Na noite de quinta-feira, 10, foi realizada pelo Sismub (Sindicato dos Servidores Municipais de Bragança Paulista e Região) a terceira assembleia do ano referente à negociação salarial da categoria. A proposta da Prefeitura foi novamente rejeitada e os servidores decidiram decretar estado de greve.
Conforme afirmou o presidente do Sismub, Carlos Alberto Martins de Oliveira, 342 funcionários compareceram a essa reunião.
Profissionais concursados se revoltaram diante da presença de servidores comissionados e em cargos de confiança e questionaram se eles teriam direito a voto. Foi esclarecido por Carlos que todos poderiam votar e que o mais revoltante deveria ser a ausência dos mais de 3.500 servidores na assembleia, haja vista que a Prefeitura e a Câmara de Bragança Paulista contam com aproximadamente quatro mil funcionários. “Os servidores ausentes estão merecendo tratamento de choque”, considerou o presidente do sindicato.
Dentre os comissionados, destaque para a presença até de secretários municipais, como o de Administração, Evandro Luís Amaral Ribeiro, e a da Saúde, Estela Gianesella.
A nova proposta da Prefeitura não foi tão diferente da primeira, apresentada na assembleia do dia 3, que foi rejeitada por unanimidade. Dessa vez, o Executivo ofereceu aos servidores a reposição da inflação como índice de reajuste nos salários de 6,15%; seis faltas abonadas no ano, desde que solicitadas com antecedência mínima de 48 horas e usufruídas uma a cada bimestre; e duas faltas acompanhante para idoso ou filho menor de 18 anos, desde que solicitadas com 48 horas de antecedência e podendo ser usufruídas uma a cada semestre.
Sobre pedidos de implantação do 14º salário, plano de saúde e Cartão do Cidadão Bragantino, a Administração respondeu que estuda a possibilidade de viabilizar tais medidas.
O vale-alimentação dos servidores, que hoje está em R$ 323,00, não deve sofrer reajuste. A Prefeitura destacou que no ano passado concedeu quase 35% de aumento e que o índice médio de reajuste anual é de cerca de 12%, por isso, para este ano, não se mostra simpática à ideia de dar novo reajuste do benefício.
Durante a discussão da proposta enviada pela Prefeitura, alguns servidores demonstraram descontentamento e afirmaram que o índice de 6% de reajuste não faria grande diferença nos salários dos concursados, mas que no bolso dos comissionados faria. Os funcionários também pediram a convocação de greve em vários momentos.
O vereador Rafael de Oliveira esteve presente na reunião e ouviu de um servidor o pedido para que a Câmara faça algo para diminuir a quantidade de cargos comissionados da Prefeitura.
Outro funcionário cobrou união da categoria, lembrando que na época do então prefeito Nicola Cortez houve grande resistência dele para a concessão de aumento real nos salários. Porém, após uma passeata de cerca de 700 servidores pela cidade, Nicola cedeu.
Uma servidora tentou moralizar o discurso, defendendo a proposta da Prefeitura e dizendo que muitos nem reivindicar podiam, já que não cumprem com suas obrigações trabalhistas. Ela foi bastante vaiada.
Muitos dos presentes também questionaram a forma de votação, dando sugestões, por exemplo, para que ela fosse feita manualmente. O presidente do sindicato explicou que não poderia mudar as regras no meio do jogo, mas definiu que aqueles que estavam a favor da proposta do prefeito ficassem do lado direito do pátio e aqueles que estavam contra ficassem do lado esquerdo.
Assim foi feito e os comissionados acabaram sendo hostilizados pelos concursados, pois foram vaiados e chamados de “puxa-sacos”.
A maioria dos servidores, então, rejeitou a proposta da Prefeitura e decidiu decretar estado de greve. Isso quer dizer que caso as negociações não avancem, poderá haver greve dos servidores municipais a partir do dia 29 de abril.
Conforme explicou Carlos, a próxima assembleia está marcada para o dia 17, às 18h, na sede do sindicato. Nesta data, a Prefeitura deverá apresentar nova proposta, que será submetida à apreciação da assembleia. Caso seja aprovada, a campanha salarial terá fim. Mas, em caso de nova rejeição, será eleito o comando de greve que ficará responsável por mobilizar os colegas de trabalho nos mais diversos setores da Prefeitura e Câmara.
A nova pauta dos servidores inclui: pedido de reajuste de 12% nos salários; vale-alimentação de R$ 420,00; seis faltas abonadas anuais, sem critérios para gozo e podendo ser cumulativas; e manutenção de duas faltas de acompanhantes para filhos menores e idosos, sem restrições.
O presidente do sindicato destacou ao Jornal Em Dia, nessa sexta-feira, 11, que o Sismub já protocolou na Prefeitura um ofício informando sobre a decisão da assembleia e solicitando uma reunião para a próxima semana, a fim de negociar com a Administração a nova pauta reivindicada pela categoria.
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