Publicado em 13 de novembro de 2021 por Ana Raquel Fernandes
“O doutor vai demorar um pouco, por causa da chuva” – anunciava a recepcionista repetidamente a cada um que se aproximava para a consulta. Sim, chovia lá fora, o clima havia mudado drasticamente, de um calorão abafado para o friozinho que vem com a chuva. A chuva persistia, mas tinha seu som abafado pelo murmurinho […]
Ler maisPublicado em 6 de novembro de 2021 por Ana Raquel Fernandes
Não é de hoje que venho te observando, meu querido Francisco. Não é de hoje que noto a sabedoria de sua escolha refletida em sua proximidade com o meu muito amado outro Francisco. Ah… Você são tão parecidos! Não foi à toa que o escolhi outrora para reformar minha igreja, e o escolho agora para […]
Ler maisPublicado em 23 de outubro de 2021 por Ana Raquel Fernandes
“Ele vinha todo dia aqui para saber se havíamos achado a filha dele”, disse o porta-voz do Corpo de Bombeiros, que ainda trabalha exaustivamente naquilo que sobrou de Brumadinho. Uma cidade afogada em lama, um coração de pai que não se permite sufocar por essa mesma lama. Um choro engasgado em minha garganta, desde o […]
Ler maisPublicado em 9 de outubro de 2021 por Ana Raquel Fernandes
Que o brilho dos olhos não lhes seja roubado, assim tão precocemente, Que a boneca ou o ursinho de pelúcia sejam os únicos seres a quem foi concedido o direito de dividir com eles o leito. Que haja leito para toda criança, e que ele não se limite à dureza das calçadas. Que haja pão, […]
Ler maisPublicado em 25 de setembro de 2021 por Ana Raquel Fernandes
O brilho nos olhos dela… Ah, era como se de repente uma luz muitíssimo viva tivesse se apossado deles, deixando o verde ainda mais verde, verde-claro, claro-translúcido. Era nítido que ela havia alcançado um estado de graça, quase que um êxtase sobrenatural. Aquela mulher, já de meia idade, tivera bem poucos momentos assim, é verdade. […]
Ler maisPublicado em 11 de setembro de 2021 por Ana Raquel Fernandes
Sempre nutri uma admiração respeitosa por cavalos. Talvez porque sua imponência me constranja, seu porte e sua força sejam exatamente aquilo que me falta, ou, ainda, porque junto dessa admiração venha algum medo. Quase sempre tememos aquilo que respeitamos, e eu sei, não devia ser assim. O respeito devia vir sem a necessidade de qualquer […]
Ler maisPublicado em 28 de agosto de 2021 por Ana Raquel Fernandes
Todo ano, eles esperam diligentemente por sua vez. Até que se aproxime setembro, seguem tímidos, quase ignorados pelos transeuntes. Silenciosos, resignados de sua espera, não reclamam, não maldizem aqueles que passam apressados e não lhes reconhecem a beleza implícita. O médico estava atrasado. Já estávamos no período da tarde, quando ele ainda chamava por pacientes […]
Ler maisPublicado em 14 de agosto de 2021 por Ana Raquel Fernandes
Era um sol dourado lembrando-me da necessidade de brilhar e ser luz. Eram dois sóis enchendo a Terra de uma luminosidade perseverante e alegre, como só dois seres amorosos podem fazer. Era um dia comum, como se os dias fossem assim, todos comuns… Que nada! Nós é que nos entregamos ao modo automático de viver […]
Ler maisPublicado em 31 de julho de 2021 por Ana Raquel Fernandes
Os dias são quase todos iguais, desde que a rua se tornou seu lar. Quase todos preenchidos pela luta por sobreviver e pelas memórias de quando tinha uma casa e uma família. Pensamentos que vão e voltam, culpa, medo, ressentimento, algum orgulho. Nunca ninguém soube ao certo porque Reginaldo havia parado ali. Ele não diz. […]
Ler maisPublicado em 24 de julho de 2021 por Ana Raquel Fernandes
Quando deixei a escola aquele dia, tinha dentro de mim a certeza inocente de que em breve, muito breve, estaríamos todos de volta. Não sei se essa minha certeza devia-se mais à minha ignorância a respeito do vírus horroroso que se alastrava pelo mundo ou à esperança vinda da necessidade absurda que sinto de estar […]
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