05 de julho de 2026
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Palavras de Amor e Vida

Evangelho de São Mateus 11, 25-30

14º domingo do Tempo Comum – Ano A – Naquele tempo, Jesus pôs-se a dizer: 25 “Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos. 26 Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado. 27Tudo me foi entregue por meu Pai, e ninguém conhece o Filho, senão o Pai, e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar. 28Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso. 29 Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vós encontrareis descanso. 30Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”.  –  Palavra da salvação

“Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos”. Jesus está em oração, “Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra”, e aqui se revela a íntima relação entre o Pai e o Filho, como pessoas do mesmo Deus trinitário (Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo), em que não há competição por posição de comando, mas íntima união na ação salvadora da humanidade. Jesus anuncia seu Evangelho (Boa Nova) a todos porque a salvação é para todos. Os sábios e entendidos (fariseus, escribas, doutores da lei e os sacerdotes), que são as pessoas que deveriam reconhecer Jesus como o Messias (o enviado), não o identificam porque se servem da Lei para explorar os mais humildes (pequeninos). Eles se consideravam autossuficientes e sua arrogância os afasta do Senhor. Para eles, os pobres e ignorantes eram a causa de todos os problemas existentes em Israel, inclusive o domínio político e a exploração econômica que o povo romano exercia ali. Não percebiam que sua função era justamente instruir este povo, para maior honra e glória do Senhor. Além de não fazerem o seu trabalho, servem-se de seus conhecimentos para explorar o povo pobre. Por isso “os sábios e entendidos” não aceitam os ensinamentos de Cristo. Teriam que modificar seu modo de vida e usar de justiça, segundo a Palavra de Deus.

“Tudo me foi entregue por meu Pai, e ninguém conhece o Filho, senão o Pai, e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar”. O “tudo” que Jesus recebeu é a obra da salvação da humanidade pecadora, pois, como Deus que é, tudo lhe pertence. Jesus é o redentor da humanidade, a segunda pessoa da Santíssima Trindade, cujo mistério desvendar-se-á apenas após a morte do corpo. O Pai ama os seres humanos mesmo sendo pecadores. E é para sua salvação que Jesus vem ao mundo. Jesus, portanto, vem revelar o Pai a todos indistintamente, contudo, somente conhecerá o Pai aquele que aceitar a Palavra de Deus proclamada e explicada por Jesus Cristo. Não há distinção entre as pessoas, nem entre ricos e pobres, mas os pobres aceitam a mensagem do Evangelho mais facilmente pelo estado de necessidade pessoal. Por outro lado, aqueles que se sentem autossuficientes e seguros pelo dinheiro, cultura ou posição social que possuem resistem às verdades do Evangelho e assim o Pai não lhes pode ser revelado. A resistência à revelação do Pai parte da ação pessoal de cada um em relação a Deus, ao próximo e, consequentemente, ao Evangelho. Não há discriminação nem predestinação. Todos os homens e mulheres são chamados a participar da vida divina.

“Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vós encontrareis descanso. O meu jugo é suave e o meu fardo é leve”. Na época de Jesus, o povo trabalhador era oprimido com muitos impostos devidos ao império romano e ao governo israelita. Esta opressão tinha sua origem na Lei com seus 613 artigos, mais a tradição oral, chamada de Mixná, ambas atribuídas a Moisés. Os sábios e entendidos (fariseus, escribas, doutores da Lei e os sacerdotes) impunham a Lei ao povo, mas não a cumpriam. Isto gerava um desconforto e oprimia o povo trabalhador. Este povo sofrido aceita mais facilmente o Evangelho, enquanto aqueles que se beneficiam resistem ao anúncio da verdade e à melhor distribuição da justiça.

Jesus estimula o povo a segui-lo porque Ele é “manso e humilde de coração”. Isto não significa ser conformado ou passivo, mas que toda ação reformadora deve ser pleiteada de modo pacífico, com diálogo e respeito pela autoridade constituída (1Pd 2,13). O uso de violência só pode gerar mais violência. A Palavra de Deus (meu jugo, as leis divinas) gera vida física e espiritual em abundância e através dela “encontrareis descanso”, que é o conforto do dever cumprido e a certeza de estar no caminho da salvação, da vida presente e futura em Deus. A Lei que Jesus prescreve para cumprimento de seus seguidores são os Dez Mandamentos (Ex 20, 1-21; Dt 6,5) resumidos em apenas dois: “Amarás ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento” e “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mt 22, 37-39), por isso Ele afirma tranquilamente: “Meu jugo é suave e o meu fardo é leve”. Em primeiro lugar, o amor a Deus e em segundo o amor às outras pessoas. Este é o jugo de Jesus.

Paulo Trujillo Moreno é professor, bacharel em direito, formado em Teologia para leigos e participa das Pastorais Familiar e Litúrgica. 

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