Publicado em 23 de janeiro de 2021 por Ana Raquel Fernandes
Desde criança, ouvi de minha mãe que o que é do outro é do outro. Jamais devemos pegar aquilo que não nos pertence. E isso servia pra tudo, desde uma borracha até uma carteira com dinheiro. Se eu chegasse com um lápis a mais no meu estojo escolar, que obviamente, não fosse meu, eu sabia […]
Ler maisPublicado em 16 de janeiro de 2021 por Ana Raquel Fernandes
Senhor das florestas, ouvi nossa prece, O pulmão do mundo é quem clama, Pois entregue aos desdéns do branco, Nosso povo guerreiro padece. Olhai por nós, Grande Deus Tupã, Por seu auxílio, suplicamos, Sem demora, nos devolva o ar, rogamos, E que nossa prece não seja vã. Quero voltar a correr pelo que nos resta […]
Ler maisPublicado em 9 de janeiro de 2021 por Ana Raquel Fernandes
Vidro ao chão, vidro dividido em milimétricos pedacinhos. Lucas, pega uma vassoura e uma pazinha pra tia, por favor! Ele tenta em vão abrir a porta da cozinha que dá acesso aos materiais de limpeza. Está emperrada. Eu vou por fora, tia. Um minuto e está de volta, vassoura e pá nas mãozinhas. Peço que […]
Ler maisPublicado em 24 de dezembro de 2020 por Ana Raquel Fernandes
Querida Aninha, Escrevo, porque estranhei muito a ausência de uma cartinha sua esse ano. O que aconteceu, minha querida? Ainda me lembro de suas primeiras cartinhas, numa delas você me pedia uma bola de futebol e um “shorts”, como os que os jogadores usavam. E eu pensei: – Essa é minha menina! Aliás, sempre soube […]
Ler maisPublicado em 19 de dezembro de 2020 por Ana Raquel Fernandes
João nasceu menino forte, graúdo, tanto que pôs a mãe de repouso antes do tempo. Seu corpo magro carregava agora um meninão, e porque Ele é misericordioso para com os miseráveis, João nasceu com cara de filho de rico, não fosse pela cor da pele, é claro. Menino feito, diziam as vizinhas à sua mãe, […]
Ler maisPublicado em 12 de dezembro de 2020 por Ana Raquel Fernandes
Todo ano, a essa época, ele estaria animado, o rosto marcado pelo tempo ganharia ares de festa, de contentamento. Arrumando coisas como sempre fazia, desarrumando para arrumar, na verdade, inquieto que sempre foi. Junto da esposa muito amada, estaria decorando a casa com tudo que é tipo de enfeite: flores, luzes, bibelôs, papais noéis de expressões […]
Ler maisPublicado em 28 de novembro de 2020 por Ana Raquel Fernandes
Quando criança, diferentemente das meninas da minha idade, pedi um shorts azul de Natal. Não um shorts qualquer, daqueles que as menininhas usam, mas um shorts solto, largo, um shorts de jogador de futebol. Azul, porque era essa a cor do shorts do uniforme número um da seleção brasileira, e eu era uma garotinha gordinha […]
Ler maisPublicado em 20 de novembro de 2020 por Ana Raquel Fernandes
O Natal se aproximava. Esse ano, inusitado ano, parecia mesmo que ainda nem tinha vivido tanta coisa assim, e ele já chegava. O Natal estava à porta, e por esse motivo Aninha andava pensativa. Os bracinhos gordos segurando a face, numa espécie de cena contemplativa. Ela quase nunca ficava assim. A menina era do tipo […]
Ler maisPublicado em 13 de novembro de 2020 por Ana Raquel Fernandes
Tenho olhos famintos desde criança. Há quem diga, inclusive, que sejam muito grandes, deve ser tamanha a necessidade que sinto de observar tudo. Sou assim desde que me conheço por gente, não pretendo mudar. Acho mesmo que o mundo e suas gentes são um espetáculo bonito demais para ser ignorado ou substituído pela cegueira de […]
Ler maisPublicado em 7 de novembro de 2020 por Ana Raquel Fernandes
“Menina de novo?” Não houve qualquer esboço de comemoração dada a notícia, ao contrário, fez-se bem nítida a decepção no olhar do pai. Esperava por um menino, homem, seu sucessor. “Seja bem educada, sente direito, feche mais as pernas, isso são modos de uma menina? Vá brincar com as outras e largue essa bola, que […]
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