22 de março de 2026
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Política

Olimpíada de Língua Portuguesa: Bragança tem quatro representantes na etapa estadual

Na segunda-feira, 24, Bragança Paulista conheceu seus quatro representantes na etapa estadual da Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro, competição nacional, organizada pelo Ministério da Educação em parceria com várias entidades.

Em sua 3ª edição, o concurso nacional de redação ofereceu oportunidade para todas as escolas públicas do país participarem de oficinas de produção de textos com material específico voltado para quatro categorias textuais. Alunos do 5º ao 6º ano do Ensino Fundamental participaram produzindo poemas; do 7º ao 8º, memórias literárias; do 9º ano do Ensino Fundamental ao 1º ano do Ensino Médio, crônicas; e do 2º ao 3º do Ensino Médio, artigos de opinião. Foram milhares de inscrições por todo o Brasil.

Na categoria poema, Luiza Ramos Baiarde, matriculada no 5º ano, na Escola Municipal Profª. Creusa Gomes Azevedo, aluna da professora  Cristiane Alves de Mira, se consagrou campeã com o poema Minha Cidade.  Já nas categorias memórias literárias, crônicas e artigos de opinião estudantes da Escola Estadual Dr. Fernando Amos Siriani, localizada no Jardim da Fraternidade, conquistaram o 1° lugar. Cauane Quintino de Godói (memórias), Daniel da Silva Pinto (crônicas) e Fernanda Augusta Silva Gazzaneo (artigo de opinião), alunos da professora Andreia Ap. Catadori R. Castilho estão na etapa estadual.

A professora Cristiane Alves disse à reportagem que o trabalho foi muito gostoso e produtivo para os alunos, que tiveram que lançar um novo olhar para a cidade onde vivem, com o papel de poeta. Para ela a maior dificuldade foi a primeira produção, fazer os alunos colocarem as ideias no papel.

Luíza Baiardi contou que adorou participar da olimpíada, está muito feliz com o resultado e mesmo que não seja a campeã estadual já valeu a pena o fato de ter participado.

Na Escola Fernando Amos, a professora Andreia apontou que sua maior dificuldade foi selecionar os melhores textos para enviar à comissão julgadora escolar. “Havia muitos textos lindos, dentro das exigências do concurso, bem produzidos, muito trabalhados, foi difícil selecionar apenas dois por categoria”.

Daniel da Silva Pinto, autor da crônica “Ninguém Merece…”, disse que foi inspirado por Deus. “Eu estava escrevendo e não saía nada de interessante, aí pedi a Deus que me ajudasse a escrever um texto legal”. O aluno diz que se sente muito feliz e privilegiado por ter ficado em primeiro lugar entre tantos textos bons que foram produzidos na sua escola.

Cauane Quintino de Godói escreveu sobre as memórias da própria professora, e disse à reportagem que esta foi uma oportunidade única, na qual aprendeu muito e da qual adorou ter participado.

Fernanda Augusta Silva Gazzaneo, disse que esta foi mais uma realização pessoal, ficou surpresa com o resultado e se sente muito honrada em poder levar o nome da escola e da cidade para a etapa estadual. “O texto não foi difícil de escrever. Fiz uma pesquisa intensa, levantando informações sobre a questão polêmica e sobre um patrimônio histórico belíssimo de 118 anos, com uma história repleta de auges e fracassos. A única dificuldade foi encaixar tanta informação  dentro do limite de caracteres exigidos pelo regulamento (4.200), tendo de fazer mudanças e cortes em quase todos os parágrafos.

Na 2ª edição da Olimpíada, em 2010, duas alunas da Fernando Amos, Larissa Souza Lima e Jéssica da Silva Santos, alcançaram o primeiro lugar e também representaram Bragança na etapa estadual, nas categorias crônicas e memórias literárias.

A reportagem ainda conversou com a responsável pela Comissão Julgadora Municipal, professora Clarice Paulina Souza Santos, que disse que a adesão no município foi pequena, visto que três escolas conseguiram, de fato, chegar à final. De acordo com a organizadora, alguns professores levaram os textos impressos ao Napa (Núcleo de Apoio ao Professor e Aluno), mas não os digitaram dentro do prazo na comunidade virtual, exigência da competição.

 

Confira os textos campeões:

Minha Cidade

Luíza Ramos Baiardi, 1ª colocada na Categoria Poemas

Ah! Quanta alegria!

Viver em Bragança Paulista,

Cidade da linguiça, que é uma delícia!

Durante o dia uma correria; e à noite vem a  

calmaria.

 

Oh! Bragança Paulista,

Terra que tudo avista, com seu lago exuberante

Enfeitando a Terra da gente.

 

Tem patinho e passarinho,

Andando pelo caminho,

Tem criança e cachorrinho

Brincando no parquinho

 

Oh! Bragança Paulista, cidade de ar puro,

Borboletas vão e vêm,

Pousando em cima do muro.

 

Lembranças eternas

Cauane Quintino de Godói, 1ª colocada na Categoria Memórias

 

Nasci em Bragança Paulista, na Fazenda do Caetê, perto do aeroclube, onde vivi pouca parte da minha vida, mas com muita alegria. Meu pai era oleiro — trabalhador que mexe com barro para fazer tijolos, vasos —, e minha mãe era boia-fria — apanhava café no cafezal.

Eu me recordo que era uma linda fazenda, onde o dia amanhecia e eu corria até a janela ver a amoreira, a mangueira, o coqueirinho que minha mãe havia plantado pra mim, porque eu adorava sentir o delicioso sabor dos coquinhos que costumava colher quando alguém me levava passear no Jardim Publico, no centro da cidade. Adorava ver os animais, os lindos pássaros que ali passavam cantando para alegrar o comecinho do dia, o doce cheiro das flores da minha mãe, entre elas uma árvore de margaridinhas brancas e amarelas, um pé de primavera maravilhoso e uma roseira esplêndida, que ficava em frente à porta da sala.

Naquela época, meu pai fazia diversos brinquedos caseiros pra mim, me lembro de um cavalinho de bambu que eu ia pra cá e pra lá com ele, outro era um carrinho de lata de leite, o meu brinquedo favorito, eu amava escutar seu barulhinho, enquanto o arrastava preso num arame pra cima e pra baixo nos caminhos da fazenda.

Eu e minha família sempre andávamos a pé. Um dia fomos até a olaria, onde meu pai trabalhava, mas, na hora da volta, começou a chover e minha mãe não queria que eu me molhasse, assim meu pai teve a ideia de me colocar dentro de um saco até chegarmos em casa. Uma grande alegria que marcou minha vida pra sempre, não me esqueço de como me senti cuidada e importante naquele dia.

Aos 22 anos meu pai tirou sua carta de motorista, já com o sonho de dirigir. E, assim, eu e minha família nos mudamos para a cidade, na casa do meu avô materno. Começamos a pagar aluguel para ele, no Bairro Jardim Novo Mundo, na Rua Francisco Cacozzi.

Comecei a estudar na Dom José Maurício da Rocha, a escola era novinha, eu a vi sendo construída e adorava ouvir minha mãe dizer que estavam construindo o colégio para mim.

Na segunda série, já sabia ler e aprendi a escrever de caneta. Lá conheci minhas primeiras amigas, Vilma e Edna.  Eu me lembro que nós tínhamos divertidas brincadeiras, fazíamos biquinha d’água, andávamos dependuradas pelos barrancos dos terrenos recém-loteados. Adorávamos brincar de concurso de miss.  Nossas roupas e adereços eram feitos com flores do campo, que colocávamos na cabeça.

Passados cinco anos, tivemos que nos mudar de novo, desta vez, para a Rua Expedicionário Bragantino, localizada entre a Vila Motta e o Lavapés. Começamos a morar no porão da casa da minha tia. Lá as ruas já eram asfaltadas e havia bastante movimento de carros, o que as tornava perigosas e minha mãe não me deixava mais brincar fora de casa, só dentro do porão, pois ela não queria que eu perturbasse minha tia no quintal dela.

Mudei de escola, comecei a estudar no Sesi 364, que eu odiava, pois lá éramos obrigados a escrever a lápis  — só se usava caneta a partir da quarta série ­— e tudo o que eu havia estudado na  D. José, tive de estudar novamente no Sesi. Fiquei muito triste de ter mudado, ter me separado de minhas amigas, sem contar que nessa rua não tinha com quem e nem onde brincar. Eu não tinha a liberdade que tinha antes. Sentia muita saudade da terra que eu pisava e brincava todos os dias, do cheiro do mato e de todas as nossas brincadeiras.

Depois de um tempo, meu pai percebeu que nossa família estava muito triste, e decidiu que íamos mudar de casa novamente. Dessa vez, mudamos para o Parque Brasil, na Rua Roberto Simonsen, onde voltei a ser feliz, fiz novas amizades, e uma delas com um eucalipto que crescera no terreno vizinho à minha casa, com quem eu passava horas e horas conversando. Até que um dia acordei e minha mãe me perguntou se eu havia escutado, eu disse que não, ela se referia ao barulho da motosserra,  mas no momento em que fui para fora de minha casa, fiquei  desolada quando  avistei meu amigo no chão.

Todos os dias eu ia sentar no toquinho que restou dele, e ali chorava diariamente me lembrando de nossas conversas, e de toda satisfação que ele me proporcionava, desde o frescor de sua sombra, o barulho de suas folhas ao vento e o perfume de suas flores, sem falar da exuberância de suas folhas.

De lá para cá, aconteceram muitas coisas, entre elas, em 2006, meu pai faleceu. Eu e minha família, ficamos muito tristes e resolvemos voltar à Fazenda do Caetê, onde tudo começou, onde nossas raízes estavam. Ao chegar lá, fiquei muito feliz por ver o meu coqueirinho ainda em pé, a roseira e o pé de amoras, porém mesmo assim, muita coisa mudou. A casinha onde meu avô paterno morava foi derrubada. Da olaria nem vestígios sobraram, o mesmo posso dizer da casa de meu avô materno, que era cercada por um por um pomar maravilhoso, ribeirõezinhos de água cristalina, uma horta repleta de hortaliças e legumes fresquinhos, além das flores que minha avó tanto estimava.

Voltei triste para casa, nostálgica, mas realizada por ter pisado novamente naquele solo. Comecei a pensar nas crianças de hoje, que não têm as oportunidades que eu tive de brincar livremente, sem perigo, pelas ruas. Muitas só podem ficar dentro de casa, porque as ruas estão perigosas. E também por não aproveitarem a idade que têm, com brincadeiras edificantes, só ficam diante de computadores, celulares, videogames e outros brinquedos eletrônicos. A maioria não percebe as maravilhas que a natureza nos oferece. Contudo, ao mesmo tempo, fico feliz em saber que tive essa oportunidade e levarei comigo essas lembranças por toda a eternidade.

 

Ninguém merece…

Daniel da Silva Pinto, 1º colocado na Categoria Crônicas

 

Estava no meio do céu o sol. Era um dia muito calmo e quieto quando avistei um homem descendo o morro da Rua Dez e com o sorriso nas orelhas, chegou à minha calçada, parou e disse:

— Oi, mocinho, como vai?

— Oi, vou bem, e você?

— Estou levando… Quantos anos você tem?

Meu prezado leitor, ele queria puxar assunto muito rápido. Saquei logo que era político. Eu tenho 15 anos, mas, querendo brincar, falei que tinha 16, e o cara foi logo me turbinando:

— 16?!

— É 16, e tenho o meu título de eleitor.

— Rapaz, pelo seu argumento já percebeu que eu sou político. Posso fazer uma pesquisa rápida, por favor?

— Sim, claro.

— Você já tem em mente um voto para prefeito?

— Não.

— Posso tomar um pouquinho mais do seu tempo para falar e argumentar sobre o que estamos precisando em Bragança?

— Por favor.

— Se eu for eleito vou brigar pelos direitos da sociedade bragantina, com muita garra e esforço. Vou construir… Vou fazer… Vou aumentar… Vou diminuir… Eu sei do que Bragança Paulista precisa, precisa de etc., etc., etc.

Meus queridos leitores, se eu for colocar no papel tudo o que ele falou, vou ter que desmatar a Amazônia. Ainda bem que nem todos os políticos são iguais ao que eu tive o desprazer de conhecer na minha rua.

Sorte é a dos escritores, porque existem as reticências e etc, senão precisariam usar infinitas gradações.

Não tinha como não compartilhar esse fato com vocês, não é, tem coisas que a gente não suporta sozinho.

Estou ficando por aqui. Isso aconteceu na minha querida Bragança Paulista, interior de São Paulo, no Jardim da Fraternidade, mas aposto que se repete em muitas outras cidades por aí.

Agora, leitores, esperem aí, lá vem ele de novo, vai querer falar mais um pouquinho…

 

A poesia olvidando o Belo

Fernanda Augusta Silva Gazzaneo, 1ª colocada na Categoria Artigo de Opinião

 

Situada entre sete colinas, assim como Roma, Bragança Paulista, a “Cidade Poesia”, localiza-se a cerca de 75 km da capital, no interior do estado de São Paulo. Teve sua ascensão no final do século XIX, sendo reconhecida como Sede Regional do Governo Paulista, atraindo a atenção de poderosos cafeeiros da época com a construção do terceiro teatro de ópera do Brasil e o mais antigo e pioneiro paulista: o Teatro Carlos Gomes.

Os autores da majestosa construção neo-classicista iniciada em 1892, Fellipe Siqueira e Izidro Teixeira, tiveram a ideia financiada pela riqueza dos fazendeiros e sem nenhum registro de quem seria o arquiteto. Sua inauguração, em 1894, foi um dos acontecimentos mais importantes da cidade, sendo palco de importantes companhias teatrais, batizado com apresentações das óperas Guarany e Bohème.

No início dos anos 20, pela primeira vez, fechava suas portas e cessavam os aplausos. Com isso, comportou várias atividades, como chás da tarde da alta sociedade bragantina, estande de tiro ao alvo, pista de patinação, lavanderia e até fábrica de jacás.

Em 1927, foi negociado entre a Câmara e a Diocese, a fim da instalação do Colégio São Luiz, sofrendo uma mudança em sua arquitetura, tornando-se referência em todo o Estado como exemplo de boa educação, levando consigo o nome da cidade e a presenteando com a sede diocesana. Mas, em 1970, seria desativado novamente.

Alugado em 1980, abrigou a Fundação Municipal de Ensino Superior e o Colégio João Carrozzo, porém, devido à alta do aluguel, foi devolvido em 2000.

Após esses acontecimentos, o prédio foi tombado como Patrimônio Histórico Municipal no final de 2000, e comprado pela prefeitura, em 2005, utilizado apenas como depósito de enfeites natalinos. Após todas as ações, foi abandonado completamente.

Sob o título de “O Belo Parado”, a reportagem do Estadão, edição de 3 de abril de 2011, revelou todos os projetos de reforma e restauro da prefeitura em relação ao prédio, orçados em R$ 8,5 milhões.

Sua suntuosidade, segundo a proposta de reforma e restauração aprovada pelo prefeito João Afonso Sólis, abrigaria um Centro Cultural, com oficinas, escolas de música e dança, biblioteca, um pequeno museu e teatro para 300 pessoas.

Gerando uma enorme polêmica, a decisão foi impugnada pelo Ministério Público a partir de uma representação do então vereador Moufid Doher contra a contratação da empresa FUPAM (Fundação para Pesquisa em Arquitetura e Ambiente) para execução do projeto arquitetônico sem licitação e pela terceirização de parte dos serviços. O episódio causou alvoroço entre os vereadores.

O caso tomou tamanha repercussão que, com inúmeras ações movidas pelo MOB (Movimento Outra Bragança) a respeito do descaso com o Belo, tornou-se nacionalmente conhecido pelo quadro “Proteste já!” do programa CQC (Custe o que Custar) da TV Bandeirantes, no qual seus integrantes buscam uma atitude do Executivo quanto à assinatura para a liberação da obra. Com o aparente fracasso da reportagem, devido o prefeito não cumprir com a promessa de liberar a obra em poucos dias, em 1º de agosto de 2012, foi ao ar, pelo mesmo quadro, o simbólico enterro cultural do prédio.

Frente à situação, a população se dividiu. Há pessoas que alegam que a reforma é desperdício de verbas, visto que o povo não se importa com a cultura e que o certo seria derrubá-lo e construir um edifício moderno. Outros afirmam que a recuperação do teatro seria uma forma de homenagear a história bragantina, uma vez que o majestoso levou Bragança a ser uma das cidades mais importantes do Estado, além de ser um imóvel monumental, que faz jus ao nome “Belo”.

Diante de todas as glórias e fracassos, penso que, deixar se acabar um complexo arquitetônico tão importante seria contribuir para que a essência bragantina se perdesse e fosse destruída, esquecida em ruínas, depois de tanto honrar, com esplendor e imponência, o nome da cidade.

Permitir, portanto, a destruição do prédio, é desdenhar as lutas e vitórias do povo, que, assim como a história desse teatro, traduz a fala de Confúcio, pensador e filósofo chinês, dizendo que a nossa maior alegria não está no fato de nunca cairmos, mas, sim, em levantarmos após cada queda.

 

Larissa Souza Lima e Jéssica da Silva Santos também representaram a Fernando Amos e Bragança Paulista na 2ª edição da Olimpíada em 2010, mas seus textos não estão publicados aqui.


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