Seleiro de Bragança Paulista já vendeu selas para Beto Carreiro e Sérgio Reis

Muito requisitado em décadas passadas, o seleiro já foi considerado o melhor amigo dos viajantes. Com a substituição do cavalo pelo automóvel como meio de transporte, a profissão virou artigo raro. Em Bragança Paulista, no entanto, um seleiro muito reconhecido por seu cuidadoso trabalho ainda preserva a atividade: Josuel Alves da Silva, que tem os apelidos de Espanhol e Panhol.

A equipe de reportagem do Jornal Em Dia visitou seu local de trabalho, nesse sábado, 19. Máquinas de costura, matérias-primas, moldes, armações, selas prontas ou quase terminadas e outros objetos ocupam quase todo o espaço do estabelecimento. Espanhol passa seus dias ali, fazendo a atividade que mais gosta.

Ele contou que já está há mais de 40 anos na cidade, fabricando artesanalmente selas e acessórios para montaria. “Vim de Bueno Brandão, cidade natal de minha mãe, quando tinha dois anos de idade, meu pai já era seleiro. Quando completei 13, comecei a ajudá-lo, trabalhando em uma selaria da cidade”, contou Espanhol.

Espanhol se identificou tanto com o trabalho que resolveu seguir a profissão do pai, mesmo tendo cursado outra faculdade. “Estudei e me formei como técnico de contabilidade e cursei faculdade de Administração até o terceiro ano, mas continuei trabalhando com selaria, gosto muito. A vida toda estive aqui”, disse, orgulhoso.

Como o uso de cavalos, hoje, tem a finalidade de hobbie e esporte, a procura diminuiu nos últimos anos. Antigamente, contou Espanhol, a maioria das pessoas de Bragança morava em sítios e precisavam ter um cavalo e uma charrete para vir à cidade, necessitando de seu trabalho com frequência.

Ainda assim, o trabalho cuidadoso do seleiro criou fama e até mesmo funcionários de celebridades, como Beto Carreiro, Jayne e Sérgio Reis, já compraram seus produtos. “Cheguei a fazer umas seis ou sete selas para o Beto Carreiro. Há produtos que também fiz que estão nos Estados Unidos, na Argentina e em Portugal. Um pessoal veio aqui, gostou e levou pra fora”, disse Espanhol.

Ele continua sendo procurado, principalmente, por pessoas de São Paulo e região que possuem chácaras e sítios com cavalos. “Cerca de 80% dos meus fregueses são de fora de Bragança”, afirmou. A procura por reformas, consertos e compra de barrigueira e outros acessórios também aumenta quando há romarias na região.

A sela é montada em cima de uma armação, explicou Espanhol, que possui vários modelos e materiais diferentes. “Tem armação de madeira, que compro pronta, e de fibra, que desenvolvo aqui mesmo. Por meio dela é que a gente começa a montar a sela”, disse. As matérias-primas são compradas em outras cidades, como São Carlos.

De acordo com Espanhol, uma sela mais trabalhada, com enfeites, demora em torno de uma semana para ficar pronta. “Como trabalho sozinho, levo esse tempo para deixá-la em perfeitas condições”, afirmou.

Questionado se já havia um sucessor para aprender o seu ofício e perpetuar a profissão, Espanhol respondeu que ainda não. “Tenho uma filha mulher e minha esperança, agora, é que o neto que está para chegar à família queira seguir os passos do avô”, disse, rindo.

Além das selas, Espanhol trabalha com mochilas, cintos, capinhas de canivete e bainha de faca. Quem precisar ou quiser conhecer seu trabalho pode procurá-lo na Rua Bertrando Molinari, 135, no Matadouro, de segunda a sábado.

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