25 de abril de 2026
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Nem um dia sequer de paz

“Os homens temem que as mulheres riam deles. As mulheres temem que os homens as matem”.

Margaret Atwood

Quando Ele nos fez, retiradas de suas entranhas, mais especificamente de parte de sua costela, certamente não cogitou a carnificina que se seguiria anos e anos depois, continuamente. Nos fez mulheres para que paríssemos os homens, dando continuidade a Seu plano de amor e salvação. No entanto, eles, os homens, inicialmente criados a Sua imagem e semelhança, aparentemente resolveram mudar o curso das coisas.

O ápice da criação, o ser humano, a quem Ele criou com tanto esmero, mostrou-se capaz das piores atrocidades. O cabeça tem decepado nossos membros, usado nossa própria força contra nós, limitado nossos discursos, perpetuando assim a misoginia e o ódio contra as mulheres.

E por puro sadismo, são várias as maneiras com que nos violentam, chegando ao cúmulo da morte. De fato, nossa morte tem se dado de forma lenta e sistemática, dia após dia. Quando violentam a menina, estão tentando destruir a mulher. Quando, com comentários machistas cerceiam nossa liberdade, estão de certa maneira tentando aniquilar a força que reside em nós. E seus ataques não cessam, e isso apesar da lei e das tentativas ainda falhas do Estado de nos proteger, daqueles que além de nossos semelhantes, deviam ser nossos companheiros.

À semelhança do que recentemente aconteceu a uma jovem, em Piracaia, que teve parte da orelha arrancada num ataque pelo namorado, diuturnamente temos sofrido violências. Ela demorou a voltar do banheiro. Havia fila. Não foi justificativa suficiente nem válida para o agressor.

 Violências… Algumas veladas, outras, deliberadas. Toda vez que uma mulher sofre uma violência, o eixo da criação sofre uma grave perturbação, a própria mãe Gaia estremece e chora diante do horror a que suas filhas são expostas.

Nos arrancam a orelha, para que não ouçamos nossa própria voz. Nos arrancam a dignidade, quando nos submetem a seus desmandos, sob a escusa de amor; nos arrancam a paz, quando nos aprisionam em relacionamentos abusivos. Não há um dia sequer de paz para a mulher, tenho chegado a essa infeliz constatação.

Nos querem sem olhos, sem boca, sem orelhas. No máximo, nos querem com um orifício, onde depositar seu prazer. Nos querem mudas-objetos. Nos querem sem vontade, sem direito de sequer existir.

Mas porque viemos do barro, a nós mesmas nos remoldamos, e cada vez, com mais força, adicionando à água, ainda mais terra, essa sustância sagrada.

Da terra que nos pariu, retiramos nossa resistência, até que chegue o dia em que eles nos temam.

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