“Portanto, quem se tornar humilde como esta criança, esse é o maior no reino dos céus”.
Mateus, 18:4
O Mestre nos convoca à autenticidade ao proferir essas palavras. Nos convida a experimentar a delícia de uma vida pautada no desenvolvimento de uma personalidade baseada na fé e na graça.
Convida-nos a nos despojarmos de nossas máscaras e nos mostrarmos a Ele e para Ele tal como somos, com toda a ternura e todo o ódio de que somos capazes, com todos os nossos medos e receios, com toda a nossa pequenez e fragilidade.
Como crianças, que não reconhecem em si mesmas nenhum valor ou mérito, e que não se furtam de oferecer sorrisos e beijos, que se permitem o amor, porque têm ciência de seus sentimentos e não se inibem em expressá-los.
A criança que renasce em nós nos permite ser nós mesmos e não viver uma vida vegetativa em mera conformidade com a multidão, e ao mesmo tempo que nos faz capazes de tamanha autenticidade, nos capacita a dessa forma, refletir a imagem de Cristo em nós, viva, vibrante, magnífica!
A criança que nos conduziria de volta ao Pai, o menino que por nós nasceu, é Ele mesmo quem amorosamente nos ensina a ser como criança.
É Ele quem nos adverte que, a menos que nos tornemos como criancinhas, jamais desfrutaremos da bem-aventurança de pertencer ao Reino do Pai. É preciso romper com o impostor que em nós habita, é preciso voltar ao estado de autencidade da criança. Dependente em tudo, amorosa e frágil, totalmente submissa à vontade do Pai.
Mistérios que só a mente de Cristo e àquelas que a Ele se moldam poderiam supor, e que nosso “adultocentrismo” não nos permite por vezes enxergar.
Imagine o Reino como um parque de diversões, daqueles em que determinados brinquedos exijem altura mínima dos visitantes, só que inverta essa lógica. O cartaz é claro, quando adverte: “Proibida a entrada de adultos”. Se você é alto, diminua, não é possível adentrar aos portões que conduzem à verdadeira diversão assim! Se se considera autossuficiente, esqueça… não poderá brincar nos jardins dEle.
Agora, se você é pequeno e desajeitado e rechonchudinho e impaciente e não vê a hora da diversão começar, pode gritar a plenos pulmões: – Paiêeeee, me leva pra brincar lá!!!
“Em média as crianças americanas começam a falar aos dezoito meses de idade. Invariavelmente, a palavra formulada é “Pa, pap, pápi, papá, papai”. Na mesma época, as crianças judaicas na Palestina do primeiro século diriam em aramaico: “Ab, abb, aba, abba”. A revelação revolucionária de Jesus reside primeiramente nisto: o Deus de cujos dedos o universo escorregou, o Deus cuja beleza faz a do Grand Canyon não passar de uma sombra, o Deus cujo poder faz o da bomba nuclear ser nada, pode ser tratado com a mesma intimidade, gamiliaridade, ternura e reverência de uma criança de dezoito meses descansando no colo do pai”.
Brennan Manning
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