Renata Mafra também destacou os cuidados que os adultos têm que ter para evitar que o isolamento social não afete seus filhos
O período de isolamento social, devido à pandemia do novo coronavírus (Covid-19), que já dura mais de 90 dias, vem tirando o sono da maioria dos brasileiros, pais de famílias, que além da preocupação com a saúde e a economia da casa, agora também têm a missão de saber como lidar com as crianças e os adolescentes dentro de casa nesse período, que pelo jeito, vai continuar por mais alguns meses.
Para tirar algumas dúvidas sobre o assunto, o Jornal Em Dia conversou com a psicóloga clínica Renata Mafra, que reside na cidade de Florianópolis, em Santa Catarina, e é especialista em Terapia Cognitivo Comportamental, com mais de dez anos de carreira. A psicóloga, além de dar orientações e dicas de como os pais devem enfrentar esse novo desafio de ficar em casa com os filhos em tempo integral, também falou sobre até que ponto o isolamento social pode afetar a saúde mental dos adultos e idosos. Confira a entrevista com a profissional:
Jornal Em Dia: Dra., como evitar que a quarentena afete a saúde mental da família?
Renata Mafra: À medida que o isolamento social se estende, aumenta a necessidade de cuidar da saúde mental. É muito importante que se tente ao máximo inserir momentos prazerosos no dia a dia, mesmo sem sair de casa. Hábitos como pegar sol, fazer algum exercício físico, boa alimentação e dormir bem devem ser mantidos.
É importante avaliar a situação psicológica de cada um, no caso de idosos e grupo de risco, a família deve avaliar o custo-benefício de manter o isolamento total ou flexibilizar alguma visita e contato com o mundo externo – com todo o máximo de cuidados – pois os danos psicológicos como tristeza, desânimo, entre outros, afetam diretamente a imunidade e podem ser muito prejudiciais. Um problema não pode se tornar tão grave quanto outro.
Jornal Em Dia: Que cuidados os pais devem ter com os filhos durante o isolamento social?
Renata Mafra: É comum que crianças apresentem alterações de comportamento, afinal, assim como os adultos, a rotina delas mudou completamente e de forma abrupta. Os pais estão mais em casa, porém, sem a disponibilidade de dar a mesma atenção dos finais de semana, também podem estar – e geralmente estão, por motivos óbvios desse momento – mais estressados, tensos e ansiosos o que as crianças percebem rapidamente, por serem sensíveis ao que ocorre ao redor. O que oriento aos pais é que busquem um equilíbrio entre cuidar dos filhos e cuidar de si. Trabalhar com a mesma produtividade do escritório, atender as demandas dos pequenos, fazer as tarefas da casa e cuidar de si pode ser um fardo muito difícil (ou impossível) de carregar. Deixe a capa de super-herói/heroína no armário e faça o que for possível.
Estipule uma rotina com os pequenos, manter horários para atividades, leituras, eletrônicos e brincadeiras, para que o caos não tome conta da casa e tentando conciliar com os seus próprios horários de tarefa.
Procure deixá-los ocupados com algumas dessas atividades para que possa produzir e ter seus momentos – isso é saudável para crianças de diversas idades. Caso o mal comportamento esteja exacerbado, converse para tentar entender o motivo exato e aplicar as punições de costume (castigo, perder algum benefício, etc.). Não se culpe por deixá-los mais livres se for necessário, mais “sozinhos” enquanto trabalha ou por usarem mais eletrônicos, estamos todos em um mundo novo e diferente do habitual, ajustando o que está ao nosso alcance e nem tudo está.
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