Tribunal de Contas do Estado considera Ensino Médio insuficiente para assessores de vereadores

Novo prazo de 30 dias foi dado ao presidente da Câmara para que adote medidas no sentido de corrigir as falhas apontadas

 

Desde 2010, arrasta-se uma discussão entre o Tribunal de Contas do Estado (TCE) de São Paulo e a Câmara Municipal de Bragança Paulista, com relação aos cargos comissionados. Recentemente, novo despacho do Tribunal indica que a exigência de nível médio é insuficiente para a contratação dos assessores de vereadores.

A primeira vez que o TCE apontou que mudanças eram necessárias no quadro de pessoal do Legislativo bragantino foi em 2010, quando as contas do ano de 2008 foram julgadas regulares com ressalvas e recomendações, determinando a reestruturação do quadro, com observância aos princípios e normas constitucionais, especialmente as previstas no artigo 37, incisos II e V. Esse trecho da legislação determina, dentre outras coisas, que as funções de confiança devem ser preenchidas apenas com as atribuições de direção, chefia e assessoramento.

Assim, desde essa época, a Câmara tenta adequar o quadro de pessoal, no que diz respeito aos comissionados, para sanar as falhas apontadas pelo TCE. Em 2011, por exemplo, foi editada a Resolução nº 6, que promoveu uma nova organização administrativa. O Tribunal entendeu, porém, que essa reforma administrativa não atendeu às orientações do órgão e notificou o Legislativo, nos exercícios de 2012 e 2013, por várias vezes, cobrando a adoção de novas providências de ajuste visando à regularização do quadro de pessoal.

Em 2013, já sob a presidência do vereador Tião do Fórum, a Câmara promoveu nova mudança, por meio da Resolução nº 7, de 12 de junho, que alterou as atribuições do cargo de “Assessor Especial Legislativo”. Mais uma vez, o entendimento do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo é de que ainda não foi promovida a adequada solução, “uma vez que permanece a exigência de nível de formação inadequado e insuficiente ao exercício das atribuições de assessoria aos parlamentares”.

O TCE observou ainda que “entre as atribuições do emprego de “Assessor Especial Legislativo” continua a se destacar o assessoramento ao vereador no âmbito das comissões e das sessões plenárias; no protocolo de proposições e na elaboração de pronunciamentos; pesquisa de legislações e atos administrativos; preparação de relatórios e documentos para fornecer subsídios a proposições e pronunciamentos, entre outras” e, por isso, destaca que a Resolução nº 7 não modificou em quase nada os termos da Resolução nº 05, de 05 de fevereiro de 2013, que criou e definiu as atribuições do cargo de “Assessor Especial Legislativo”.

Diante da situação, a recomendação do Tribunal de Contas é para que a Câmara de Bragança Paulista exija nível superior para a contratação dos assessores de vereadores. “É manifesta a insuficiência da formação no Ensino Médio para o exercício das referidas atribuições, que revelam elevado grau de complexidade. No caso em análise, a complexidade das atribuições impostas demandaria a formação em nível superior de seus ocupantes, em área do conhecimento compatível com as competências legislativas, em prestígio ao princípio da eficiência”, diz o despacho.

O presidente da Câmara, vereador Tião do Fórum, foi notificado pelo Tribunal de Contas a adotar novas providências, no prazo de 30 dias, sob pena de receber multa.

O Jornal Em Dia conversou com ele, na tarde de sexta-feira, 11. Tião disse que a Câmara foi notificada dessa decisão na terça-feira, 8. Agora, ele está estudando junto ao Departamento Jurídico como proceder. O presidente contou também que está conversando com os demais vereadores para tentar encontrar uma saída.

De acordo com o presidente Tião, o Tribunal de Contas está fazendo essa exigência a todos os municípios.

Uma das alternativas, conforme contou, é que a Câmara passe a exigir o Ensino Superior dos assessores de vereadores, mas a partir da próxima legislatura.

Em último caso, segundo o presidente, a Câmara de Bragança Paulista poderia fazer como fez o município vizinho de Atibaia, que recorreu à Justiça e conseguiu uma liminar para manter os assessores com nível médio de escolaridade até que a questão seja analisada no julgamento do processo.

Outra questão a se analisar é o salário dos assessores, que hoje recebem cerca de R$ 1.800,00. Caso passe a se exigir Ensino Superior para esse cargo, os salários também devem aumentar. Tião afirmou que cidades da região, que exigem esse nível de escolaridade, pagam em média R$ 5 mil aos assessores com curso superior.

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