Publicado em 13 de março de 2021 por Ana Raquel Fernandes
Estava no banho, quando ouvi minha mãe à porta do banheiro: – Raquel, a moça da ótica ligou, seus óculos estão prontos. Eu sempre preciso de um bom banho depois de fazer meus exercícios em casa. Desconheço ser humano que transpire mais que eu. Sempre ouvi dizer que isso é bom, que elimina as toxinas… […]
Ler maisPublicado em 6 de março de 2021 por Ana Raquel Fernandes
Olhando por cima do notebook aberto sobre minhas pernas, vejo meus dedos do pé. Tortos, estranhos, e imagino sua aparência quando eu morrer. Penso que estarão arroxeados. Na verdade, já o estão agora, já que pedi que a manicure usasse um esmalte cor de lavanda nas unhas. Mas, como será vê-los enrijecidos pela morte, talvez […]
Ler maisPublicado em 20 de fevereiro de 2021 por Ana Raquel Fernandes
Abri a porta, acendi a luz e fiz meu exercício de olhar todo o entorno antes de entrar no banheiro. Todo, quase todo, porque era atrás da porta, feito a canção de Chico, que ela me esperava. O corpinho negro, esperto, logo se movimentou ao menor sinal de minha presença. Estávamos dividindo o mesmo espaço, […]
Ler maisPublicado em 13 de fevereiro de 2021 por Ana Raquel Fernandes
Café. Café bem forte, sem açúcar nem adoçante, que era pra sentir o gosto genuíno dele. Café passado pontualmente às seis da manhã, todos os dias. O senhor pode colocar umas gotinhas de adoçante… O médico deixou. O quê? Não estou te ouvindo… Era assim que ele reagia às tentativas frustradas da cuidadora de “agradá-lo”. […]
Ler maisPublicado em 6 de fevereiro de 2021 por Ana Raquel Fernandes
Pedras para impedir que moradores de rua se abriguem debaixo de viadutos. Seria uma questão estética? Acaso estariam essas pessoas atrapalhando a ordem estética da cidade? Ou o caso é mesmo de tentar ocultá-los por serem suas existências motivo de vergonha? Se for esse o caso, só me resta constatar que já não há vergonha […]
Ler maisPublicado em 23 de janeiro de 2021 por Ana Raquel Fernandes
Desde criança, ouvi de minha mãe que o que é do outro é do outro. Jamais devemos pegar aquilo que não nos pertence. E isso servia pra tudo, desde uma borracha até uma carteira com dinheiro. Se eu chegasse com um lápis a mais no meu estojo escolar, que obviamente, não fosse meu, eu sabia […]
Ler maisPublicado em 16 de janeiro de 2021 por Ana Raquel Fernandes
Senhor das florestas, ouvi nossa prece, O pulmão do mundo é quem clama, Pois entregue aos desdéns do branco, Nosso povo guerreiro padece. Olhai por nós, Grande Deus Tupã, Por seu auxílio, suplicamos, Sem demora, nos devolva o ar, rogamos, E que nossa prece não seja vã. Quero voltar a correr pelo que nos resta […]
Ler maisPublicado em 9 de janeiro de 2021 por Ana Raquel Fernandes
Vidro ao chão, vidro dividido em milimétricos pedacinhos. Lucas, pega uma vassoura e uma pazinha pra tia, por favor! Ele tenta em vão abrir a porta da cozinha que dá acesso aos materiais de limpeza. Está emperrada. Eu vou por fora, tia. Um minuto e está de volta, vassoura e pá nas mãozinhas. Peço que […]
Ler maisPublicado em 24 de dezembro de 2020 por Ana Raquel Fernandes
Querida Aninha, Escrevo, porque estranhei muito a ausência de uma cartinha sua esse ano. O que aconteceu, minha querida? Ainda me lembro de suas primeiras cartinhas, numa delas você me pedia uma bola de futebol e um “shorts”, como os que os jogadores usavam. E eu pensei: – Essa é minha menina! Aliás, sempre soube […]
Ler maisPublicado em 19 de dezembro de 2020 por Ana Raquel Fernandes
João nasceu menino forte, graúdo, tanto que pôs a mãe de repouso antes do tempo. Seu corpo magro carregava agora um meninão, e porque Ele é misericordioso para com os miseráveis, João nasceu com cara de filho de rico, não fosse pela cor da pele, é claro. Menino feito, diziam as vizinhas à sua mãe, […]
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