Chegou o tempo de aproveitar novamente a fruta da época e preparar doce para a família.
Agora, a fruta da vez são as goiabas, as vermelhas e as brancas, naqueles pés que frutificam no mato, em algumas calçadas, goiabeiras que se debruçam nos muros invadindo calçadas, fazendo o povo parar para apanhar e saborear. Se acaso não tiver as goiabas caipira, sem agrotóxicos, a maioria das vezes de tamanhos disformes e com uns pontos pretos e até algum bichinho nas sementes, pode usar as vermelhas do supermercado.
Há um mês, já fiz doce de goiabas em calda, com a colheita vinda do quintal do meu irmão Luciano que este ano foi bem abundante. Muita gente ganhou sacolas de goiabas que ele trazia quase diariamente e a preparação das goiabas em calda, especialidade de minha mãe Adair e agora dele, que assumiu essa tarefa, foi farta. Goiabas em calda são super-rápidas de preparar e, com as sementes retiradas, aferventadas e peneiradas, eu preparo a geleia ou faço calda para acompanhar sorvete.
Em geral, era essa a única versão de doce que eu fazia aqui em casa ultimamente, pois a goiabada de colher precisava, além de muito tempo, disposição para limpar o fogão cheio do doce que espirrava e correr o risco de queimaduras com as gotas fervendo.
Este ano, resolvi inovar e testar fazer goiabada de colher, mas de um jeito novo. Aproveitei que no sítio as goiabas amadureceram só agora (no domingo, meu irmão colheu as goiabas de um pé que rendeu 3 quilos da fruta sem a polpa e sementes) e lá fui eu para a cozinha.
Preparei dessa vez na panela de pressão, sem muita demora e sem espirrar no fogão nem em mim. Como deu certo, passo a receita a vocês.
A fruta, ao ser cozida, já desprende muita água e na panela de pressão amolece rapidinho, ficando imersa no líquido dela mesma. Depois de cozida é que se coloca o açúcar, e só. Espere a água reduzir e o doce apurar na panela de pressão, agora coma panela semitapada, e você terá a mais saborosa e artesanal goiabada para comer com queijo ou com requeijão, bater no leite formando uma vitamina saborosa ou simplesmente comer às colheradas.

- 250 gramas de açúcar.
- Lave as goiabas e, uma a uma, corte as metades; com uma colher, retire e vá reservando numa panela a polpa e as sementes.
- Coloque na panela de pressão as goiabas e meio copo (100 ml) de água – somente para não grudar no fundo até as goiabas amolecerem e soltarem líquido.
- Tampe a panela de pressão e leve ao fogo baixo até pegar pressão, deixando cozinhar cerca de 15 minutos. Desligue o fogo e espere esfriar até poder abrir com segurança e, com uma colher de pau, mexa as goiabas que devem estar em pedaços, mas amolecidas e imersas no próprio líquido. Nesse ponto, coloque o açúcar (eu coloco metade da quantia, misturo e experimento e, caso necessite, vou juntando o restante aos poucos, pois prefiro deixar com a doçura natural da fruta). Depois de misturar, feche novamente a panela e deixe mais uns 10 a 15 minutos na pressão, dependendo de como estiver o cozimento. Desligue o fogo e repita o processo de mexer o doce que, a partir daí, ficará cozinhando com a tampa semiaberta até a água evaporar, mexendo de vez em quando. Experimente para ver se falta açúcar e acerte se necessário.
- Quando perceber que já está uma massa sem os pedaços da fruta, desligue e coloque em tigelas.
Obs.: como tenho uma panela de pressão das maiores, fiz os 3 quilos de goiaba colhida de uma vez, mas não aconselho, pois, além de demorar mais tempo, pegou no fundo da panela.
Geleia: com as sementes reservadas, junte um pouco de água somente para cobrir as sementes, leve ao fogo e deixe cozinhar por uns 5 minutos após ferver mexendo de vez em quando. Desligue e, depois de fria, passe por uma peneira, retirando todas as sementes. Restará um caldo grosso que você pode adoçar a gosto, levar ao fogo até engrossar formando uma geleia de goiaba. Se preferir, pode guardar esse caldo peneirado numa garrafa em geladeira para misturar com água e fazer um suco. Nada se perde ou desperdiça!

Maria Inês de Oliveira Chiarion Zecchini é professora de Educação Infantil nesta cidade e autora do livro “Redescobrindo – receitas da cozinha bragantina”. Faz parte da Associação dos Escritores de Bragança Pau- lista (Ases), foi membro fundadora da Academia Bragantina de Letras (ABL) de 2005 a 2008, e colunista do jornal Cidade de Bragança de 2005 até 2011.
Até nosso próximo encontro!
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