25 de abril de 2026
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Crônicas de um Sol Nascente

Chama-me pelo teu nome!

A nova moda no Japão é a de as mulheres buscarem uma cara-metade que possua o mesmo sobrenome. Isso mesmo que leram! As empresas especializadas em “encontros às escuras” (do Inglês blind date) agora devem atender a esse pedido peculiar das clientes. E, acreditem, tais pedidos não são raros.

E por que especificamente ELAS têm buscado por alguém com o mesmo sobrenome? Por uma razão prática, sobretudo: a de que, com um eventual casamento, não tenham de abdicar de seus sobrenomes originais, o que lhes causaria uma tremenda dor de cabeça em relação a passaportes e demais documentos, que necessitariam ser renovados.

Tudo bem, explicado, dirá o leitor, mas, ainda assim, esta dúvida persiste: por que SOMENTE AS MULHERES devem preocupar-se com a mudança do sobrenome? Por acaso, no Japão, não há igualdade de direitos nesse quesito?

Bem, a resposta é sim legalmente, mas não de acordo com a tradição.

Como assim? Explico…

Na Terra do Sol Nascente, existe um documento oficial chamado Koseki. E o que é isso? É o documento de família que, pela tradição, é denominado apenas com o nome do marido.

Ou seja: quando se casa, a mulher deve desistir do nome de solteira e, adotando apenas o nome do marido, passa a pertencer ao Koseki deste.

É, portanto, o Koseki de uma importância tão grande que passa por cima até mesmo do Código Civil Japonês – o qual, em seu artigo 750, determina que se pode escolher tanto o sobrenome do marido quanto o da esposa para a nova família constituída (exceção feita ao caso de o marido ser estrangeiro – mão aqui levantada e dedo médio também). O problema é que, na prática, tal lei é morta e o sistema patriarcal acaba prevalecendo. De modo que, no fim das contas, mais de noventa por cento dos casais acabam tendo no tal Koseki o nome do marido.

Machista? Sim, o Japão sempre o foi, é e sempre será (e não me venham com a história de que elegeram uma primeira-ministra e que a coisa por aqui está melhorando, porque política e teatro de bonecos é tudo a mesma coisa). O machismo impera, sim, em todos os campos sociais da Terra do Sol Nascente, cujo brilho ainda engana muita gente…

De modo que não critico as mulheres japonesas que estão buscando um parceiro com o mesmo sobrenome. Afinal de contas, pelo menos poupam a fadiga de ficar perambulando pelos cartórios e afins para trocar os documentos pessoais.

Mas a barreira maior que elas devem estar enfrentando não é tanto para encontrar alguém com igual sobrenome; e sim para encontrar até mesmo um namorado. Isso porque os homens japoneses estão preferindo ter um relacionamento com garotas criadas pela inteligência artificial…

Mas isso já é uma outra maluqui… digo, uma outra história.

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EDWEINE LOUREIRO nasceu em Manaus (Amazonas-Brasil) em 20 de setembro de 1975. É advogado e professor de idiomas, residente no Japão desde 2001. Premiado em mais de quinhentos concursos literários, é também roteirista de cinema. Em 2024, foi o roteirista vencedor do “WriteMovies Script Pitch Contest”, nos Estados Unidos. É sócio correspondente no Japão da Associação de Escritores de Bragança Paulista (Ases).

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