O Grêmio Recreativo Cultural Escola de Samba Unidos das Águas Claras buscou na essência do samba o resgate das tradições de uma folia que é negra e reafirma a sua magnitude como expoente da cultura popular.
A escola trouxe uma profunda reflexão sobre a importância do negro na formação da cultura brasileira com o samba-enredo “Ilu-Ayê Mãe África: a Terra da Vida”.
A comissão de frente fez evocação às forças da natureza e ao poder da ancestralidade africana, nomeada o Berço da Vida: o Grande Ritual, trazendo os grandes feiticeiros africanos em meio às celebrações tribais.
O casal de mestre-sala e porta-bandeira fez menção à ancestralidade (raiz negra) na Odisseia do povo negro desde a criação do universo por Olorum.
A ala Anjo Negro foi representada pelos filhos do continente negro, arrancados de seu solo e transformados em escravos.
O carro abre-alas interpretou o Navio Negreiro, que cortou as ondas do mar. Ao fundo, duas grandes esculturas fizeram alusão à Iemanjá e ao clamor de seus filhos durante a viagem. O destaque ficou para o rei escravo e as crianças, frisando as dores e as angústias da travessia.
A ala Integração, Minas e Canaviais representou os negros recém-desembarcados e transformados em mão de obra nas lavouras e minas.
A bateria, composta por 50 integrantes, homenageou os responsáveis pelo ritmo dos tambores em cultos e rituais.
A ala Lundu trouxe música e dança de origem afro-brasileira criada a partir dos batuques dos escravos. Na sequência, a ala da Capoeira de Angola apresentou o jogo rítmico e de defesa desenvolvido no Brasil por descendentes de escravos africanos.
A ala Cortejo ao Rei Negro exaltou a figura de Chico Rei por meio da Congada.
O segundo carro alegórico, a Arte Negra, expressão de uma raça, que trouxe à frente os orixás, representando a inspiração das mais diversas manifestações artísticas, homenageou artistas notáveis, como o escritor Lima Barreto.
A ala das baianas lembrou na avenida a tradicional figura da baiana quituteira vendedora de acarajé.
A ala Afoxé levou o ritmo de origem iorubá, presente na cultura brasileira, e a Celebrações frisou ritmos e manifestações que deram origem aos festejos carnavalescos.
A ala Samba mostrou o ritmo que embala o Carnaval brasileiro, enquanto a Pierrô Apaixonado representou um dos símbolos mais expressivos da festividade.
O carro alegórico que encerrou o desfile da agremiação, Águas Claras: o Quilombo do Samba, apresentou o símbolo da escola, o pégasus. O destaque central ficou por conta do presidente Róbson Lima. Este carro ainda prestou homenagem às oito agremiações carnavalescas de Bragança Paulista.
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