Por que era feita de sonhos, maria flutuava ao invés de caminhar. Movida por ideais retrógrados e pensamentos delirantes para a sociedade regente, Maria se recusava a pisar o solo onde crianças eram mortas e mulheres violentadas. Não, sua pele delicada não compactuaria nunca com esse tipo de selvageria.
Por que era livre, Maria amava, mas não se submetia a nenhum homem, criaturas traiçoeiras e egoístas, segundo ela.
Por que respirava poesia, não conseguia ficar no mesmo ambiente que os aristocratas ou fariseus pós-modernos. Sua prosa pesada e recheada de rompantes de ego a enojava, a ponto de desejar vomitar. Seus trejeitos de gente que tenta parecer inteligente ou rica, então… Caricatos! Ela era apenas o que era. Nada mais. Nada mais lhe interessava ser ou parecer.
Por que era bela, despertava olhares, e aqueles que ousavam penetrar-lhe fundo a alma, perdiam-se. Uns poucos voltaram dessa viagem alucinante. Voltaram loucos.
Alertados por ela haviam sido, mas como ela costumava dizer, não lhe botavam nenhum crédito, visto que era mulher.
Por que era mulher e absolutamente dona de si não se permitia perder-se de si mesma, mesmo quando, em raras ocasiões era seu olhar que permitia-se perder no de outrem. Sempre voltou, recobrando o fôlego, depois de mergulhar águas profundas. Poucas vezes voltou satisfeita, entretanto. Mares muito fáceis de navegar não a entretinham, marinheiros inexperientes, sim, mas só para seu deleite.
Por que era diferente de todas as outras, era só. Tinha até mesmo o despeito de suas semelhantes, olhares raivosos conduzidos com alguma cautela em sua direção. Comentários maldosos, vindos de quem não conhecia sua essência. Mulheres desmerecendo-a enquanto mulher.
Por que era assim, sofreu sempre a dor de ser o que escolhera: apartada, marginalizada, diferente, arredia, avessa, provocadora, questionadora, pensante. Viva!
Vagabunda, oferecida, libertina! Não se casou, não teve filhos. Escreveu, bebeu vinho, chorou quando julgou necessário e defendeu com a própria vida a vida de todo ser nesse planeta; o direito à comida e à poesia, ao trabalho e ao ócio, ao dinheiro e aos prazeres que ele pode proporcionar também.
Por que era crítica demais, segundo alguns, acabou sendo “vítima” de suas próprias escolhas.
Por que era livre, no sentido mais genuíno da palavra, gozou a vida, enquanto alguns tampouco existiram.
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