12 de setembro de 2026
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Eu IA escrever sobre a IA, mas não tive tempo…

“Eu quero que a IA lave minhas roupas e minha louça, para que eu possa escrever e criar minha arte, e não o contrário”
Joanna Maciejewska

Eu tenho medo da IA. Sim, eu tenho medo da IA, não por considerá-la uma ameaça ou uma substituta do ser humano, mas justamente por vê-la assumindo papéis que não competem a ela. Sim, é justamente isso: “Eu gostaria que a IA lavasse minha roupa, enquanto eu dedico meu tempo a escrever e criar”. O contrário, a meu ver, é absolutamente absurdo.

E principalmente em se tratando da questão feminina, a IA devia servir (nos servir, a expressão é essa mesmo) para aliviar nossa carga de trabalho, abrindo espaço para tarefas intelectuais, das quais muitas vezes somos privadas por falta de tempo, por conciliar diariamente mil trabalhos domésticos e profissionais, além dos afetivos. Sim, porque até mesmo amar, para a mulher, dá trabalho. É preciso alimentar os seres amados, mantê-los vestidos e seguros, de vez em quando cozinhar o prato preferido deles, dar-lhes atenção e afeto. E isso tudo demanda tempo e dedicação quase sobre-humanos.

A mim, que amo escrever desde sempre, o uso da IA para criar textos é ainda mais afrontoso. Seu excesso de vírgulas e sua completa falta de originalidade soam para mim como uma ofensa ao intelecto humano, sim, o mesmo que foi o responsável por desenvolver essa “ferramenta”.

Ando sendo criticada por essa minha postura relutante em relação à IA, mas faço aqui, em minha defesa, algumas ressalvas. Não, eu não condeno o uso dessa ferramenta, eu só o limitaria. Por vezes, parece que não havia vida antes dela, que não éramos capazes de chegar sozinhos a respostas simples, quem dirá às mais complexas. Tudo, absolutamente tudo, tem de ser obrigatoriamente perguntado a esse ser etéreo que nós mesmos criamos. Como um guru, como um oráculo a quem recorremos toda vez que a vida nos apresenta um desafio, uma dúvida… Um oráculo treinado para nos oferecer a resposta que esperamos.

E a vida não é mesmo uma sucessão de dúvidas e incertezas? Consultar a IA para saná-las todas (como se isso fosse possível) é, a meu ver, invalidar todos o processo de desenvolvimento do cérebro humano, é pular etapas, é enfadonho e triste, como os anúncios idênticos de todos os comércios agora. As mesmas fontes, o mesmo estilo de ilustração, o mesmo apelo… Coisa mais chata!

Por isso, eu continuo defendendo o uso da IA para me poupar de tarefas enfadonhas e que consomem o tempo que eu poderia usar para criar, não o contrário.

E sim, eu fiz a trend dos anos 80 do Instagram (quanto estrangeirismo numa só sentença!), mas quer saber? Até aí senti um pouquinho de ranço da IA. Não era eu, estava mais magra, braços alongados, como nunca terei na vida. Divertido? Confesso que sim, mas perigoso! Será que a ferramenta que criamos é capaz de nos entreter a ponto de nos esquecermos daquilo que realmente é essencial?

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