29 de agosto de 2026
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Educação

Duas equipes do IFSP Bragança Paulista conquistam vaga inédita na Final Nacional da ONHB

Fotos: Divulgação

Sob a orientação do professor Adriano Henriques Machado, os estudantes das áreas de informática e eletroeletrônica disputam a etapa presencial do torneio nacional em Campinas após quatro meses de intensa preparação

O Instituto Federal de São Paulo (IFSP) Campus Bragança Paulista alcançou um feito histórico no cenário regional: duas equipes de estudantes da instituição conquistaram uma vaga para a grande Final Presencial Nacional da 18ª Olimpíada Nacional em História do Brasil (ONHB), evento organizado pelo Departamento de História da Unicamp que ocorrerá em Campinas nos dias 29 e 30 de agosto.

Nesta edição, o IF-Bragança participou com 35 equipes, mobilizando 105 alunos de três cursos técnicos integrados ao Ensino Médio, sob a orientação do professor de História Adriano Henriques Machado. Das mais de 60 mil equipes de todos os estados que iniciaram a jornada nas cinco fases on-line, apenas 350 chegaram à etapa decisiva, sendo o IFSP a única escola pública representante de toda a Região Bragantina na finalíssima.

Sob o tema central “Mulheres Cientistas, Mulheres na Ciência” – alinhado às diretrizes do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) –, o torneio propôs debates profundos sobre a trajetória feminina no campo acadêmico e estrutural.

À reportagem, o professor Adriano Henriques Machado, de 43 anos, detalhou os bastidores e os desafios pedagógicos enfrentados ao longo dos últimos três meses de preparação intensa. “A jornada é bastante extenuante e desafiadora, mas também de muita pesquisa e aprendizado, que vai desde as atividades de preparação antes do início da Olimpíada até a resolução das questões e realização de tarefas, que envolve muito debate – seja na escola, via aplicativo de celular e em reuniões on-line que vão até quase o fim da noite”, relatou o docente, destacando a complexidade de conciliar a rotina em tempo integral com o Ensino Médio Técnico.

Para Adriano, a verdadeira riqueza da competição está no processo de reflexão vivenciado no decorrer das etapas, que desafia os alunos a decifrar criticamente os conteúdos históricos. “Estar entre as equipes finalistas já é uma grande conquista, mas o importante na hora da prova é manter a calma e compreender que o aprendizado construído ao longo da Olimpíada é o grande diferencial para realizar uma boa prova final”, disse.

Chegar à finalíssima com duas equipes após dois anos de ausência, sendo a única instituição da Região Bragantina na disputa, representa uma conquista de destaque, tendo em vista um nível de dificuldade cada vez mais elevado. “Isso também mostra o potencial existente na escola pública, a qual muitas vezes é pouco valorizada e reconhecida”, completou o professor, pontuando que o tema deste ano ganha urgência diante do atual cenário de violência de gênero e discursos misóginos recorrentes na sociedade.

AS EQUIPES FINALISTAS

Uma das equipes finalistas é a “Marighellios”, formada pelos discentes do 3º ano de Eletroeletrônica Bárbara Beatriz Domingos de Souza, Evillyn Crippa de Souza e Matheus Pereira da Silva. Para Evillyn, de 17 anos, que planeja cursar História na faculdade, o feito coroa a dedicação do grupo.

“Saber que estamos levando o nome de Bragança e do nosso campus no último ano do Ensino Médio nos enche de responsabilidade e motivação. Nada disso seria possível sem o grande apoio do nosso professor orientador”, declarou a estudante, relembrando a transição de semifinalistas para finalistas. “O tema desta edição, ‘Mulheres Cientistas, Mulheres na Ciência’ por si só já é um grande desafio, mas entender como a contribuição de mulheres brilhantes para a ciência foi, durante muito tempo, pouco valorizada, ou tardiamente conhecida, nos leva a refletir sobre muitos aspectos da sociedade”, apontou.

Para Evillyn, entender o Brasil que se tem hoje só é possível a partir do estudo dos processos históricos que ocorreram até aqui. “Quando conhecemos o passado, compreendemos os problemas que ainda existem hoje e valorizamos nossos avanços como sociedade. Aprendi que é essencial questionar aquilo que já sabemos para entender sempre o porquê das coisas serem como são”, declarou.

Sua colega de equipe, Bárbara Beatriz Domingos de Souza, de 17 anos, relembrou os momentos de tensão durante a apuração dos resultados. “Chegar aqui depois de cinco fases e quase quatro meses de preparação, muita pesquisa e esforço coletivo é uma sensação extraordinária, principalmente porque estamos em busca da final presencial na Unicamp há três anos, desde o início sendo o mesmo trio. É uma mistura de nervosismo e gratidão pela experiência”, falou. “O ápice foi com certeza a noite da divulgação das equipes finalistas, no fim de junho. Estava passando jogo do Brasil na copa e eu recarregava a página quase a cada batida do coração. Quando saiu o resultado, gritei e pulei de êxtase por uns quinze minutos, em chamada com o Matheus e a Evillyn”, acrescentou.

A estudante reforçou, ainda, a importância de descortinar realidades invisíveis do ambiente acadêmico. “Entre os temas históricos mais desafiadores que trabalhamos, está a resistência que acompanha o gênero feminino nas Ciências, que não é algo que vive sob os holofotes. Todo o conhecimento que buscamos em livros, artigos, podcasts e palestras gravadas nos tirou da ignorância acerca de fenômenos estruturais invisíveis mais específicos da área acadêmica e nos guiou à reflexão sobre inúmeros recortes dentro disso”, defendeu.

Matheus Pereira da Silva, também de 17 anos e integrante dos “Marighellios”, ressaltou o contato direto com a pesquisa científica proporcionado pelo evento. “A ONHB é uma oportunidade não somente de competir, mas também de entender a história do Brasil com base em fontes históricas de fato, fora dos livros didáticos. É uma chance de saber o que um historiador faz no seu dia a dia, e de aprender mais sobre a história do próprio país, enxergando o caminho pelo qual percorremos ao longo dela e entendendo os fatores que nos levaram até o estado que estamos atualmente”, explicou o jovem.

A outra equipe do campus classificada para as finais na Unicamp é a “Fishmans”, composta pelos discentes Gabriel Prates Ferreira da Silva, Guilherme Magioli Pires de Oliveira e João Vitor Barbosa Ribeiro, que frequentam o 2º e o 3º ano do curso de Informática.

O aluno Gabriel Prates Ferreira da Silva, de 17 anos, expressou o entusiasmo do trio com a vaga conquistada e pontuou os desafios enfrentados ao longo do processo. “A parte mais desafiadora foi quando foram abordadas expressões culturais locais de cada região, por sermos do estado de São Paulo e não estarmos familiarizados com essas expressões culturais”, revelou o estudante.

Para ele, o mergulho na história ajuda a construir cidadãos melhores. “É importante se aprofundar na história do Brasil para entender o contexto histórico que levou a realidade que estamos inseridos hoje. Aprender sobre a formação do Brasil como nação e território nos ajuda a ser cidadãos mais informados e conscientes, além de ser importante para a formação acadêmica, pois nos forma como indivíduos. Aprender a olhar para o passado nos ajuda a tomar decisões melhores no presente e no futuro”, refletiu.

O representante da equipe “Fishmans” pontua que a dinâmica de estudos trouxe uma nova compreensão sobre a pluralidade do país. “A ONHB apresenta o Brasil por diferentes perspectivas de maneira subjetiva, e isso nos permite reconhecer toda a diversidade que temos no nosso país, além de trazer a discussão de problemas reais que persistem em nossa sociedade. Essas tarefas mudam nosso jeito de pensar, nos fazem mais empáticos e abrem nossos olhos em rumo a uma melhor perspectiva de Brasil”, destacou.

Essa percepção de impacto social é partilhada por Evillyn Crippa, que também destaca o caráter transformador da experiência. “Eu acredito que se aprofundar na história da própria nação é se tornar cada vez mais um real integrante dela. A cada passo que damos ao nos aproximar de particularidades que não conheceríamos no ensino básico nos tornamos cidadãos mais conscientes, funcionais e de voz ativa. E em todos os âmbitos da nossa sociedade, essas se tornam características vitais”, concluiu a estudante.

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