“Eese é o Deus do evangelho da graça. Um Deus que, por amor a nós, mandou o único filho que jamais teve embalado em nossa própria pele. Ele aprendeu a andar, tropeçou e caiu, chorou pedindo leite, transpirou sangue na noite, foi fustigado com um açoite e alvo de cusparadas, foi preso a cruz e morreu sussurrando perdão sobre todos nós”.
O panfleto deixado no portão me convidava para a Celebração da morte de Cristo. Quase não consegui alcançá-lo, quando caiu no chão, minha coluna anda muito temperamental. Foi um encontro surpresa esse que se deu entre mim e esse audacioso pedaço de papel. Saíra de pijama, pois já passava das vinte e uma horas, para receber uma encomenda, quando, ao abrir o portão, ele saltou direto para o chão.
O movimento de inclinar-me para pegá-lo foi automático, imaginei ser uma conta, água ou luz, que os entregadores normalmente deixam ali. Não, não era, e como me custou esse simples exercício. O moço da Shopee deve ter ficado com dó de mim.
Peguei o papel, o pacote da mão do moço e agradeci, ao que ouvi como resposta: Deus abençoe!
Amém. Será que estavam falando do mesmo Deus, o moço da Shopee e o panfleto? Receio que não. A páscoa marca o triunfo da vida sobre a morte, motivado pelo amor insano de um pai por seus filhos. Cristo está vivo e posso percebê-lo em cada ato de meu cotidiano. É como se minha vida e os pequenos momentos que a compõem diariamente testemunhassem de um Cristo absolutamente vivo e presente.
Ele está vivo no aroma do café coado às cinco da manhã, que desperta meus sentidos e, atualmente, meu estômago. Ele está vivo no movimento do ovo, que insiste, não sei se por um descuido sonolento meu, em correr pela pia, antes de ir para a frigideira. E no sal com que o tempero, por que sim é Ele quem dá sabor à minha existência.
Cristo está vivo em cada bocejo e respiração meus. Em cada passo, seja ele acompanhado de dor ou não. Nas palavras que minha boca profere, nas ações que minhas mãos realizam. Cristo vive em minhas intenções mais profundas e em meus atos mais automatizados. Em minha caridade e em minha mesquinhez. Em minha face mais piedosa, e em meu lado mais desumano e cruel. No que aparento ser, no que quero me tornar e no que abriga meu âmago. Cristo vive em tudo o que sou!
Cristo vive e participa de cada celebração e de cada lamentação minha. E sabê-lo assim, é o que torna ambas necessárias e absolutamente compreensíveis.
Ele vive agora em cada gota da chuva que cai lá fora, enquanto escrevo esse texto, assim como viveu em cada gota de sangue derramado naquela sexta-feira.
Ele vive em todos os dias de minha semana, pelo simples fato de que todos os meus dias a Ele pertencem.
Nem todo o ódio acumulado de um mundo descrente foi capaz de pará-lo. O que acontece naquela sexta-feira foi apenas um lembrete da potência do amor de Seu Pai.
Por isso, e só por isso, não costumo celebrar sua morte. Acho esse verbo um tanto quanto inadequado para a ocasião. O que se sucedeu àquela sexta-feira fatídica mudou os rumos da História, todo o meu entendimento e motivação de minha existência. E porque Ele vive, só posso mesmo celebrar!
Já não sofro mais da angústia daqueles que esperam por longuíssimos três dias para que Sua promessa se cumprisse. O tenho comigo todos os dias desde então…
Que a Páscoa siga sendo o motivo mais genuíno de nossa alegria, que Sua vida siga sendo celebrada em todos os dias de nossa existência!
Feliz Páscoa!
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