16 de maio de 2026
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Crônicas de um Sol Nascente

Riquixás

Durante o mais recente Golden Week – que é a semana de folga (na verdade, três dias) a que o Japão se dá o direito uma vez por ano –, fui com a família a Asakusa, um dos bairros mais antigos de Tóquio. E Asakusa é mesmo sinônimo de História em cada metro percorrido. Afinal, trata-se de uma localidade que existe há nada menos que… mil e quatrocentos anos (praticamente a idade do Brasil).

Quem nos deu essa informação, aliás, foi o condutor de um riquixá (em japonês, jinrikisha), que são aqueles carros de duas rodas puxados unicamente pela força humana, e que fazem a alegria dos turistas em Asakusa. O valor para a aventura de meia hora é, verdade seja dita, salgado, mas a memória que deixa a seus passageiros, essa não tem preço.

Pelo menos para mim, que tomei um riquixá pela primeira vez nessa ida a Asakusa, e – cereja do bolo – ao lado do meu filho de sete anos. Foi essa, a propósito, também a estreia do Endi nesse tipo de passeio – minha esposa já havia tido a experiência um ano antes, e, dessa vez, deixou para que pai e filho se divertissem.

E foi, sim, uma inesquecível meia hora para nós dois. O Endi, então, desatou a conversar com o condutor fazendo uma série de perguntas: por exemplo, quantos quilômetros ele costumava percorrer diariamente, qual era a altura e o peso dele etc… Ao que o condutor, um jovem oriundo da cidade de Yamagata, ia respondendo com uma simpatia e paciência que logo cativaram o paizão do pequeno tagarela.

E é um trabalho duro o da condução, vale frisar, porque, além de correr, prestar atenção no trânsito, dar atenção aos clientes, ele ou ela ainda têm que contar a histôria de cada um dos pontos turísticos em que paramos. Digo ele ou ela porque, sim, há também condutoras de riquixás (respeitando, pois, a igualdade de gênero, como deve ser). Uma delas, aliás, com um belíssimo sorriso, parou e deu passagem para o nosso riquixá. Foi quando o Endi, ao vê-la, indiscretamente perguntou ao condutor se ele sabia o nome da moça. Desta vez, porém, o condutor, com um riso sem jeito, limitou-se a dizer: “Não sei, ela é de outra empresa, concorrente…”. Para logo em seguida completar a informação dizendo que havia por volta de quinze empresas de riquixás disputando clientes em Asakusa – ressaltando, porém, que a empresa dele tinha a vantagem de ser uma das mais antigas e estáveis do bairro. E, por fim, satisfeito com a minha cara de admiração, acelerou para concluir a jornada.

Bom, quando o passeio terminou, o pequeno, claro, correu logo para os braços da mãe, que nos esperava no local.

Mas não sem antes agradecer o condutor e, em seguida, virando-se para mim, alertar: “Pai, não se esqueça de pagar”.

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EDWEINE LOUREIRO nasceu em Manaus (Amazonas-Brasil) em 20 de setembro de 1975. É advogado e professor de idiomas, residente no Japão desde 2001. Premiado em mais de quinhentos concursos literários, é também roteirista de cinema. Em 2024, foi o roteirista vencedor do “WriteMovies Script Pitch Contest”, nos Estados Unidos. É sócio correspondente no Japão da Associação de Escritores de Bragança Paulista (Ases).

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