22 de março de 2026
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Educação

Carnaval: é preciso repensar

O Brasil vive deste fim de semana até terça-feira, e por que não dizer até o próximo fim de semana, o Carnaval, considerado uma das maiores festas populares do mundo.

Em Bragança Paulista, um dia a menos de folia, já que a festa começou no sábado, em vez de sexta-feira, como era de costume. A proposta de excluir um dia da programação teve o objetivo de economizar.

Falando em recursos públicos, o momento é oportuno para que algumas práticas sejam repensadas no Carnaval bragantino pela Prefeitura, Liesb, escolas de samba e pela própria população.

Para que os desfiles ocorram, a Prefeitura paga subvenção às agremiações, além dos gastos com a montagem de toda a estrutura, incluindo arquibancadas, camarotes, contratação de seguranças, instalação de banheiros químicos, sem falar no pagamento de horas extras aos servidores municipais. Estima-se que cerca de um milhão de reais seja gasto com a festa, que dura quatro dias.

Neste início de administração, seria interessante debater com a população e com as entidades de classe alternativas que tornassem o Carnaval mais autossustentável, talvez não totalmente de início, mas que aos poucos as escolas de samba fossem ficando um pouco menos dependentes dos recursos públicos.

Se formos comparar a quantidade de recursos que as entidades assistenciais da cidade recebem com o valor destinado às escolas de samba, veremos que as organizações assistenciais se mantêm o ano todo com quantias menores de subvenção, mas mesmo assim não deixam de prestar serviço.

Já as agremiações carnavalescas não têm obrigação de oferecer serviços às comunidades durante o ano. O que algumas fazem é promover eventos para arrecadar dinheiro que some para o custeio do Carnaval, já que apenas a subvenção da Prefeitura também não é suficiente.

Não pretendemos questionar ou medir a importância das entidades e das agremiações. Todas têm sua relevância nas respectivas áreas em que atuam. Mas é pertinente refletir: se a assistência aos necessitados depende muito mais da iniciativa privada do que do poder público, por que uma festa de quatro dias deve ser custeada com recursos públicos nessa proporção?

Seria interessante diagnosticar também a opinião da população que vai aos desfiles, se ela estaria disposta a custear parte do evento, pagando ingresso, por exemplo.

A economia de recursos com o Carnaval daria à Secretaria de Cultura e Turismo da cidade maior flexibilidade no uso de sua verba, possibilitando a aplicação de recursos em outros eventos durante o ano.

É uma questão polêmica, mas um assunto que merece ser discutido. Resta saber se haverá ousadia suficiente da atual administração para isso.


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