25 de abril de 2026
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Ambiente Em Dia

O amanhã que se planta hoje

Por acaso você já se deparou com a falta de árvores em algumas regiões, mas, em contrapartida, a enorme presença de uma natureza muito mais exuberante em outras áreas? Já evitou caminhar até a padaria ou ao mercado porque o sol estava insuportável? Já se preparou psicologicamente para enfrentar o centro de Bragança em horário de pico? Ou já se estressou ao pensar que teria que ir de carro ou a pé à Av. José Gomes da Rocha sob o calor escaldante do meio-dia? Mas, ao mesmo tempo, cogitou ir ao lago do Taboão para praticar exercícios físicos, ou se encontrar com algum amigo ou familiar nas diversas praças da cidade em algum momento de lazer?

Essas situações apontam como a vida cotidiana, muitas vezes, é influenciada pelo meio ambiente e pela organização urbana, de modo que a falta de arborização nas cidades é um ponto de importantíssima atenção, quando se coloca em pauta a preservação do meio ambiente e o bem-estar coletivo. Nesse contexto, é inegável a riqueza ambiental que Bragança possui, todavia, existem muitos esforços a serem realizados para a preservação da natureza já existente e para a construção de novas áreas verdes.

Para elucidar essa necessidade de cuidado e demonstrar a diferenciação de áreas urbanizadas nos bairros da cidade, destaca-se o Plano de Arborização Urbana de Bragança Paulista de 2025, o qual elencou a quantidade de árvores necessárias por quilômetro, nas vias públicas, para equalizar a quantidade de arborização nas principais regiões da cidade. Para tanto, foi utilizado o Sistema de Informação Geográfica (SIG), integrando processamento de imagens de satélite e coleta de dados em campo.

Os indicativos obtidos sobre a quantidade de árvores foram baixos, de modo que, em relação ao município, a estimativa apontou a existência de apenas 1 (uma) árvore a cada 90 (noventa) metros de calçada.

Nesse mesmo estudo, a partir da divisão da cidade nas principais regiões, a realização do cálculo percentual entre os bairros, demonstrou que o menor número de árvores está nos bairros Lavapés, Cidade Nova e Jardins, enquanto Santa Luzia, Pinheirais e América ocuparam as maiores colocações em relação à arborização, superando inclusive áreas importantes e mais utilizadas por todos os munícipes para diversas atividades, como a do Lago do Taboão, o que aponta uma desigualdade acentuada.

Como alternativa a esse problema, o poder público municipal abordou no Plano de Arborização, algumas espécies nativas para o plantio, das quais as primeiras consistem no ipê–amarelo e na sabão-de-soldado e serão plantadas na Cidade Nova, Planejada 1 e 2, visto que estas são as áreas mais deficitárias. O plantio ocorre mediante prévia concordância de moradores, mas com possibilidade de concordância posterior, bem como de implantação de demais espécies nativas.

A iniciativa é crucial, visto que, no final de 2025 Bragança Paulista teve temperaturas acima do esperado, e que ultrapassaram os 30ºC, de acordo com dados do Centro Integrado de Informações Agrometeorológicas (CIIAGRO) e do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). Além disso, a Defesa Civil chegou a emitir alerta amarelo de baixa umidade no ar, destacando que ela poderia ficar abaixo de 30%, o que é preocupante, visto que o nível ideal recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é de 60% ou mais.

Diante dessa situação alarmante, a Defesa Civil recomendou algumas medidas para amenizar os efeitos do tempo seco, como aumentar a ingestão de água (mesmo sem sede), evitar atividades físicas ao ar livre e a exposição ao sol entre 10h e 17h, manter a umidade dos ambientes, bem como evitar aglomerações. Portanto, fica o questionamento: em momentos como esses, a presença de árvores não faria uma enorme diferença? Visto que a sua presença ameniza o calor absorvido pelo asfalto, cria sombras naturais e a sua evapotranspiração cria um ambiente mais úmido, naturalmente.

A questão principal não é o simples plantio, mas sim a ressignificação de bem-estar e qualidade de vida que não esteja completamente ligada ao que é artificial, como o uso de ar-condicionados para suportar temperaturas elevadas, ou por exemplo, evitar sair de casa por conta do calor, bem como precisar investir em saúde remediativa por conta de níveis de poluição elevados no ar, algo que pode ser evitado.

O plano apresenta uma saída sustentável para problemas ocasionados pela falta de arborização, mas é necessário que todas as etapas de planejamento sejam fielmente seguidas pelo poder público e que a população entenda o papel fundamental que ocupa nesse processo, pois, com a colaboração dos cidadãos, diante da assinatura dos termos de adesão e também de cuidados com a natureza, visto que as árvores dividirão mesmo espaço em que vivemos, será possível garantir não apenas o plantio, mas a permanência e o desenvolvimento saudável dessas espécies ao longo do tempo.

Yasmin Zago de Carvalho

Integrante do Coletivo Socioambiental Bragança Mais

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