Neste artigo, quero apresentar uma “verdade inconveniente” que existe há muitos anos e continua nos dias atuais a imperar, a chamada mais-valia. Na real, mais-valia é o nome dado à diferença entre o valor produzido pelo trabalho e o salário pago ao trabalhador. Isto é, a base da exploração no sistema capitalista. Quem definiu e explicou esse sistema? Karl Marx, um economista e jornalista alemão que viveu no século XIX.
A teoria da mais-valia pode ser compreendida da seguinte forma: suponhamos que um funcionário leve duas horas para fabricar um par de calçados. Nesse período, ele produz o suficiente para pagar todo o seu trabalho, porém, permanece mais tempo na fábrica, produzindo mais de um par de calçados e recebendo o equivalente à confecção de apenas um. Em uma jornada de oito horas, por exemplo, são produzidos quatro pares de calçados. O custo de cada par continua o mesmo, assim também como o salário do proletário. Com isso, conclui-se que ele trabalha seis horas de graça, reduzindo o custo do produto e aumentando os lucros do patrão.
Esse valor a mais (mais-valia), é apropriado pelo capitalista e constitui o que Karl Marx chama de “Mais-Valia Absoluta”. Além de o operário permanecer mais tempo na fábrica, o patrão pode aumentar a produtividade com a aplicação de tecnologia. Dessa forma, o funcionário produz ainda mais. Porém, o seu salário não aumenta na mesma proporção.
O mais-valia é amplamente praticado no comércio, na prestação de serviços e principalmente na indústria. Comparo-o ao método de trabalho chinês, destarte digo que muitos de nós, hoje, estamos trabalhando como chineses. Uma empresa chinesa publicou cartazes nas paredes de seu prédio com a frase: “Trabalhe com afinco no seu emprego hoje ou vai ter que trabalhar duro para encontrar um emprego amanhã.” (NYT).
Por que faço comparação com os chineses? Porque é a pura realidade que vemos nas indústrias e empresas de nossa região, ou melhor, de nosso país. Poucas empresas se preocupam com o bem-estar do funcionário, as empresas esquecem-se de que o seu maior patrimônio é o operário. Já ouvi gestor dizer que “funcionário é igual um copo de água descartável, você usa ele, sacia os seus desejos e depois simplesmente o descarta”. Perguntei: “e depois?” Respondeu ele: “depois que a gente joga ele fora, tem mais 99 atrás esperando ser usado!”.
Mas a grande questão é, cada copo que você joga fora é um “X” valor sendo desperdiçado. Então, quanto mais rotatividade de funcionários houver, maiores serão os gastos e encargos previdenciários, e pior ainda, mais tempo será desperdiçado ensinando, reintegrando e adaptando pessoas ao trabalho.
Quero finalizar dizendo que o lucro é de direito da empresa, indústria ou comércio, o que não é de direito é a injustiça e a desigualdade, onde os gestores estão cada vez mais ricos e felizes e os trabalhadores cada vez mais cativos à escravidão!
Renan Williams Moore Brito
Bacharel em Ciências Contábeis
renanwmoore@hotmail.com
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