“Mãe não tem limite, é tempo sem hora, luz que não se apaga quando sopra o vento e chuva desaba”, escreveu Carlos Drummond de Andrade em uma das descrições mais poéticas e, ao mesmo tempo, precisas sobre a figura materna.
Todos os segundos domingos do mês de maio, pessoas de diversos países se reúnem para celebrar aquela que representa um dos grandes pilares de sustentação da família; a que do gestar ao parir, do nutrir ao educar, tem a irremediável função de servir.
Mães, aquelas que são o nosso lugar no mundo, cujo vínculo vem desde o cordão umbilical. Inspiram, semeiam, ensinam. Rezam e choram por seus filhos, mas também se alegram a cada aprendizado, a cada vitória, a cada conquista. Da primeira palavra, o primeiro passo, a formatura no ensino fundamental, aos desafios vencidos na temida adolescência e o suporte com os dilemas da vida adulta.
Mães que são filhas, avós, tias, amigas, profissionais, mulheres. Mães. Múltiplas, multifacetadas, corajosas, invencíveis. Não importa a língua, a religião, a ideologia política – dá pra dizer que elas têm muito em comum. Não são necessariamente as melhores nem acertam sempre, mas são incansáveis na arte de tentar com um afinco que nenhum outro mortal conseguiria.
Daí vêm os ditados clichês: “mãe é mãe”, “mãe é tudo igual”, “só muda de endereço”; e também aqueles conselhos como “ouça a sua mãe”, “mãe sabe o que diz”, “aproveite a sua mãe enquanto a tem”. Nada mais correto e verdadeiro. Só poderia ser mais justo se a tivéssemos para sempre para nós. Mas talvez essa seja mesmo a beleza da vida: os ciclos que se renovam e nos mostram que tudo é passageiro – menos o amor, os ensinamentos e as lembranças que insistem em perdurar.
Por isso, se você tem a sorte de ter a sua mãe neste domingo, celebre-a. Mostre a ela toda a sua gratidão e a felicidade por poder ter uma presença tão luminosa em sua vida. Comemore com presentes, mas sobretudo com presença. Com afeto, com abraço demorado, com conversa boa, com risada daquelas que doem a barriga.
Se você não a tem mais aqui, também agradeça. E pense que boa parte do que é hoje deve a ela – aliás, não deve nada, porque mãe faz tudo de graça. Mas a tenha em pensamento e no seu coração, também feliz por ter recebido valores que não se compra com dinheiro e por, certamente, carregar consigo momentos e memórias que seguem resistindo ao tempo.
Não é que tudo sejam flores, porque as mães – e os filhos – são de carne e osso. Somos todos eternas crianças, vivendo o mundo pela primeira vez. Elas erram – feio, às vezes – como nós também erramos e, por vezes, somos orgulhosos demais para reconhecer. Por isso, pensemos neste dia: será que toda discussão vale a pena? Será que nossas diferenças são mesmo irreconciliáveis? Será que vale perder um tempo tão precioso – que não volta mais – com tantos pequenos desacordos?
Por isso é que Dia das Mães também é dia de perdão. Dia de deixar o que já foi para trás, de desprender-se de velhos rancores, de dizer sim para o amor, de tentar ao menos dar uma chance de fazer diferente. Dia de se reencontrar, de se reconectar, de se reconhecer.
Pense o que sua mãe representa em sua vida e o quanto dela há em você. Também há certamente muito de você nela – ela é mãe porque você a fez assim. Reflita o quanto é possível aprender ao se desapegar de tantas vaidades passageiras e deixar falar mais alto a voz do coração, como já dizia a música.
E aquilo que elas nos dão se perpetua pela eternidade. Se alastra. Vira história, vira lição, vira princípio. Princípios esses que transmitiremos para os nossos filhos e, com sorte, serão também parte da vida de netos, bisnetos, tataranetos e nunca terão fim – só serão ressignificados.
Há quem diga que ser mãe é padecer no paraíso. Ou seja, essa é a dualidade eterna entre a dívida e a dádiva, a dor e a delícia. A felicidade quase obscena de ver uma nova vida existir a parte da sua e a angústia dilacerante provocada pelos medos e renúncias de uma jornada de altos e baixos.
Um outro poeta, Coelho Neto, dizia que “ser mãe é desdobrar fibra por fibra o coração […] É ser anseio, é ser temeridade, é ser receio,
é ser força que os males equilibra”. E dos males o menor, já que não há certo ou errado, há um caminho que só se conhece percorrendo.
Que nesta jornada, não faltem flores, cumplicidade e serenidade para atravessar as adversidades. Que os dias de sol possam, na maior parte das vezes, ser mais intensos do que os de tempestade e de nevoeiro. Que haja mais clareza do que dúvida, mais esperança do que desânimo.
Que neste domingo – e em todos os outros dias da semana – lembremo-nos daquela que foi nossa casa e o começo de nossa existência. Aquela que é colo, conselho e morada; que é humana, aprendiz e errante; que é incansável, mas também precisa de refrigério. Que possamos ser para nossas mães melhores filhos – talvez essa seja a única forma de sermos também melhores para nós e para o mundo.
Yasmin Godoy
Feliz Dia das Mães!
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