01 de maio de 2026
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Olhar Social

Dia do Trabalho: a luta continua…

Celebrado no mundo todo como o Dia do Trabalho – ou Dia da (do) Trabalhador (a) –, o 1º de maio remete à histórica luta das (dos) trabalhadores (as) por melhores condições de trabalho. A data ficou marcada em razão da greve realizada por trabalhadores estadunidenses no final do século XIX, na qual se reivindicavam, dentre outras necessidades, jornadas de 8 horas de trabalho em detrimento das exaustivas jornadas de 12 a 17 horas!

A data se popularizou mundo afora dada a grande pressão que imprimiu naquele momento, ao mobilizar mais de 340 mil trabalhadores ao longo do país e realizar grandes protestos, inclusive com episódios de mortes de trabalhadores em confronto com a polícia estadunidense.

No Brasil, o 1º de maio também passou a ser reconhecido e referenciado no país, celebrado por movimentos de trabalhadores desde o início do século XX e decretado feriado nacional em 1924.

Só que, por aqui, a intenção dada pelo então presidente da época – Arthur Bernardes – para a data era de incentivá-la para a realização de festas, a fim de celebrar a “confraternidade universal das classes operárias” e os “mártires do trabalho”, cumprindo o papel de conter protestos e manifestações trabalhistas neste dia.

Mesmo porque a realidade de trabalho por aqui era muito dramática em razão da acirrada exploração do trabalhador com jornadas exaustivas, trabalhos precários, desumanos, mal pagos e ausência de direitos e políticas trabalhistas, o que se agravava ainda mais para os ex-escravizados e seus descendentes, que, para além de tudo isso, ainda enfrentavam (e enfrentam) o racismo estrutural e a ausência de políticas e ações estatais após a abolição de 1888, vivenciando condições ainda mais perversas e precárias de trabalho, vida e sobrevivência.

Portanto, não havia muito (ou nada) o que comemorar, como pensava o então presidente do país e a luta (foi) como ainda é talvez a única forma em que, ao longo do tempo e da história, foi-se reconhecendo direitos e políticas públicas que garantiram e deram proteção e amparo ao trabalhador.

E a luta continua…

Como a atual Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que acaba com a escala de trabalho 6×1, que foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara na quarta-feira, dia 22 de abril, e agora segue para a Comissão Especial, para o debate do mérito.

Idealizada por Rick Azevedo (hoje vereador na cidade do Rio de Janeiro, filiado pelo PSOL) e fundador do movimento “VAT” (Vida Além do Trabalho), a proposta busca acabar com a escala semanal de trabalho 6×1, na qual o trabalhador descansa apenas um dia após seis dias seguidos de trabalho, em prol da melhoria de vida e saúde dos trabalhadores.

A vida não é (e não deveria ser) somente trabalhar, como propõe o próprio VAT, ou seja, ter momentos de descanso, lazer e pausas da rotina é parte da dimensão humana, fundamental para preservar a saúde física e mental. Não raro, temos um país amplamente sobrecarregado por uma jornada intensa de trabalho e, em grande medida, adoecido pelas próprias condições do trabalho. Atualmente, ocupamos a vice colocação em casos de burnout (síndrome reconhecida pela Organização Mundial de Saúde enquanto um distúrbio emocional com sintomas de exaustão extrema, estresse e esgotamento físico) tendo cerca de 30% de trabalhadores afastados no país.

Descansar não é frescura, nem preguiça, é direito. Uma necessidade humana. E essa é a luta!

A luta para que endossemos o coro em defesa de um trabalho mais digno, com pausas e folgas. Ao contrário do que dizem, de que o fim da escala 6×1 irá quebrar a economia, as benesses de tal medida permitiriam, isso sim, uma maior e melhor qualidade de vida aos trabalhadores (o que poderia inclusive diminuir, sobremaneira, os índices de afastamentos, doenças e acidentes de trabalho), fomentar o aumento da produtividade e geração de novos postos de trabalho, no horizonte de que o trabalhador pudesse ver e conviver com seus filhos, amigos e familiares um pouco mais do que vê e convive com seu chefe!

 

Gisele A. Bovolenta é assistente social e professora na Universidade Federal de São Paulo.

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