Na sessão de terça-feira, os vereadores cobraram resposta aos usuários da Unimed e a regularização do hospital
A reportagem do Jornal Em Dia conversou com o médico José Jozefran Berto Freire, na tarde dessa quarta-feira, 9, a fim de saber sobre a situação do Hospital Mantiqueira (antigo Unimed).
De acordo com o médico, o hospital continua interditado. Mas, na segunda-feira, 7, um novo laudo foi encaminhado à Justiça, para tentar a reabertura do estabelecimento.
Jozefran afirmou que todas as irregularidades apontadas pela Vigilância Sanitária (Visa) foram regularizadas, que tudo foi documentado e enviado à Justiça para que ela decida o destino do Mantiqueira.
Esse laudo, porém, não foi elaborado pela Visa, que tem visitado o hospital diariamente, segundo o médico.
No sábado, 5, quando a reportagem esteve no Hospital Mantiqueira, cerca de 15 pacientes estavam internados no local. Atualmente, esse número já é menor, conforme afirmou Jozefran, haja vista que alguns receberam alta por estarem bem.
REPERCUSSÃO NO LEGISLATIVO
Durante a sessão da Câmara Municipal de terça-feira, 9, a interdição do Hospital Mantiqueira (antigo Unimed), ocorrida na quarta-feira passada, 2, foi muito comentada pelos vereadores.
José Gabriel Cintra Gonçalves quis deixar suas considerações ao prefeito Fernão Dias da Silva Leme, à secretária municipal de Saúde, Estela Gianesella, e à Vigilância Sanitária por terem sido firmes no posicionamento. “Presenciei na gestão passada que a Visa fazia vistorias, mas os responsáveis pelo plano corriam à Administração Municipal e se passava um pano quente na situação”, alegou Gabriel.
Ele esteve presente na visita que resultou na interdição e disse que comprova que tudo foi realizado com cautela. “O hospital não tem alvará há anos, como podem dizer que a medida foi feita do dia para a noite? Por que não correram atrás antes? Se era urina ou não era, eu presenciei o ar condicionado central vazando que nem bica. Com forte cheiro de urina. Leitos molhados. Se chegasse emergência naquela hora, não haveria condições de proceder”, afirmou Gabriel.
As declarações do médico José Jozefran Berto Freire aos veículos de imprensa também foram criticadas pelo vereador. “Disseram que em casos de urgência e emergência os usuários do plano devem procurar o SUS. Eu teria vergonha de falar uma coisa dessas se estivesse no lugar dele”, exclamou.
Por fim, Gabriel lembrou que o hospital foi interditado para que possa se regularizar e voltar a funcionar normalmente assim que estiver adequado. Mas ele cobrou uma resposta melhor aos usuários da Unimed enquanto isso não ocorrer. “O responsável pelo hospital precisa responder se vai fechar convênio com outro hospital ou se está providenciando outra forma de atendimento”, concluiu.
A vereadora Gislene Cristiane Bueno concordou com Gabriel. “Só esta Casa já esteve em contato com ele (Jozefran) diversas vezes e agora ele diz que foi pego de surpresa. Ele deve estar em outro planeta”, comentou.
O vereador Marcus Valle lembrou que, em todas as cobranças já feitas pelos vereadores ao convênio da Unimed, sempre houve a cautela de evitar que o plano feche. “Nem Unimed, nem Prefeitura, vereadores e, muito menos, os usuários querem que o plano de saúde e o hospital acabem”, disse.
Para Marcus, a situação chegou a tal ponto porque a cooperativa da Unimed está enfrentando dificuldades financeiras visíveis. “Acredito que eles estavam ganhando tempo para ver se conseguiam fazer uma negociação e ainda não tinham resolvido os problemas por falta de dinheiro, mas dizer que foram pegos de surpresa realmente não é verdade”, afirmou o vereador, que também concordou que, na administração passada, o problema do hospital foi deixado de lado.
O vereador Miguel Lopes opinou que a Visa não pode ser omissa quando há necessidade de fechar o estabelecimento. “Mas espero que tenha ocorrido notificação e diálogos”, afirmou. O vereador Gabriel respondeu que a Vigilância Sanitária vinha conversando com a Unimed desde abril deste ano.
O vereador Juzemildo Albino da Silva também discordou da fala de Jozefran de que foi arbitrária a interdição e de que teria sido “pego de calça curta”. “Foram feitas diversas notificações, só aqui da Casa já tem processos com 181 páginas. Chamamos o responsável pela Unimed de três a quatro vezes na comissão e ninguém veio”, disse.
Tanto Miguel quanto Juzemildo mostraram preocupação para que a administração do hospital repense a sua atividade e cumpra as exigências da Vigilância Sanitária.
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