocar lá equipamentos, outras áreas especializadas, ambulatório de especialidades, psicólogos. Vamos aguardar esse novo recurso para transformar num Centro de Especialidades”, contou.
A secretária de Saúde disse ainda que a equipe do PSF da Hípica Jaguari, que não tem sede, passará a trabalhar no Bom Jesus até que a sede própria seja construída. Segundo ela, as pequenas cirurgias também serão feitas no Bom Jesus e a Administração estuda a possibilidade de oferecer nesse local o serviço de fonoaudiologia e planejamento familiar.
Outro assunto polêmico tratado nessa semana, durante sessão ordinária da Câmara, foi a possibilidade de fechamento das farmácias nos postos de saúde e abertura de quatro polos que distribuiriam os medicamentos na cidade. A secretária confirmou que há projeto para promover essa alteração. “Hoje, todas as unidades de saúde têm uma microfarmácia. São salinhas minúsculas nas quais o profissional farmacêutico mal cabe lá dentro, os medicamentos mal cabem lá dentro. Nós temos muitos farmacêuticos, mas, mesmo assim, não conseguimos dar conta de cobrir todas as farmácias o tempo todo com farmacêutico. Então, é uma otimização e uma melhoria do trabalho desse farmacêutico. Nós estamos querendo regionalizar a assistência farmacêutica colocando essa assistência farmacêutica em locais adequados, com vários farmacêuticos para dar uma assistência farmacêutica real e não aquilo que acontece hoje, que você fica na fila, um ouvindo problema de doença do outro e o farmacêutico naquele cubículo, não tem uma sala para fazer o atendimento com o paciente”, disse Estela, completando: “Então, queremos dar qualidade ao trabalho do farmacêutico e também qualidade de assistência farmacêutica. Esse projeto ainda está sendo elaborado, já o discutimos com os farmacêuticos, com o Conselho Regional de Farmácia, estamos discutindo com a ABBC. Então, ele está em desenvolvimento, ainda não está completamente desenhado, mas é uma proposta sim que nós temos, até para otimizar recursos humanos e melhorar qualidade de trabalho e de assistência”.
Por fim, Estela considerou que ainda não se pode falar em trocar de Organização Social, mas garantiu que o trabalho da ABBC está sendo fiscalizado de perto. “Uma Organização Social não se troca dessa maneira. O contrato de gestão é previsto para no mínimo um ano. Nesses três meses, ainda estamos implantando a Organização Social. A gente tem ainda muitas dificuldades para organizar todos os serviços. A gestão da Saúde pública é nossa, mas isso não é uma coisa que se passa assim de repente. Qual o papel do município neste momento? O nosso papel é fiscalizar e esse papel já estamos cumprindo, já publicamos a comissão de avaliação, que avalia a prestação de contas, os serviços prestados, isso já está acontecendo, estamos em campo com a comissão de fiscalização também. A comissão de fiscalização vai várias vezes por semana nas unidades de saúde, na UPA, no Samu, no almoxarifado, na ABBC. Então, esse é o nosso papel neste momento. Cabe a nós verificar, temos problemas? Vamos corrigir. Neste momento, não penso em tirar a OS e sim em nos alinharmos, caminharmos na mesma linha porque eles estão trazendo para a gente melhorias sim em termos de possibilidade de contratação, rapidez na prestação de serviços, de contratação de pessoal. Daqui a um ano, temos que fazer a avaliação do ano e aí sim teremos essa visualização do que foi este ano para pensar em renovar ou não o contrato”, concluiu.
0 Comentários